Saímos da reunião sob uma luz mais pálida do que o céu deveria permitir. A brisa soprava das montanhas como se quisesse apagar o rastro do que foi dito ali dentro. Mas nada poderia apagar o que foi cravado naquela sala. Salvatore caminhava ao meu lado em silêncio. Não era o silêncio do costume, aquele que existe entre duas pessoas que se entendem sem palavras. Era outro. Mais carregado. Como se ele estivesse prendendo alguma coisa que não cabia na reunião. Quando entramos no carro, ele me olhou. Um segundo só. Depois desviou o olhar pela janela, o maxilar apertado. — Você está bravo? — perguntei. — Estou tentando... conter — ele disse, sem olhar de volta. — Uma parte de mim queria virar a mesa quando Berardi falou com você daquele jeito. A outra queria mostrar que você era mais forte d

