Eu varro o vidro, o reflexo, as mesas. O casal elegante que sorrira para nós continua elegante e sorrindo, mas agora vejo que o homem usa um anel com brasão que não é "de família" é loja, é moda. Gente infiltrada não usa símbolos. Meus olhos passam, param, voltam: o gerente novo do andar de cima, o da postura impecável, está no fundo do salão falando no celular. Até aí, nada. Até que ele desliga e, antes de guardar, dá dois toques rápidos no lado do aparelho. Código? — Aquele gerente — digo, indicando com o queixo. — Ele mexeu no celular como quem sinaliza. — Notei — Salvatore responde. — Mas não é pra mim. É pro casal da mesa quatro. Eles estão esperando alguém que não chega. — Ou que já chegou — eu devolvo, e percebo que estou respirando mais fundo, meu cérebro queimando de claro. El

