86. Bianca

1152 Palavras

Subimos devagar. Os corredores compridos da mansão deixavam o lago entrar pelas janelas em retalhos azuis escuros. No quarto, ele apagou a maioria das luzes, deixou uma acesa no criado-mudo. Deitei de lado e ele veio atrás, braço pesado por cima da minha cintura, aquela concha de corpo que me encaixa sem me engolir. O perfume dele, hoje, era banho e vinho. E um cansaço bom o de quem voltou. — Bianca — chamou meu nome como quem testa a mão no bolso pra ver se a chave está lá. — Eu não consigo... — parou, recomeçou, coisa rara. — Eu não vejo a hora de te tornar mãe de mais um filho meu. O "um" atravessou como faca afiada e, ainda assim, o corte não foi para me machucar. Foi para abrir um lugar de ar. Senti o corpo querer encolher e depois decidir não. Respirei dentro da frase dele. — Dó

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