Passei a tarde inteira brincando de cabide. Era isso ou contar azulejos da cozinha. Abri o closet como quem abre um cofre e decidi que ia experimentar tudo o que pudesse até o sol encostar nas colunas do terraço. Um exército de tecidos marchou para a cama: seda, crepe, cetim, um vermelho que gritava "olha pra mim", um azul que sussurrava "hoje não". A governanta, Dona Teresa, passos de nuvem, me trouxe água com limão e fingiu que não via o caos, só dizia "che bella" cada vez que eu saía do banheiro virando, rindo do próprio desfile particular. No terceiro vestido, eu ri de mim mesma. No quinto, ri mais alto. No sétimo, parei em frente ao espelho e a risada virou suspiro. Pousei a mão na barriga por reflexo e deixei que o gesto se desfizesse sozinho, sem culpa. A luz italiana entrando pe

