72. Bianca

1118 Palavras

O brinde terminou como começa qualquer acordo entre famílias: com sorrisos que não alcançam os olhos e taças que tilintam só para abafar a verdade. As conversas voltaram em ondas, ilhas de vozes sussurradas, risos baixos, códigos que só quem nasceu nesse mundo sabe ler. Eu mantive a coluna ereta, o queixo alto e a mão de Salvatore na minha, um encaixe firme que ancorava e ao mesmo tempo avisava a sala inteira: não encostem. O primeiro a se aproximar foi um homem de barba grisalha e pulseira de ouro demais no pulso. Chamava-se Alberti, lembrança vaga de um jantar antigo com meu pai. Chegou com dois passos medidos e uma simpatia que cheirava a cálculo. — Valentini — cumprimentou, apertando a mão de Salvatore, o olhar escorregando para mim. — Vejo que a cidade comenta a verdade. A senhorita

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