Capítulo 12

767 Palavras
Aproximdamente 2h e meia depois de voo, desembarco na capital do México, Cidade do México, sendo recebida pelo calor e pelo sotaque que tanto amava. O dia amanhecera em algumas horas e a movimentação era constante do lado de fora do aeroporto. Estar ali, definitivamente, era como voltar para casa. Me sentia em casa. Pego o primeiro táxi que me aparece na fila extensa de táxis, dizendo o endereço do hotel sem ao menos olhar para a cara do motorista. Casa Pepe Hostel Boutique ficava situado no centro histórico da cidade, tinha um toque casual e moderno; 6 minutos a pé de uma estação de metrô. 4 minutos a pé da movimentada praça Zócalo e 15 minutos a pé do Museu Palácio de Bellas Artes, tudo o que queria para passar o tempo enquanto estivesse no México. Após fazer o ckeckin vou para o quarto 405, me surpreendendo pela simplicidade em cores cinza e branco. Deixo a mala preta de rodinhas de lado, me livrando da calça jeans e a camiseta de mangas compridas e a bota de cano baixo. Um banho aproximado de vinte minutos, foi necessário para me dar um empurrãozinho para o dia que iria ter. Parada em frente ao espelho retangular, após vestir um vestido florido de tecido fino, penteio meu cabelo, optando por deixá-lo solto por ainda estar úmido. O IML ficava localizado um pouco mais distante do hotel, o que me fez aproveitar bastante o trajeto. Algumas pessoas aguardavam do lado de fora do prédio branco gélido, dou um meio sorriso para algumas pessoas ao me aproximar do balcão, aonde havia uma mulher robusta de mau humor. - Posso ajudar? – pergunta sem me olhar. - Me chamo Kathléia García Gonzalez, vim reconhecer o corpo da minha irmã Katerina García Gonzalez. Ela ergue o olhar me encarando por alguns instantes, antes de folhear algumas folhas. - Terá que esperar. Tem algumas pessoas na sua frente – Ela indica com a cabeça a pequena multidão do lado de fora do prédio. Balanço a cabeça assentindo, sentando em um conjunto de cadeiras azul-escuro no canto da recepção. O tempo parecia não passar, ao poucos os que estavam ali eram chamados para o interior do prédio. Alguns voltavam chorando ao reconhecer o corpo do ente querido e um ou outro tinha a expressão de alívio por não ser o familiar. Estava perto do entardecer, quando o médico legista entra novamente na recepção. - Señorita Kathléia? – pergunta olhando uma folha. Levanto assentindo. - Nos falamos por telefone, sou Juan – continua, arrumando o óculos de armação redonda e em seguida passando a mão pelo cabelo cacheado – Por aqui, por favor – Entramos em um longo corredor á direita, gélido, cujas paredes verde-escuro dava a impressão da pintura ser desgastada com a ajuda da pouca iluminação. Virando á esquerda Juan abre uma porta e preciso soltar o ar dos pulmões ao ver alguns corpos em macas de metal. Com a cabeça indica para entrar, caminhando com naturalidade por entre ás seis macas ocupadas. Evito olhar para os corpos, alguns cobertos até a cintura e outros até o pescoço, costurados do pescoço até o abdômen. - Está tudo bem? Se não tiver se sentindo bem, pode voltar outro dia – Engulo em seco, sentindo o suor se acumular na minha testa. - ...estou bem – Tento garantir, evitando respirar fundo, já que havia um odor diferente no ar, que não conseguia decifrar. Juan caminha até a última maca perto da janela, descobrindo o único corpo coberto. Me aproximo com passos hesitantes, respirando pela boca ao vê-la. Seus lábios estavam levemente roxos e sua pele morena num tom pálido, os cabelos mantidos sempre lisos quando viva, tomavam a textura ondulada em algumas partes. Havia uma mancha roxa em volta do pescoço de Katerina, o que me fez olhar para Juan. - O que é isto? - A causa da morte foi esganadura – Ele explica com os olhos fixos na mancha – Alguém a sufocou até morrer. Muitas vezes havia imaginado matar minha irmã gêmea com ás próprias mãos. Mas, ao vê-la naquele estado, não me senti bem, como achei que me sentiria. Era como se me visse morta e ainda por cima com uma morte tão...lenta. - Sinto muito – Ele continua – Deve estar sendo difícil para você. É sua irmã gêmea. Olho novamente para Juan, desviando a atenção do rosto de Katerina, sentindo um misto de choque e pesar. - Onde assino para liberar o corpo? – murmuro, notando pela primeira vez a tatuagem de uma caveira mexicana em seu braço esquerdo.
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