Capítulo 13

992 Palavras
No final das contas, acabei descobrindo que Katerina já tinha plano funerário e que seu desejo após a morte era ser cremada. Enquanto aguardava o corpo ser cremado, me desviei um pouco dos meus pensamentos e prestei atenção em toda aquela agitação desde que havia chegado no México. Umas olhada rápida no celular e lembrei que era Día de los Muertos o que significava que era dia de fazer visitas ao cemitérios e fazer um altar com alimentos, velas, flores e outros elementos. No fim da cremação uma urna vermelha com uma caveira mexicana, igual a do braço de Katerina, foi entregue. Era difícil acreditar que apesar de tudo, Katerina estava morta e seus restos mortais naquela urna. Volta e meia me pegava pensando em como daria aquela notícia para Dona Rosa, se é que conseguiria. Volto para o quarto do hotel, me adiantando em fazer às preparações para o altar de Katerina e papai. Com tudo pronto, rezei, imaginando que ela deveria estar feliz, já que estava agora perto de papai. Sentada nos pés da cama, tiro da minha bolsa um saco plástico com os pertences de Katerina, que Juan me entregará. No saco havia um par de brincos, anéis, a carteira em formato de bolsa e o celular que, adiantei em ligar e por pra carregar. Diversas mensagens e ligações perdidas chegavam de uma vez, chamando minha atenção. A maioria de uma mulher chamada Adela, perguntando diversas vezes onde estava. O celular começa a tocar de repente e por alguns segundos encaro o nome de Adela e a urna em minha frente, decidindo atender por fim. - Onde você está, Kat!? – Adela grita irritada – Não pode simplesmente esquecer que tem responsabilidade! - Adela, preciso... - Você precisa voltar para casa. Faz três dias que sua filha não para de perguntar de você! – Ela me interrompe, desligando em seguida. Saber que Katerina tinha uma filha, mudava tudo. Por algum tempo perdi a noção do tempo, encarava o celular de Katerina em busca de respostas e do que fazer. Não havia nada que pudesse me ajudar no celular, além de fotos e vídeos em uma boate, onde ela sempre aparecia sorrindo e cercada de várias pessoas. Katerina nunca gostou de ficar sozinha, nunca apreciou a solidão e nunca conseguiu lutar contra ela. Gostava de se sentir amada, rodeada de pessoas, venerada. E por alguma razão, conseguia tudo isto com sua personalidade. Meu telefone toca dentro da bolsa, o pego vendo o nome de Sara. - Oi. Como está ás coisas? – Sara pergunta. - O corpo de Katerina já foi cremado – murmuro. - Disseram a causa da morte? - Esganadura. Ela foi assassinada. Sara fica em silêncio, parecendo absorver as palavras. - Como todas as mortes, é horrível – fiz por fim – E você volta quando? - Não sei – suspiro – ...Ela tem uma filha, Sara. - Uma filha? Como assim? - É algo que quero saber, principalmente quem a matou e por quê. - Faça o que tem que fazer. Qualquer coisa me ligue. - Está bem – desligo, confiante do que iria fazer no dia seguinte. Passar a noite em claro não estava em meus planos mas, não tive alternativa. Tive insônia. O que me ajudou em planejar o que iria fazer. O foco de tudo seria descobrir o que havia acontecido com Katerina e em seguida levar minha sobrinha para os Estados Unidos. Lá tentaria explicar, ou não, o que havia acontecido com sua tão amada filha. - Quer que eu pare pra você tomar uma água? – O tatuador pergunta no meio da tatuagem. Minha expressão deveria estar sendo fiel ao desconforto misturado com dor que estava sentindo. - Estou bem – digo engolindo em seco, tentando manter a voz firme. Ele assenti, voltando a contornar a caveira florida. O mais difícil para mim, seria alisar meu cabelo e usar roupas tão justas e chamativas. Felizmente ou não, junto com os pertences de Katerina, veio o vestido que vestia quando foi encontrada. Um vestido vinho de mangas compridas de camurça, acima dos joelhos e um par de salto alto vermelho. Katerina e sua paixão pelos tons de vermelho. Diante do espelho vi Katerina novamente, dessa vez seu sorriso de canto duvidava do que estava para fazer e até me questionava se teria coragem. Apesar das missões que havia sido enviada e das garotas que havia interpretado, interpretar Katerina era diferente. Talvez pelo fato de a conhecer e por ser minha cópia ou por saber que estava morta e, de alguma forma estivesse desrespeitando sua memória. Não foi difícil descobrir o endereço de Adela, graças ao celular de Katerina. No trajeto até a residência, guardei quem realmente eu era no fundo da minha mente e deixei ás poucas lembranças de Katerina me dominar. Bato na porta do apartamento 212, cujo segundos depois, a mesma porta abre de repente e uma mulher branca de cabelos loiros-claro desgrenhado me encara, vestida em roupas largas. Ela bufa, se afastando em direção da pequena sala de estar. - Lembrou que tem casa? – pergunta pegando uma taça de vinho na mesinha de centro, enchendo a taça em sua mão . Olho a decoração simples, com alguns quadros coloridos na paredes, alguns que dizia claramente que havia sido pintados por uma criança. O sofá de canto marrom ficava em frente a uma TV , rodeada com vasos de plantas. Ás paredes creme com certeza dava uma aparência mais aconchegante. - O que foi? O gato comeu sua língua? – Ela vocifera. - Onde ela está? Adela toma parte do vinho, limpando a boca com ás costas das mãos. - Se está se referindo á Aide, está na escola. Aide, penso, imaginando como ela seria. - E agora se me der licença, tenho alguns quadros pra pintar – Ela vira o restante do vinho na boca, pegando a garrafa pela metade, antes de sair do meu campo de visão.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR