O frio cortava minha pele, mas eu já estava acostumada com a sensação de estar sempre tremendo, sempre fugindo. Cada passo que eu dava parecia mais pesado que o anterior, como se o próprio chão tentasse me puxar para baixo. Meu corpo estava exausto, minha mente um caos, mas eu não podia parar. Não agora. As luzes da cidade foram sumindo enquanto eu subia o morro. Meu coração martelava contra as costelas, e cada sombra ao redor parecia um inimigo à espreita. Mas o medo de voltar era maior do que qualquer ameaça que me esperasse ali. Eu só queria desaparecer, encontrar um canto onde pudesse respirar sem sentir o peso do mundo esmagando meus pulmões. Tropecei. Meus joelhos cederam, e por um momento achei que não conseguiria mais me levantar. Mas então, um ronco de motor cortou o silêncio, e

