A visita ao Morris, foi um erro. Os pesadelos que eu tive no passado voltaram a me atormentar. Mas nada que a visão de você entre os livros, não dissipasse. O dia estava ótimo. Conversar com você durante o trabalho. Ver o seu sorriso a todo momento.
Queria curtir isso. Ter você só para mim pelos próximos anos e, então, te dar filhos. O casal que eu te prometi ontem. Eu serei um bom pai. Protegerei vocês. A nossa vida será perfeita.
O Pedro veio até a livraria para almoçar comigo, como sempre. Eu havia me esquecido de te avisar. O garoto entrou me cumprimentando.
_ Oi, Pedro! Madu, a minha namorada _ apresentei, pois você estava do meu lado _ Ela vai almoçar conosco hoje. Tudo bem?
_ Sim _ o garoto sorriu para o seu sorriso.
Comemos no restaurante perto da livraria. Eu emprestava livros para o Pedro. Gostava de conversar com ele durante o almoço. Era muito esperto. Tinha uma mãe ausente, que trabalhava o dia inteiro. Ele ficava muito solitário. De algum modo, eu me identifiquei com ele.
_ Terminei de ler Julho Verne _ o Pedro me devolveu o livro, de volta a livraria.
_ Você gostou?
_ Sim, foi incrível. Como ele conseguiu pensar nisto no século dezenove?
_ A mente humana pode fazer qualquer coisa, Pedro _ respondi _ O que acha de levar outro livro do Julho Verne?
_ Eu vou adorar _ se empolgou e eu lhe entreguei o livro _ Quando você terminar, eu te empresto outro.
_ Voltarei quando terminar de ler _ se despediu e saiu para a rua, apressado para ler.
_ Quem é ele? _ você ficou curiosa.
_ Um amigo.
Você sorriu. Acho que me imaginou como pai. Eu gosto de crianças, Madu. Elas são vítimas das circunstâncias, muitas vezes. Mas não param de sorrir.
O Pedro é um bom menino. Eu queria poder ajuda-lo, mas tudo o que posso é lhe dar uma refeição diária e a inspiração de um bom livro para que ele possa mudar a sua realidade.
Nós voltamos para casa no fim do expediente e jantamos juntos. Preparei o nosso jantar em meia hora, enquanto conversava com você. Você ficou me observando da cadeira onde sentou à mesa, durante todo o processo.
Depois de jantar, eu te acompanhei até a faculdade para que você mudasse o horário das aulas. Ia continuar estudando medicina, como a sua mãe queria, porquê você não gosta de conflitos, amor. Mas eu sei que nós humanos não fazemos nada que não queiramos, e por isso, penso que você quer fazer medicina, afinal. Só não se deu conta disso, ainda.
Depois de um tempo no CAA, estávamos saindo da faculdade quando nos deparamos com a sua adorável mãe. Ela ainda me olhou como se eu fosse uma barata. Mas agora, para ela, eu era uma barata de respeito. Paramos frente a frente.
_ É a ele que você escolhe, invés de sua mãe.
_ Estou escolhendo à mim. Você nem me vê. Eu não sou uma pessoa para você. Sou apenas uma chance de você fazer o que nunca fez. Você não pode viver através de mim. Eu tenho minhas próprias vontades.
_ Você criou coragem, posso ver. Pelo menos uma coisa boa vem do seu erro.
Seguiu para dentro da faculdade e nós para fora.
_ O que será que ela veio fazer aqui? _ você se preocupou.
_ Não se preocupa. Você saberá amanhã.
Você ficou nas suas redes sociais, quando voltamos para casa e, eu fiz pesquisas no navegador. Vi a novas tecnologias, livros e filmes em lançamentos, novos games e bandas. Uma peça de Shakespeare atualizada para os dias de hoje, entrava em cartaz na próxima sexta. Comprei entradas online para nós dois.
Fui tomar banho para dormir. Passei por você no trajeto para o banheiro. Você sorria conversando com as suas amigas. Amo o seu sorriso.
Na manhã seguinte, um banho rápido, fazer o nosso café rapidinho e comer comentado o que vimos a noite. Você falava sobre festas e um encontro com os seus não amigos do teatro.
_ Temos entradas para o teatro na sexta. É um apanhado das obras do Shakespeare no contexto de hoje.
Você me olhou decidindo entre mim e os seus amigos _ Você devia ter dito antes de comprar as entradas _ me reprovou.
_ Você vai mesmo me trocar pelos seus amigos? Onde eu vou ter que te buscar desta vez? Em uma boca de fumo?
_ Eles não são viciados.
_ Eu não sei se eles são viciados. Mas sei o que eles não são: seus amigos. Eles não se importam com você, Madu. Mas eu me importo.
Você hesitou me encarando. Era verdade e, você sabia. Só tinha que admitir. Mas não faria isso agora. Estava movida pela defesa do seu espaço. Você não queria ceder a sua escolha a mim. Tinha medo de que eu te controlasse.
Insisti _ Só comprei as entradas pensando em você, amor. Em nós. Você pode ir outro dia com os seus amigos?
_ Está bem, mas não faça mais isso.
Sorri feliz pela sua escolha.
No dia de trabalho. O Pedro ainda não terminou de ler o livro. O Julho estava sem namorada e se irritava um pouco com o clima entre mim e você. Assim eram os nossos dias. Eu, você, Julho, Pedro.
Você só fazia teatro aos sábados e todos os dias da semana, a noite, depois de jantar comigo, você ia para a faculdade.
O que a sua mãe queria na faculdade naquela noite, era um mistério.
Depois de um dia de lançamento de um bestseller, onde eu fiquei sozinho com o Julho porque você estava gripada, eu tive uma grande surpresa ao chegar em casa.
Caminhei pela casa sem encontrar você. Foi uma longa jornada, até que eu via a porta do porão aberta.
Caminhei de vagar para dentro pensando em minha mente todas as reações possíveis para o que você encontrou lá embaixo.
Evitava fazer barulho enquanto caminhava para baixo na escada. Atento para qualquer indício da sua presença.
Será que você fugiu? Eu teria fugido se fosse você.
A luz estava acesa.
Cheguei na base da escada. Dali eu conseguia ver tudo e, vi você.
O que eu tinha ali, era um quarto vermelho muito bem decorado com uma cama de s************o no centro.
Você, quando eu olhei, estava deitada sobre a cama me olhando de volta com um sorriso, usando somente um livro na mão, como vestimenta.
_ Bem vindo ao lar!
_ Madu! _ gargalhei surpreso _ O que você está fazendo?
_ O que parece que eu estou fazendo?
_ Não posso.
_ Não entendi. Não pode f********o comigo?
_ Assim, não.
Entendeu o que eu disse e gargalhou _ Você é muito fofo, Daniel. Mas eu sou uma mulher e você é um homem. Você não pode ser fofo o tempo todo. Não acha?
_ Macho e fêmea, você quer dizer? _ conferi o seu corpo.
_ Isso.
Caminhei até a cama e peguei o seu tornozelo prendendo na algema presa ao pé da cama. Gostou disso, mas ficou surpresa. Tirei a minha camisa e, coloquei sobre o sofá vermelho ao pé da cama. Subi na cama, por sobre o seu corpo e te beijei sentido os seus lábios presos nos meus.
_ Ainda dá tempo de mudar de ideia, Madu _ ofereci
_ Vai fazer o que comigo?
_ O que eu quiser. Está enganada, eu não sou fofo.
Você sorriu gostando.
Algo, em mim, dizia para eu não seguir em frente, aquilo era um erro. Mas você mexeu com fogo. Puxei uma coleira elástica escondida entre o colchão e a cabeceira e coloquei no seu pescoço observando a sua reação. Ainda excitada. Desci da cama e terminei de me despir te olhando.
Ser vista naquela situação, fazia o seu peito se elevar com a respiração. Subi na cama e te penetrei com força. Você estava molhada. Gostava da situação. Chegou rápido ao orgasmo e eu continuei por mais um pouco, te levando a quase outro ápice e saí de você, te virando de costas.
Pareceu que você notou onde aquilo poderia chegar, finalmente. Lutou contra mim, mas você não pode comigo. Prendi o seu pulso em uma algema, para a sua surpresa e o outro em seguida. A coleira forçava o seu pescoço para baixo. Estava de quatro.
Beijei uma bochecha do seu traseiro chupando e masturbei você com os meus dedos. O polegar sobre o seu c******s, o dedo médio e o anelar dentro de você. Você gozou de novo.
Em pé, penetrei você dando continuidade ao orgasmo anterior. Fui veemente, impetuoso, exigente. A sua carne macia cedia a minha rigidez. Eu queria o meu prazer agora. Você não deve ter notado que eu não g**o tão fácil. Foram horas de um sexo intenso e muitos orgasmos seus.
Sei que não fui carinhoso. Não falei palavras bonitas. Não sei como você reagiria a isso. Hesitei em tirar as algemas dos seus pulsos e você deitou. Parecia exausta e um pouco séria. Retirei a coleira e depois a tornozeleira. Recolhi a minha roupa e saí do porão. Precisava de um banho.
Durante o banho, senti a sua mão subir pelo meu peito e depois o seu corpo quente encostando a minhas costas. Beijou o meio das minhas costas. Respirei alívio. Você ainda está aqui.