Reparei na tela do computador no balcão. Você viu que eu estava no perfil da Bella.
Droga! Pensei alto fechando o navegador.
Os meus sonhos continuavam. Eu estava vendo muitos furos no perfil da Bella. As poesias eram releituras de poesias que ela escreveu no passado, quando estávamos juntos. As fotografias pareciam montagens.
Ninguém que não a conhecesse como eu notaria, mas ela tinha uma pinta grande na coxa que não aparecia nas fotos. Suas legendas não eram escritas por ela. Só alguém que foi totalmente obcecado por aquela v***a egoísta, saberia que aquelas legendas era profundas demais. Mesmo sabendo rimar, ela não sabia sentir.
Você voltou rápido, deve ter ido no caixa eletrônico. Me viu no balcão e ficou claro que eu sabia que estava encrencado.
Te levei até a lanchonete perto da sua antiga casa depois de fechar a livraria. Pedi rosquinhas com recheios variados e capuccinos para comer lá. Você não estava sorrindo. Pisei na bola feio.
_ Ela é muito bonita _ lamentou.
_ Você é mais.
Gargalhou _ Não sou não.
_ Claro que é, Madu. A Bella é como uma boneca. Ela não tem sentimentos. E como uma Barbie repetindo frases feitas sem sentido nenhum.
_ Por que você estava espiando ela?
_ Eu não sei. Eu só queria que os sonhos parassem.
Você pareceu me entender, mas ficou em silêncio como se escondesse algo _ Eu também.
_ Aconteceu alguma coisa?
Você me olhou demoradamente decidindo se eu deveria saber, mas negou.
O que está acontecendo com a gente?
Você estava me ajudanfo a fazer o jantar. Os sonhos pareciam querer me dizer que a história estava se repetindo. Tirei a tigela da sua mão e deixei sobre a mesa. Te abracei apertado. Eu estava dolorido e você também. Mas você parecia saber mais do que eu.
_ Madu, você está me traindo?
_ Não, Daniel.
_ Aquelas marcas eram de palmadas, eu sei reconhecer os padrões. Sei até o grau de força que foi usado para ficar assim. Pode, por favor, me dizer a verdade?
_ Não posso.
Me afastei de você e te encarei percebendo a história se repetindo. Os sentimentos vieram a tona todos de uma vez e, comecei a chorar sem querer. Você também chorava.
_ Não podemos continuar assim, Madu _ doeu muito dizer isso, mais ainda porquê eu não acreditava no que dizia.
Eu saí de casa só voltei de manhã. Você não estava mais. A aliança estava sobre o balcão.
_ Daniel. Daniel. Maldição, Daniel! Me escuta seu i*****l!
A voz do Morris parecia distante, mas vi o seu rosto diante do meu. Olhei ao redor. Eu não estava em minha casa. Aquilo era a estufa de livros do Morris. Ele guardava as edições mais valiosas ali. Mas o mais importante de dizer sobre este lugar é que era uma cofre feito de vidro a prova de balas e, eu estava preso dentro dele.
_ Por que... Como... Quando você me prendeu aqui?
_ Você não se lembra?
_ Não, Morris. Eu estava com a Madu e...
_ A Madu saiu da livraria. A mãe está com câncer. Ela foi cuidar da mãe. Você está aqui faz quase vinte dias. Você é mesmo um fraco. Como pode ficar neste estado por causa de mulher. As vezes penso que não te ensinei nada _ resmungou.
Eu não lembrava de nada. Mas eu não dormi todo este tempo. Tinha uma garrafa de bebida no Interior da estufa e resto de comida em uma bandeja.
O Morris pediu a bandeja e, eu o entreguei pelo passador.
_ Por que eu estou preso? _ repeti pois, ainda não entendia.
_ Porque eu não vou deixar você machucar aquela adorável menina.
_ Quem? Por que eu machucaria alguém?
_ Oh, Daniel! _ balançou a mão como um sinal de basta e me deixou sozinho no seu porão.
Aquele velho nunca fazia nada sem um bom motivo. Se eu estava preso, merecia isso.
Procurei pelo celular no bolso do meu casaco. Fazia quinze graus dentro da estufa, sempre. Achei e liguei para a você. Como antes, eu ainda tinha dúvidas sobre o que disse para você.
Você me atendeu com uma voz triste que doeu no meu coração.
_ Madu, eu preciso te ver.
_ Onde você está?
_ No porão do Morris.
_ Sério! _ você desligou de repente.
Não entendi. Talvez a ligação tenha caído. Tentei ligar novamente, mas ouvi a porta do porão abrir e, escondi o celular.
Era você. Estranhou a estufa.
_ A chave está no prego na parede _ apontei.
Você pegou e abriu a porta. Te abracei muito grato, quando saí.
_ Estava de castigo? _ você brincou, mas seu tom ainda era triste.
_ Acho que sim. O que você está fazendo aqui?
_ Vim saber notícias sobre você. O Morris disse que não sabia de nada.
_ Onde ele está?
_ Foi na livraria.
_ Vamos sair daqui, rápido.
Lá fora, você destravou um carro e abriu a porta do motorista _ Vem comigo.
Obedeci e você deu partida _ Está com a mesma roupa de quando nós brigamos.
_ Parece que eu fiquei preso desde este dia _ olhei em seus olhos, que vontade de te beijar _ Acho que banquei o i****a.
_ Você é um i****a, Daniel.
_ Eu não queria... Eu te amo, Madu.
_ Eu também. Mas foi melhor assim. Muita coisa aconteceu...
_ Não foi. Madu, preciso de você.
_ Eu também preciso de você _ olhou nos meus olhos _ Vamos para a sua casa?
_ Sim.
Seguimos para a minha casa.
_ Depois eu te ligo _ disse quando chegamos.
_ Entra um pouco? _ insisti.
_ Se entrar não vou resistir a você e, nós precisamos conversar _ explicou séria.
_ Eu nunca quis isso, Madu.
Tocou o meu rosto como sempre fez _ Temos muita coisa para esclarecer, meu amor. Você vai entender que eu não te trairia nunca. Só toma um banho e, fica longe do seu pai _ brincou com um sorriso triste.
Desci do carro, vendo você partir.
Tranquei todas as portas e janelas. O Morris era um velho com problemas de locomoção, mas de algum modo ele me prendeu no seu porão. Eu fiquei com medo. Tomei um longo banho e, peguei o seu celular no forro do banheiro. Fazia meses que eu não te espionava pelo celular e nem te seguia.
Reparei em um novo aplicativo instalado. Parecia ser daqueles que se usa junto com uma câmera. Toquei nele e uma gama de telinhas apareceram no visor. Não consegui identificar o lugares toquei em umas das muitas telinhas que ampliou. Era o meu porão. Minha boca abriu em pura surpresa. Você colocou câmeras na minha casa!
Fui tocando nas telinhas e percebi que em alguns cômodos da minha casa havia mais do que uma câmera.
Estou sendo vigiado!
Por que você faria isso?
A curiosidade foi muito maior do que qualquer coisa. Os seus motivos poderiam estar nas filmagens feitas.