Relatório de Progresso – Babá Alice
Assunto: Os pequenos demônios, também conhecidos como Max e Olivia Blackwood
Data: dois dias após minha chegada
Situação:Caos absoluto
Anotações:
- Dia 1: Eles tentaram me assustar com uma buzina ensurdecedora no carro. Falha. Meu antigo chefe já gritou mais alto quando descobriu que eu troquei o açúcar pelo sal no café dele. Eles também jogaram Glitter no teto do meu quarto. Bonito, mas previsível. Já lidei com bebês que transformavam pomada de assadura em arte moderna.
- Dia 2: Olharam nos meus olhos e disseram “Nós vamos te quebrar”. Ah, crianças. O mundo ainda não mostrou o que é ser realmente quebrado.
Conclusão: Os pequenos demônios precisam de limites, sim. Mas também precisam de um pouco de afeto… o que é mais difícil de encontrar nesta casa do que um sorriso sincero no rosto de Ethan Blackwood. Ainda mais quando a mãe existe e não cuida dos filhos. Sobre o pai? Ouso a dizer que existe um. Sobre Ethan? Ele preza pela paz e os negócios. Crianças são seus segundos planos. Mas ele se esforça para não mandá-los para longe ou pro colégio militar.
Falando nele…
Alice fechou o caderno. Seus ombros pesavam sobre tudo que viu até aquele momento e precisava falar com talvez o único que pudesse ajudá-la com o mínimo. A noite havia caído e ela não havia visto o homem.
Desde o dia passado. Nem ela e nem as crianças. As crianças já estavam na cama, reforçando a energia para o próximo dia tentando se livrar da nova Babá.
Alice respirou fundo antes de entrar no escritório de Ethan antes que o dia terminasse.
Havia uma coisa que ela detestava mais do que crianças ricas e mimadas: adultos ricos e insuportáveis que achavam que podiam resolver tudo com dinheiro. E Ethan Blackwood era o rei supremo desse clã de arrogantes.
Ele estava sentado atrás da mesa gigantesca, impecavelmente vestido, com um laptop aberto e um telefone no ouvido. Provavelmente movendo milhões de dólares com a mesma emoção de quem pede uma pizza.
— Sim, corte os investimentos da filial de Hong Kong em 2,3% e redistribua para o setor de tecnologia emergente.
Alice revirou os olhos e se sentou em uma das cadeiras. Ela se lembrava desses termos. Um dia entrou no trabalho corporativo. Era desgastante.
Ethan levantou um olhar frio para ela, claramente irritado com a interrupção.
— Preciso desligar. — Ele encerrou a ligação e cruzou os dedos sobre a mesa. — O que foi agora? As crianças já não estão na cama?
Alice sorriu, o tipo de sorriso que deixava homens poderosos desconfortáveis.
— Vim falar sobre seus sobrinhos. Você sabe, aquelas duas criaturinhas que vivem na sua casa? Gosto de passar um relatório para os pais, no seu caso. Para o tio.
Ethan suspirou.
— O que eles fizeram agora? Não me diga que já desistiu.
Alice estreitou os olhos.
— Ah, então você já assume que foi algo r**m. Maravilhoso. Já estamos começando bem. Você sabe bem da capacidade deles.
Ethan franziu a testa.
— Eu tenho uma reunião em cinco minutos, Alice. Vá direto ao ponto. Já está tarde e você deve querer descansar.
Alice cruzou as pernas e estalou os dedos, deliberadamente não apressando nada. Tempo e criança andavam na mesma frase para ela.
— Seus sobrinhos são impossíveis. Eles precisam de limites. Precisam de presença. Precisam de um tio que faça algo além de pagar faturas e parecer emocionalmente indisponível em fotos de revistas de negócios.
O maxilar de Ethan ficou mais tenso.
— Eles têm tudo do bom e do melhor. Professores particulares, segurança, alimentação balanceada…
— Mas não têm um adulto que se importe de verdade!
— Eles não precisam disso.
— Oh, claro. Porque todo mundo sabe que crianças crescem maravilhosamente bem quando são tratadas como projetos financeiros ou o que sobrou de uma situação.
Ethan se inclinou para frente, o olhar afiado como uma lâmina.
Nenhuma das outras babás tiveram esse tipo de diálogo. Onde ela queria chegar?
— Você foi contratada para cuidar deles, Alice, não para questionar meu modo de vida.
Alice riu. Uma risada debochada, longa o suficiente para irritá-lo.
— E você acha que cuidar deles significa apenas impedir que botem fogo na casa? Porque, se for isso, parabéns, senhor Blackwood. Missão cumprida. Posso fazer isso o resto do mês ou do ano. Mas é depois?
Ele se recostou na cadeira, passando a mão pelo rosto como se estivesse lidando com a pessoa mais irritante do universo.
— O que você sugere, então? Que eu me sente no chão e brinque de casinha com eles? Passe a mão na cabeça deles. Eu sou o tio. Eu não sei como cuidar deles. Eles sabem disso.
Alice arregalou os olhos e colocou a mão no peito.
— Uau. Isso seria incrível! Mas eu estava pensando em algo mais simples, tipo… sei lá… perguntar como foi o dia deles sem parecer que está assinando um contrato? Você chegou na hora do jantar. Eles ficaram sozinhos em mesa de vinte lugares.
Ethan a encarou com um olhar gélido.
— Eu tenho uma empresa para administrar. Não posso parar tudo para brincar de ser tio perfeito. Eu estou fazendo o que posso. Outros no meu lugar mandariam eles para um colégio interno.
— Deus me livre que o grande Ethan Blackwood tenha cinco minutos para ouvir seus próprios sobrinhos. Que horror!
Ele cerrou os dentes.
— Você realmente gosta de me irritar, não é? Você está sendo ótima com eles, mas não sinta-se tão bem ao me enfrentar com seu tom.
Alice abriu um sorrisinho.
— Um dos meus hobbies favoritos e irritar os pais ou tutores das crianças, fazem eles pensarem fora do caixa. Ah claro, logo depois de domar crianças impossíveis e torturar CEOs emocionalmente bloqueados.
Ethan soltou um longo suspiro, como se estivesse tentando reunir toda a paciência que não tinha.
— Você quer um aumento pra não ir embora? É isso?
Alice gargalhou alto.
— Meu Deus, você realmente acha que dinheiro resolve tudo, né? Sabe, tem gente que resolve problemas com diálogo e empatia. Você já ouviu falar nisso ou sua fortuna bloqueia esse tipo de informação?
Ethan apertou a ponte do nariz, visivelmente frustrado.
— Você já terminou? Pensei que fosse apenas uma Babá. Não uma conselheira.
Alice se levantou, satisfeita por tê-lo irritado o suficiente para talvez, só talvez, fazê-lo pensar.
— Terminei, sim. Por agora. Mas se precisar de mais conselhos sobre como não ser um tio r**m, me avise. Eu adoro ajudar.
Quando ela se virou para sair, Ethan disse algo que a fez parar.
— Se acha que sabe tanto sobre educação infantil, boa sorte. Porque aqueles dois vão fazer da sua vida um inferno. Eu só preciso de alguém que cuide deles até minha irmã voltar.
Alice sorriu sem se virar.
— Talvez ela não volte e a responsabilidade de fazer um homem e uma mulher fique nas suas mãos. É para isso, deve começar agora.
Ela saiu do escritório, direto para seu quarto. Era hora de fazer uma pausa.
Amanhã era um grande dia.
E, Enquanto Isso, No Quartel-General Das Pequenas Ferinhas…
Max e Olivia espiavam do corredor, cochichando entre si.
— Eu dou uma semana antes de ela ir embora.— Max sussurrou.
Olivia balançou a cabeça.
— Não. Ela não vai desistir tão fácil. Mas o tio Ethan vai surtar antes disso. Ela não tem medo dele.
Os dois se entreolharam e sorriram com maldade infantil.
— Então é hora de acelerar o plano.
Eles saíram correndo, prontos para tornar a vida de Alice ainda mais divertida.
— Nos vemos amanhã, irmão.
Unidos, como irmão e como planejadores do caos.