Capítulo 5

1500 Palavras
Fazia meia hora que tudo aconteceu, meia hora que tinha tido um ataque de pânico, havia tomado um banho para limpar o sangue do meu corpo e fiz o possível para não ver o braço do Alex, o corte foi pequeno, mas era fundo, mamãe teve que dar pontos. Papai e Gabriel conseguiram me estabilizar em algum momento, e desde então estou perdida em pensamentos mórbidos, ainda era cedo, se eles quisessem ainda dava tempo de ir para o baile, era meio que uma comemoração pelo volta do Pedro e do Erick. Estávamos todos na sala e somente o Alex ainda estava na cozinha, mamãe estava terminando de limpar a ferida novamente na intenção de garantir que ele não iria infeccionar, ainda estava com os pensamentos presos nas falas dele e no quanto ele estava serio sobre a situação, era até irónico o quão realista a suas palavras foram, me feriram, sim, mas era a verdade nua e crua estampada em palavras que eu fingia não ouvir. Suspirei e tomei um gole do chá de camomila nas minhas mãos, ele deveria acalmar, mas eu não via resultado algum, era como tentar respirar em baixo da água. _ Bruna _ Ryan chamou se sentando ao meu lado no sofá, notei como estava com o rosto cansado e parecia tenso, talvez pela situação ou mais pelo que ele queria me falar _ Eu... eu acho que seria bom se você quisesse sair para espairecer, fazer uma viagem para ver novos lugares e tentar se reorganizar. _ Não quero ir embora _ A minha voz estava rouca dos gritos, a minha garganta está tão dolorida que incomoda falar, arde como o inferno quando tento pigarrear _ N-não quero ficar só, não quero sair de perto de vocês, não quero saber como é ficar sem ninguém comigo novamente. Então... eu não vou a lugar algum. _ Tudo bem querida, então... podemos tentar mudar algo _ Fernanda, minha mãe, parecia esta a beira das lágrimas e saber que o motivo sou eu, me dá uma agonia no peito, é doloroso _ Pode tentar fazer tratamento psicológico e se não der certo, podemos ir para algum lugar que va te fazer bem. Todos juntos. _ Não quero que deixem de viver por minha causa, eu vou ficar bem em só ter vocês aqui, não precisa fazer coisas desse tipo. _ Aí filha, mamãe sente muito, por não conseguir ver... _ As lágrimas dela rolaram até caírem nas minhas mãos, não conseguia mais chorar então lhe ofereci a caneca com o chá _ Desculpa... eu... isso é... _ Uma droga. Completei as suas palavras e ela apenas me olhou com carinho, não sei o que se passava na sua cabeça, mas no momento o que importava era que eles estavam aqui comigo, e só isso valia em mais. _ Ainda vamos ao baile? Não sei se o tio Pedro iria ficar feliz em não termos ido na sua festa de boas-vindas _ Falo ja me colocando de pé, não queria ficar em casa remoendo essas merdas então o melhor seria ir para o baile e encher a cara. _ Tem certeza que quer ir? Pode ficar em casa com um dos meninos ou então eu fico aqui com você. _ Não precisa mãe, eu to bem, só quero me distrair um pouco _ Digo me encaminhando para a escada, ainda preciso procurar roupa e dá um jeito na minha cara. _ Não vou demorar a ficar pronta. Distração, era disso que eu precisava no momento, algo que iria prender a minha atenção o suficiente para não me lembrar desse ocorrido. Como ja estava de banho tomado eu só fui em busca de um vestido bonito o suficiente para hoje, e o achei, era vermelho com as costas nuas e tinha uma corrente prata como alça, tinha um pouco de gliter nele também e não possuía decote, tinha um corte reto na área dos s***s e descia colando na minha cintura e soltando um pouco no quadril. Era lindo, nos pés eu coloquei um salto grosso prateado com uma pequena corrente pendurada no tornozelo, não quis fazer nada elaborado no rosto então eu cobri somente as minhas olheiras e pus um delineado puxado, passei blush nas bochechas e um batom marron tão suave que quase não havia pigmento e para finalizar coloquei uma leve camada de gloss e um pouco de rímel nos cílios. [...] Não demoramos a chegar na área que estava acontecendo o baile e logo na entrada eu pude ver onde as meninas estavam, até porque ainda estava cedo, tinha acabado de dar 23 horas. Então tinha poucas pessoas ainda, não estava vazio nem nada, mas não tinta tanta gente ao ponto de não conseguir ver nada a minha frente, caminhei até elas e logo fui abraçada por Juliana e Sabrina, as gémeas estavam no camarote com Erick, tio Pedro não estava em lugar algum e o vovô também não. Estranhei isso por um momento mais deixei de lado, não estava afim de me preocupar com isso hoje, não quando ja tinha feito isso. _ Achei que não vinha mais, demorou tanto e ainda nem respondeu às mensagens da gente _ Juliana reclamava mas ja estava me arrastando para o bar _ Toma, isso vai te animar. _ Espero que essa bebida faça o seu trabalho então _ Rimos e eu virei o copo, eu não tinha comido nada hoje, mas não tinha problema, com a barriga vazia eu ficaria bêbada mais rápido _ Hoje eu só quero curtir e esquecer tudo. _ Assim que se fala amiga _ Sabrina falou ja bebendo um shot de uma vez _ Encher a cara e não pensar em nada, melhor decisão. Rimos e então fomos dançar, aproveitar enquanto a pista não ta lotada, Sophia e Sophie vieram até nós com Guilherme e Gustavo. Lorenzo não estava aqui ainda, não sabia se ele iria vir também, desde a conversa com o meu pai e o Biel eu não recebi uma mensagem dele, não sabia o que esperar então eu também não o mandei nada, não sei se foi a melhor coisa a se fazer, mas o que está feito, ta feito. Dancei até não aguentar mais, os meus pés estavam pedindo descanso, mas minha mente ainda estava barulhenta, não queria da voz para os meus pensamentos então me forcei a continuar, shot atrás de shot eu ja me via quase perdendo a noção do meu redor. Não estava pensando em mais nada, o álcool estava confundindo a minha mente ao ponto de não conseguir enchegar direito, talvez eu devesse parar de beber por um momento. _ Vou pegar água, alguém quer? _ como ninguém me respondeu eu fui até o bar pegar uma garrafa de água natural, nã iria beber ela toda, pois ja sentia o enjoo subir pela minha garganta, isso que da beber de estômago vazio. No meio do caminho eu tombei com alguém alto e musculoso, se não me falha a memória ele estava sentado com o meu avô alguns minutos atrás, logo quando ele e o tio Pedro decidiram dar as caras, não me desculpei porque foi ele que trombou em mim primeiro, então eu esperei pela sua resposta, esta que não veio. Ele passou reto se encaminhando até a saída do local, não parou em momento algum, até que se virou na minha direção. Vejo um homem alto loiro, olhos verdes escuros, rosto severo e nariz pontudo, um ótimo físico corporal, usava uma calça jeans escura e uma regata preta, ele tinha algumas tatuagens pelo braço, mas no meio de tantas uma em especial me chamou atenção. Já vi ela em algum lugar, mas onde? Onde vi aquela tatuagem, não tinha certeza do formato, pois o relógio no seu pulso atrapalhava a vista. Aqueles olhos, eram os mesmos olhos que me viram agonizar naquela mata, aqueles olhos frios e sem vida. A minha respiração engatou quando os seus olhos encontraram os meus, João Henrique ou JH, o que diabos ele esta fazendo aqui? Por que voltou para esse lugar depois de tanto tempo? O irmão do homem que destruiu a minha vida esta apenas a alguns metros de distância e eu não sei o que fazer, o medo consome os meus pensamentos e tudo fica pior quando a sua boca dá um leve sorriso de escárnio para mim, quase impercetível, mas esta la. Braços passaram pelo meu pescoço e então a minha vista se afastou do JH, foi só um momento, mas foi o suficiente para ele sumir das minhas vistas, respirei fundo e tentei esquecer o que vi, a minha mente deve estar me pregando peças. _ Bruna? _ Oi Lorenzo, chegou tarde _ Digo passando os meus braços pela sua cintura definida _ Vamos nos divertir um pouco? To meia alta, mas ainda consigo beijar alguém, se quiser. _ Alta? Você ta completamente bêbada, vem comigo _ O segui até o bar _ Tem que beber água e comer algo, ok?
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