Leah
Concentro a minha atenção na janela do avião e permaneço rígida no assento para evitar a vontade de olhá-lo. Ele não me disse para onde está me levando, e admito facilmente que sinto um pouco de medo misturado à ansiedade.
O Di*abo é um homem tão imprevisível que até eu, que passo pela vida sem me importar com nada, às vezes temo o rumo que as coisas podem tomar dependendo do destino que ele escolher para mim. Sou sua prisioneira, ele é meu carrasco e sou forçada a segui-lo como uma marionete.
Mas isso está prestes a mudar. Reflito com uma voz malévola na minha cabeça, da qual não faço ideia de onde veio, mas a agarrei com unhas e dentes. Se eu quiser sobreviver a esse cativeiro, preciso começar a usar as mesmas armas que o americano.
As últimas vezes com ele não foram nada além de uma montanha-russa de emoções e reações primitivas.
Ainda me lembro de como ele agiu com aquele homem que me ajudou no clube. Seis horas se passaram desde então, e o seu comportamento ainda me parece um mistério. Foi tão inesperado quanto excessivo, se eu pensar bem.
Eu sei que ele não me ama. Eu não sou dele de jeito nenhum, e ele não me possui... Então por que ele agiu assim?
Eu sei que ele gosta de mim. Na verdade, ele está decidido a me enlouquecer com aquele magnetismo se*xual que exala, mas será que essa atração é tão forte a ponto de ele reagir de forma tão visceral? Por que sinto nele a necessidade de exercer tamanho domínio sobre mim?
Eu ainda não sei qual é o seu objetivo final, mas ele vai cair de cara no chão porque dois podem jogar esse jogo. Se ele quiser me descontrolar e me seduzir, eu vou possuí-lo de todas as maneiras e entrar tão fundo na sua pele que, eventualmente, eu o farei comer na minha mão. Os meus flertes e aventuras nunca chegaram a esse nível, mas tenho certeza de que, se eu me dedicar, posso conseguir, e então talvez eu consiga sair deste infe*rno.
O piloto anuncia que estamos prestes a pousar e se aproxima para verificar o cinto de segurança. Claro, ele não perde a oportunidade de bater no meu rosto com o seu hálito, despertando o desejo que queima a minha pele.
Na verdade, não tenho ideia de como chegamos a esse ponto. Eu o odeio, tenho medo dele e... ao mesmo tempo, não consigo parar de pensar nos beijos que compartilhamos, imaginando-nos nus numa cama, debaixo do chuveiro ou simplesmente encurralados contra uma parede.
Eu sou louca, tão louca! E se eu não mantiver a cabeça fria, recuperarei a minha liberdade apenas para ser trancada novamente num hospício.
O meu intestino se agita inquieto dentro do meu corpo como se estivessem no meio de um banquete, mas por fora, eu me controlo, permanecendo estática.
— Pronto. O sussurro rouco no meu ouvido soa como um choque elétrico, e eu luto com todas as minhas forças para não tremer.
— Você não vai me dizer para onde estamos indo? Tento dispensá-lo com uma pergunta banal, enquanto forço a minha mente a imaginar peixinhos dourados.
— Você está a dois minutos de descobrir por si mesmo. Ele responde, retornando ao seu lugar. — Gostaria de uma bebida?
— Por que você está sendo tão gentil? Estreito os olhos para ele. — Você não queria me matar?
— A sua hora ainda não chegou, garotinha. Ele termina a sua provocação. E só porque ele está sorrindo não significa que a sua fúria tenha diminuído.
O que você está planejando, Frost? Não sei por quê, mas este homem me assusta mais quando está com uma cara alegre do que quando a sua pele fica vermelha de raiva.
Eu escondo o rosto com a mão e permaneço em silêncio, mesmo depois de pousarmos.
Ansiosa, ainda lutando contra os tremores, entro no veículo com tração nas quatro rodas na pista e mantenho os olhos na janela enquanto entramos na rodovia.
Logo nos encontramos no meio de ruas bastante movimentadas, então presumo que estejamos numa cidade grande. No entanto, eu não esperava cruzar o continente novamente ou encontrar uma das sete maravilhas do mundo.
A Torre Eiffel surge diante dos meus olhos em todo o seu esplendor, me dando um tapa forte na cara.
A po*rra da Torre Eiffel!
— O que estamos fazendo em Paris? Pergunto, boquiaberta.
— Eu gosto da paisagem. Ele responde, me forçando a fazer contato direto com os seus olhos dia(bólicos. — Você vai trabalhar.
— Você viajou o mundo para me fazer dançar? Levanto as duas sobrancelhas, cética.
— Quem disse que você ia dançar? Ele estala a língua repetidamente em desaprovação. — Não, pequena. É hora de usar as suas melhores habilidades.
— O que isso significa? Engulo em seco, porque, pelo que ele me deu a entender, ele acha que a minha melhor habilidade é flertar.
E se ele me trouxesse para um bordel para me prostituir?
O carro para em frente a uma mansão que parece uma espécie de teatro e, quase imediatamente, ele sai e me incentiva a fazer o mesmo.
Deixo-me levar para dentro do estabelecimento sem outra opção. Já que ele prende o meu braço nas suas mãos fortes. E, à medida que avançamos, somos interceptados por pessoas correndo de um lado para o outro enquanto outras gritam.
Um nó se instala no meu abdômen inferior, causando a maior tensão, enquanto o meu coração começa a bater forte nas têmporas, sentindo como se pudesse saltar pela boca a qualquer momento.
Já testemunhei esse caos antes. Na verdade, eu adorava.
Não. Fecho os olhos e começo a balançar a cabeça incessantemente, recusando-me a aceitar o que o meu cérebro está deduzindo.
Estou só imaginando coisas. Ele me drogou de novo, só isso.
No entanto, assim que abro os olhos novamente, a grande passarela me encara com o golpe mais devastador. Não sei como faço isso, mas consigo me libertar das garras do Dia*bo e começo a andar para trás como se tivesse acabado de ver um fantasma.
E eu consegui.
Quase consigo ver a Leah do passado caminhando e apreciando os aplausos da plateia. E então, a vejo cair, assombrada por um passado que ela nunca pediu para ter.
Não, não, não.
— Você gostou? O filho da pu*ta se diverte com a minha expressão horrorizada. — Tudo foi preparado para que você possa brilhar como a estrela da noite.
— Por que você me trouxe aqui? Pergunto, cada parte do meu corpo tremendo com espasmos dolorosos.
— É óbvio, não é? É hora de ser a Princesa da Passarela novamente.
— Você está louco se acha que eu vou chegar lá em cima. Ofego, com a respiração ofegante.
— Ah, você vai conseguir. Ele garante, com uma postura ameaçadora. — E vai brilhar como só você sabe. Eu disse que íamos matar alguns dem*ônios hoje, pequena.
Essa não. Uma lágrima escapa dos meus olhos, e as demais logo a seguem. Voltar ao mundo da moda é o maior e mais sombrio dos meus dem*ônios. — Não! Eu me recuso!
— É melhor você começar a se acostumar, Leah. Ele me segura pelos ombros. — Porque hoje você vai desfilar na passarela diante de milhares de pessoas e dezenas de câmeras, mesmo que eu mesmo tenha que te empurrar.
— Então me mate. Agarro-me a ele, sentindo uma fraqueza repentina. Nem ameaças, nem confinamento, nem mesmo ter uma arma apontada para a minha cabeça me aterrorizam mais do que isso.
— Você sabe que isso não vai acontecer. Você e eu ainda temos muitas coisas para viver juntos, minha pequena atrevida.
— Por que você está fazendo isso comigo? Soluço num sussurro.
— Dói? Ele pergunta, mesmo sabendo a resposta. — Te tortura? Bem, você sabe como é. Ele se afasta bruscamente de mim e, antes que eu possa impedi-lo, caio no chão, chorando baixinho. Apesar da minha visão estar turva pelas lágrimas, consigo distinguir a sua figura enquanto ele se agacha na altura dos meus olhos. — Agora você vai pensar duas vezes antes de flertar ou deixar alguém te tocar. Prepare-se, Leah Falco, porque hoje você vai enfrentar os seus dem*ônios, e se não os matar, pode ter certeza de que eles vão te matar.