Leah
Não consigo evitar. Sinto o pânico se espalhando pelo meu corpo. Quase posso jurar que o seu avanço dói sob a minha pele. Estou apavorada de pisar numa passarela novamente.
É uma fase da minha vida que já estava trancada, e agora esse m*aldito d***o pretende descobri-la como Pandora.
Olho o meu reflexo no espelho e acaricio o tecido do meu vestido, sentindo os meus dedos tremerem na pele.
— Eu não consigo fazer isso.
Oh, Deus! Estou tremendo como se estivesse no meio do Polo Norte.
Ele ainda está lá, atrás de mim, com uma postura ameaçadora, o que indica que não vou conseguir escapar disso.
Se o Dia*bo queria que eu o temesse, conseguiu.
— Cinco minutos. Anunciam da porta, aumentando a onda de arrepios.
— O que posso fazer para que você me deixe sair daqui sem desfilar? Pergunto, engolindo em seco, pronta para qualquer coisa.
— Vamos ver. Ele se aproxima lentamente, pressionando o peito contra as minhas costas. As suas mãos percorrem os meus braços, meus ombros, meu pescoço e a pele restante que o tecido não cobre. Não estou mais tremendo. É impossível tremer quando se está cercada por um fogo ardente como o que este homem emite. — Não, não há nada que você possa me dar para sair dessa, pequena.
— Por favor...
Não acredito que estou implorando de olhos fechados enquanto me deixo envolver pelas chamas. No entanto, não posso recuar. Esta é minha última cartada e, se eu não a jogar, estou perdida.
— Bem. A sua respiração acaricia o meu ouvido, enviando choques elétricos pela minha corrente sanguínea. — Talvez haja algo que você possa fazer...
— O quê? Insisto para que ele continue, ansiosa e repentinamente tomada por uma sede tremenda.
— Uma confissão. Ele diz baixinho, depois me vira e encara os seus olhos, brilhantes como as mesmas chamas que nos consomem neste exato momento. — Por que você parou de ser modelo, Leah?
O feitiço se quebra instantaneamente e eu me afasto.
— Não, isso não.
Embora... eu pudesse mentir para ele.
Ele descobriria. Retruca a voz na minha cabeça que nunca dorme.
— Você é um filho da pu*ta. Mais uma vez, me encontro à beira das lágrimas.
— Não é tão difícil, querida. Viro o rosto quando ele tenta me tocar, mas ele agarra o meu queixo para me forçar a encará-lo. — Só vá lá e faça o que você faz de melhor: deslumbrar.
— Você não tem ideia do que está me pedindo.
— Eu não me importo. Ele retruca. — Onde está a arrogante Leah? A descarada que tenta o Di*abo sempre que pode? O seu polegar toca o meu lábio inferior enquanto ele aproxima o rosto do meu. — Para onde foi a mulher que desafia o homem que poderia acabar com a vida dela neste exato momento?
— Não...
Os meus protestos são abafados por sua boca e, sem planejar, me vejo retribuindo o beijo.
Preciso deixá-lo ir. Chegará um momento em que terei que ir além de um apalpamento acalorado se quiser seduzi-lo. No entanto, é uma tarefa que consigo realizar facilmente, porque, no fundo, me sinto atraída por ele.
A maneira como ele me trata me confunde.
Às vezes, ele parece m*al-humorado e retraído, mas, em outras, se torna terno e apaixonado... exatamente como agora.
Não sei se ele sente o mesmo que eu, travando uma batalha interna sem fim para me distanciar daquilo que me faz sentir m*al. O fato é que, enquanto ambos decidimos o que dia*bos há de errado conosco... a tensão cresce entre nós e domina as nossas mentes, corpos e almas.
Somos dois reféns do desejo. Esse é o verdadeiro carrasco desta história.
— Está na hora, pequena. Ele sussurra assim que se afasta, e quase instantaneamente a luta começa.
— Eu não vou sair por aquela porta! Grito histericamente. — Nem morta! Está me ouvindo?
— Para ser sincero, estou gostando desse seu lado briguento, Leah Falco. Ele zomba na minha cara. — Pena que você não tem escolha.
— Não! Me solta! O caos me cerca enquanto continuo a reclamar. — Não me toquem! Digo aos caras da equipe de trabalho.
No entanto, toda a minha resistência é em vão. Eles têm que ajustar a minha aparência da maneira mais difícil, e pelo menos sou grata que a máscara que colocam no meu rosto esconda as minhas lágrimas... e os meus medos.
— Não importa o quão agonizante seja o infe*rno, pequena. Murmura o mestre de todos os meus pesadelos no meu ouvido enquanto envolve o braço em volta do meu pescoço. — Garanto que o fim será muito pior. Agora vá lá e me dê uma olhada. Talvez assim você possa tornar o castigo menos doloroso da próxima vez.
— Eu te odeio. A raiva me domina ao mesmo tempo que o pânico. — Eu te odeio com todas as minhas forças, Dean Frost.
— Não mais do que eu, Leah Falco. Diz ele antes de me empurrar em direção à saída.
A realidade me atinge instantaneamente, forçando-me a encarar a cena da qual tenho fugido por mais de sete anos.
As câmeras me cegam, as luzes me deixam tonta e as batidas frenéticas do meu coração me deixam enjoada.
Não sei o que estou fazendo. Estou com frio, sinto que estou morrendo e ofego, lutando com todas as minhas forças para respirar.
A longa passarela se estende diante dos meus olhos como um barco rumo à morte certa e devastadora.
Estou paralisada... até que, de repente, os meus pés se movem sozinhos.
Ando, me exibo, acho que estou até posando entre as voltas. Me movo de um lado para o outro, mas não tenho consciência do que estou fazendo. É como se eu estivesse em meio a uma espécie de transe, puxada por uma corrente invisível.
São muitas emoções conflitantes, muita pressão e... muito medo para me expor a isso sem um colete à prova de balas ou quaisquer precauções de segurança.
É assim que me sinto: exposta, com dor, sobrecarregada... A atração principal de uma feira de circo.
O bom dos espetáculos é que eles sempre chegam ao fim, e como sou eu quem encerra o espetáculo, tudo o que preciso fazer é refazer os meus passos.
Aplausos enchem os meus ouvidos, enviando a minha mente de volta ao passado, àqueles sonhos frustrados que eu jamais conseguiria superar.
M*al consigo perceber alguém me empurrando por trás para me fazer andar, e se não fosse por essa mesma pessoa, eu teria caído de cara no chão, tropeçando nos meus próprios pés.
As pessoas conversam ao meu redor, os estilistas sorriem para mim, e naquele exato momento lembro-me de que nem sei para qual marca desfilei.
Meu Deus! Eu desfilei!
Eu consegui. Não sei como, mas acabei de entrar na passarela.
Não consigo explicar como me sinto, e nem tenho tempo para refletir sobre isso, porque os meus lábios nublam a minha mente depois de sentir um forte puxão na minha mão.
As minhas costas batem na parede dura e eu contenho um gemido nos seus lábios. O fogo se acende na parte inferior da minha barriga, queimando todos os órgãos do meu corpo no seu caminho, fazendo o meu sangue ferver e liberando o desejo mais avassalador e ardente que já senti.
Eu o quero, aqui e agora. Anseio não apenas por seus beijos ou as suas mãos, mas por cada parte dele. Quero me fundir com ele, tê-lo dentro de mim, absorvê-lo completamente até deixá-lo louco, até tê-lo comendo na minha mão.
Eu quero possuir o D*iabo... e vou fazer isso. Ele pensa que está me seduzindo, sem saber que o oposto é verdadeiro.
Serei sua refém, mas ele se tornará meu escravo.
Então o seu telefone toca e a magia se quebra.
Eu procuro desesperadamente na tela do seu celular e vejo o meu nome em letras maiúsculas. Alguém mandou uma mensagem para ele falando sobre mim.
Eu o empurro, pegando-o de surpresa, e me jogo para pegar o aparelho. Quando ele sequer reage, eu já li a mensagem.
— Precisamos conversar sobre Leah Falco. Entregue-a para mim, e eu lhe darei o que você quer de mim.