Episódio 16

1376 Palavras
Leah Não consigo evitar. Sinto o pânico se espalhando pelo meu corpo. Quase posso jurar que o seu avanço dói sob a minha pele. Estou apavorada de pisar numa passarela novamente. É uma fase da minha vida que já estava trancada, e agora esse m*aldito d***o pretende descobri-la como Pandora. Olho o meu reflexo no espelho e acaricio o tecido do meu vestido, sentindo os meus dedos tremerem na pele. — Eu não consigo fazer isso. Oh, Deus! Estou tremendo como se estivesse no meio do Polo Norte. Ele ainda está lá, atrás de mim, com uma postura ameaçadora, o que indica que não vou conseguir escapar disso. Se o Dia*bo queria que eu o temesse, conseguiu. — Cinco minutos. Anunciam da porta, aumentando a onda de arrepios. — O que posso fazer para que você me deixe sair daqui sem desfilar? Pergunto, engolindo em seco, pronta para qualquer coisa. — Vamos ver. Ele se aproxima lentamente, pressionando o peito contra as minhas costas. As suas mãos percorrem os meus braços, meus ombros, meu pescoço e a pele restante que o tecido não cobre. Não estou mais tremendo. É impossível tremer quando se está cercada por um fogo ardente como o que este homem emite. — Não, não há nada que você possa me dar para sair dessa, pequena. — Por favor... Não acredito que estou implorando de olhos fechados enquanto me deixo envolver pelas chamas. No entanto, não posso recuar. Esta é minha última cartada e, se eu não a jogar, estou perdida. — Bem. A sua respiração acaricia o meu ouvido, enviando choques elétricos pela minha corrente sanguínea. — Talvez haja algo que você possa fazer... — O quê? Insisto para que ele continue, ansiosa e repentinamente tomada por uma sede tremenda. — Uma confissão. Ele diz baixinho, depois me vira e encara os seus olhos, brilhantes como as mesmas chamas que nos consomem neste exato momento. — Por que você parou de ser modelo, Leah? O feitiço se quebra instantaneamente e eu me afasto. — Não, isso não. Embora... eu pudesse mentir para ele. Ele descobriria. Retruca a voz na minha cabeça que nunca dorme. — Você é um filho da pu*ta. Mais uma vez, me encontro à beira das lágrimas. — Não é tão difícil, querida. Viro o rosto quando ele tenta me tocar, mas ele agarra o meu queixo para me forçar a encará-lo. — Só vá lá e faça o que você faz de melhor: deslumbrar. — Você não tem ideia do que está me pedindo. — Eu não me importo. Ele retruca. — Onde está a arrogante Leah? A descarada que tenta o Di*abo sempre que pode? O seu polegar toca o meu lábio inferior enquanto ele aproxima o rosto do meu. — Para onde foi a mulher que desafia o homem que poderia acabar com a vida dela neste exato momento? — Não... Os meus protestos são abafados por sua boca e, sem planejar, me vejo retribuindo o beijo. Preciso deixá-lo ir. Chegará um momento em que terei que ir além de um apalpamento acalorado se quiser seduzi-lo. No entanto, é uma tarefa que consigo realizar facilmente, porque, no fundo, me sinto atraída por ele. A maneira como ele me trata me confunde. Às vezes, ele parece m*al-humorado e retraído, mas, em outras, se torna terno e apaixonado... exatamente como agora. Não sei se ele sente o mesmo que eu, travando uma batalha interna sem fim para me distanciar daquilo que me faz sentir m*al. O fato é que, enquanto ambos decidimos o que dia*bos há de errado conosco... a tensão cresce entre nós e domina as nossas mentes, corpos e almas. Somos dois reféns do desejo. Esse é o verdadeiro carrasco desta história. — Está na hora, pequena. Ele sussurra assim que se afasta, e quase instantaneamente a luta começa. — Eu não vou sair por aquela porta! Grito histericamente. — Nem morta! Está me ouvindo? — Para ser sincero, estou gostando desse seu lado briguento, Leah Falco. Ele zomba na minha cara. — Pena que você não tem escolha. — Não! Me solta! O caos me cerca enquanto continuo a reclamar. — Não me toquem! Digo aos caras da equipe de trabalho. No entanto, toda a minha resistência é em vão. Eles têm que ajustar a minha aparência da maneira mais difícil, e pelo menos sou grata que a máscara que colocam no meu rosto esconda as minhas lágrimas... e os meus medos. — Não importa o quão agonizante seja o infe*rno, pequena. Murmura o mestre de todos os meus pesadelos no meu ouvido enquanto envolve o braço em volta do meu pescoço. — Garanto que o fim será muito pior. Agora vá lá e me dê uma olhada. Talvez assim você possa tornar o castigo menos doloroso da próxima vez. — Eu te odeio. A raiva me domina ao mesmo tempo que o pânico. — Eu te odeio com todas as minhas forças, Dean Frost. — Não mais do que eu, Leah Falco. Diz ele antes de me empurrar em direção à saída. A realidade me atinge instantaneamente, forçando-me a encarar a cena da qual tenho fugido por mais de sete anos. As câmeras me cegam, as luzes me deixam tonta e as batidas frenéticas do meu coração me deixam enjoada. Não sei o que estou fazendo. Estou com frio, sinto que estou morrendo e ofego, lutando com todas as minhas forças para respirar. A longa passarela se estende diante dos meus olhos como um barco rumo à morte certa e devastadora. Estou paralisada... até que, de repente, os meus pés se movem sozinhos. Ando, ​​me exibo, acho que estou até posando entre as voltas. Me movo de um lado para o outro, mas não tenho consciência do que estou fazendo. É como se eu estivesse em meio a uma espécie de transe, puxada por uma corrente invisível. São muitas emoções conflitantes, muita pressão e... muito medo para me expor a isso sem um colete à prova de balas ou quaisquer precauções de segurança. É assim que me sinto: exposta, com dor, sobrecarregada... A atração principal de uma feira de circo. O bom dos espetáculos é que eles sempre chegam ao fim, e como sou eu quem encerra o espetáculo, tudo o que preciso fazer é refazer os meus passos. Aplausos enchem os meus ouvidos, enviando a minha mente de volta ao passado, àqueles sonhos frustrados que eu jamais conseguiria superar. M*al consigo perceber alguém me empurrando por trás para me fazer andar, e se não fosse por essa mesma pessoa, eu teria caído de cara no chão, tropeçando nos meus próprios pés. As pessoas conversam ao meu redor, os estilistas sorriem para mim, e naquele exato momento lembro-me de que nem sei para qual marca desfilei. Meu Deus! Eu desfilei! Eu consegui. Não sei como, mas acabei de entrar na passarela. Não consigo explicar como me sinto, e nem tenho tempo para refletir sobre isso, porque os meus lábios nublam a minha mente depois de sentir um forte puxão na minha mão. As minhas costas batem na parede dura e eu contenho um gemido nos seus lábios. O fogo se acende na parte inferior da minha barriga, queimando todos os órgãos do meu corpo no seu caminho, fazendo o meu sangue ferver e liberando o desejo mais avassalador e ardente que já senti. Eu o quero, aqui e agora. Anseio não apenas por seus beijos ou as suas mãos, mas por cada parte dele. Quero me fundir com ele, tê-lo dentro de mim, absorvê-lo completamente até deixá-lo louco, até tê-lo comendo na minha mão. Eu quero possuir o D*iabo... e vou fazer isso. Ele pensa que está me seduzindo, sem saber que o oposto é verdadeiro. Serei sua refém, mas ele se tornará meu escravo. Então o seu telefone toca e a magia se quebra. Eu procuro desesperadamente na tela do seu celular e vejo o meu nome em letras maiúsculas. Alguém mandou uma mensagem para ele falando sobre mim. Eu o empurro, pegando-o de surpresa, e me jogo para pegar o aparelho. Quando ele sequer reage, eu já li a mensagem. — Precisamos conversar sobre Leah Falco. Entregue-a para mim, e eu lhe darei o que você quer de mim. ‍
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