Coisas ruins não são o pior que pode nos acontecer, o que de pior pode nos acontecer é NADA.
Uma vida fácil nada nos ensina. No fim, é o que aprendemos, o que importa: o que aprendemos e como nos desenvolvemos.
Traçamos nossas vidas pelo poder de nossas escolhas. Quando nossas escolhas são feitas passivamente, quando não somos nós mesmos que traçamos nossas vidas, nos sentimos frustrados.
Uma pequena mudança hoje pode acarretar-nos um amanhã profundamente diferente. São grandes as recompensas para aqueles que têm a coragem de mudar, mas essas recompensas acham-se ocultas pelo tempo.
Geramos nossos próprios meios. Obtemos exatamente aquilo pelo que lutamos. Somos responsáveis pela vida que nós próprios criamos. Quem terá a culpa, a quem cabe o louvor, senão a nós mesmos? Quem pode mudar nossas vidas, a qualquer tempo, senão nós mesmos?
Odiava confiar nas pessoas e depois perceber que eram as pessoas erradas para se confiar. Odiava não conseguir dizer sempre tudo o que eu precisava e queria. Odiava quando mentiam pra mim e odiava ter que mentir. Odiava pensar mais nos outros do que em mim porque eu odiava fazer as pessoas sofrerem principalmente quando são as que menos merecem sofrer.
Odiava ser preguiçoso, odiava fazer tudo por uma pessoa e depois ver que ela não deu valor a nada daquilo que fiz. Odiava descontar minha raiva em quem não tinha culpa. Odiava quando alguém falava que vai me ligar e não liga. Odiava promessas que não eram
cumpridas. Odiava me decepcionar com as pessoas e odiava ainda mais quando decepcionava alguém. Odiava não ter o conselho certo na hora certa.
Odiava não ter todas as respostas, odiava amar e não ser correspondido e odiava não poder corresponder alguém. Odiava não conseguir dizer não, odiava não fazer tudo o que queria na hora que queria por medo por que eu odiava ter medo. Odiava assistir um filme bonito e depois parar pra pensar que a vida não é bonita como nos filmes. Odiava conhecer pessoas ruins, odiava brincadeiras sem graças e odiava não conseguir mudar o que não gostava em mim, odiava querer mudar os outros.
Odiava me sentir sozinho, odiava ver falsidade nas pessoas. Odiava ver as coisas erradas e não poder fazer nada para consertá-las. Odiava ser enganado, odiava me afastar das pessoas que eu amava e odiava não conseguir me controlar às vezes. Odiava sonhar e ver esses sonhos acabarem tão rápido. Odiava achar todos os dias que eu nunca vou amar e ser amado na mesma medida e odiava saber que não existe a pessoa perfeita.
Odiava não me achar capaz,
Odiava ser egoísta às vezes e odiava ter ciúmes, odiava fingir que não o tenho. Odiava saber que as coisas não podem ser como a gente sempre quis saber que, pessoas não podem ser como queremos, saber que nada nem ninguém é perfeito e que principalmente eu estou longe disso. Odiava assumir um erro e não conseguir consertar. Odiava não poder voltar atrás em decisões erradas. Odiava me sentir incapaz de enfrentar problemas, odiava me sentir dependente. Odiava pensar mais no futuro e não viver o presente como deveria ser.
Odiava ter que levantar quando na verdade eu quero passar o dia inteiro deitado. Odiava me sentir frágil. Odiava quando precisava ser grosso com alguém, Odiava ser iludido, odiava parar pra pensar como minha vida seria agora se eu tivesse tomado outras decisões e achar que o outro caminho teria sido melhor. Odiava ser ignorado por quem me deu a vida. Odiava esperar, odiava chorar porque odiava ficar triste. Odiava quando não me davam valor. Odiava quando me julgavam sem me conhecer e odiava às vezes julgar as pessoas, então tentei me conhecer antes que eu tentasse fazer o mesmo. Mas o que eu mais odiava é não conseguir odiar quem merece e, além disso, amá-la como ela não merece.
Odeio a vida, odeio quem pensa que viver é ser feliz.
Sinto ódio porque sei o que é viver, sinto pena pelas pessoas que pensam que são felizes, mas a verdade é que ninguém sabe o verdadeiro significado de ser feliz, talvez seja amar ou ser amado, mas a verdade é que amar sempre será o motivo do sofrer. Basta pensar quantas vezes já sofreu por amor, quantas vezes já pensou em sumir, em morrer, em dar um ponto final no sofrimento em sua vida.
Desejo de morrer todos nós já sentimos, todos já desejaram, mas o que faltou sempre foi a coragem de tornar isso possível.
Muitas pessoas falam que querem morrer, muitas realmente já morreram por dentro, se tornando frias, sem sentimentos, sem amor.
É inútil tentar ser feliz porque a felicidade é passageira, a felicidade não existe, é algo que não se ganha, não se compra, não se tem e não se conquista.
O que é ser feliz de verdade? O que é amar alguém? E porque o amor sempre termina? Por que tudo é passageiro? Porque todos os dias sinto o desejo de encontrar algo que não existe, algo que me faça feliz.
E para estar onde estou hoje, me tornar o que me tornei hoje, tive que passar por muitas coisas. Coisas que me fizeram entender que as pessoas não valem a pena.
Aquela que me colocou no mundo me torturou quase toda a minha infância, nunca conheci meu pai. Com 5 anos de idade eu tive que aguentar quando o namorado dela me batia, tive que aguentar quando ele me fazia de cinzeiro e apagava o cigarro na minha pele. Tive que ver eles se drogando em casa e me obrigando a ver eles transando na minha frente.
Com 7 anos eu era obrigado a cozinhar e deixar a casa limpa, enquanto os dois iam vender suas drogas. Eu sequer ganhava carinho ou afeto da minha mãe, e mesmo sendo uma criança e não entendendo o porquê dela me tratar assim, eu a amava. Mas quando fiz meus 14 anos eu não aguentei mais, resolvi fugir daquela vida quando aquele ser asqueroso tentou me tocar.
Com 14 anos eu fugi de casa e passei a morar nas ruas, passei a roubar para ter o que comer e tentar sobreviver. Eu já tinha desistido de ser alguém na vida e ter uma família feliz, mas aí eu conheci ele. Aquele que me ensinou tudo o que sabia e me acolheu como seu filho, me ensinou tudo sobre seus negócios e me ajudou a ser quem eu sou hoje.
Nesse mundo em que vivemos somos vistos como os vilões, assassinos. Mas quem disse isso não mentiu. Somos respeitados e nem mesmo a polícia entra em nosso caminho, mas para isso temos nossas máscaras. Nossa vida de "fachada".
Eu matei a primeira pessoa aos 15 e aos 16 eu era o melhor atirador da gangue.
Meu mestre se mostrava orgulhoso a cada vez que eu fazia um plano de roubo de cargas, armas, drogas, órgãos e até pessoas. Aos 22 anos eu assumi seu lugar como chefe, depois que Akira Watanabe morreu por câncer do estômago. Ele sim me deu carinho e amor mesmo com seu jeito rude e bruto de ser, mesmo não sendo o melhor jeito de se viver eu encontrei a minha família de verdade.
Hoje eu sou dono de quase tudo no submundo, ninguém sabe minha verdadeira identidade.
Sou procurado pela Interpol, CIA, FBI e todos os outros federais desde que aumentei o tráfico de pessoas. Mas eles não são espertos o suficiente para me pegar.
Parte de mim não se arrepende de nada do que fiz para chegar até aqui, mas parte de mim queria que tudo fosse diferente.
Hoje aos 33 anos eu tenho tudo o que eu quero, tenho quem quiser aos meus pés. Tenho aquelas pessoas que uso para me satisfazer, tanto homens quanto mulheres. Com o passar dos anos eu desisti de achar alguém para ser meu parceiro, e não se pode confiar em ninguém.
Aprendi que ninguém precisa saber que estou triste ou como anda minha vida. Aprendi que, seja lá qual for o problema, ele pertence a mim. Aprendi a guardar minhas dores e momentos difíceis só pra mim. Aprendi também que os melhores textos melancólicos ou aqueles (padrão clichê) saem sempre daqueles que se trancam em seus quartos e tem como companhia apenas o silêncio, a solidão e o barulho dos dedos batendo em cada tecla enquanto escreve algo novo. Talvez sobre uma nova tristeza, um novo amor que não foi muito bem sucedido.
Aprendi também que ninguém se importa como você está, de como foi seu dia. Aprendi que poucos valorizam o que nós fazemos por elas, e poucos valorizam a nossa companhia. Aprendi a não me importar com ninguém da mesma forma que agem comigo e a não guardar mágoas no coração. E ser diferente de muitos. E pouco me importar com os pensamentos de fulano e ciclano.
Não se iludam com a minha aparência frágil, porque eu sou capaz de te torturar por horas e ainda sorrir com o seu desespero, eu sou capaz de sorrir e ainda beber do seu sangue.
Aprendi demais nessa vida, cada pequena ferida que carrego em meu coração e meu corpo traz consigo um peso estonteante. Acontece que as cicatrizes doem às vezes e a brisa traz lembranças indesejáveis. Eu que reclamava tanto, hoje sou grato por tudo. E agora que minhas lágrimas não escorrem e meu coração já não grita por socorro, eu percebi que perdi tempo demais me lamentando. Perdi tempo demais tentando encontrar soluções para problemas que eu mesmo inventava.
Perdi tempo demais com pessoas que não valiam a pena e com sentimentos que foram jogados no lixo. Mas aconteceu, não é? Eu aprendi, aprendi que essa vida não é fácil e que andar nela machuca demais. Aos poucos, a dor vai se tornando suportável, é claro. Mas hoje não incomoda. O passado não me incomoda. Só que a gente vai aprendendo, né. Trazendo dores, carregando pesos do passado, lembranças que talvez nem sejam
necessárias , mas a gente guarda porque gosta de sentir dor.
Gosta de ver que aquilo que passou, jamais tornará a acontecer novamente.
Mas a gente vai caminhando, e hoje encontrei meu caminho. Vamos guardando um alguém aqui, outro alguém ali. Com medo de errar, de sofrer, de se decepcionar. Mas a gente vai seguindo. Colhendo mágoas, semeando sorrisos. A vida corre e a gente nem consegue acompanhar.
E claro que depois eu voltei aquela casa que um dia chamei de minha, voltei e sorri o tempo todo em que torturei aqueles que me machucaram tanto um dia. Sorri vendo eles implorar por misericórdia, sorri vendo eles tentando lutar contra a morte até o último suspiro. E aquela parte do meu passado foi apagada junto com as cinzas que a velha casa virou.
E eu só tenho a agradecer, porque depois de tudo me tornei o lendário e senhor do submundo Akatsu Watanabe...
E esse é apenas o lado "triste e sombrio" da minha vida.