UM ANO DEPOIS
— Acorda, meu amor. — comecei a beijar as bochechas de Chanyeol, ouvindo-o resmungar que queria mais cinco minutinhos.
Nós já estávamos juntos há mais de um ano, agora, felizmente, na faculdade e morando juntos.
No início foi muito difícil conciliar uma casa nossa, trabalho e estudo, mas com o tempo deu muito certo, afinal, já estávamos acostumados com a convivência.
O mais difícil mesmo é o fato de Chanyeol não assumir o nosso relacionamento em público, apenas os nossos amigos mais íntimos sabiam, e isso me magoava muito, eu admito, mas também entendo o seu lado.
Chanyeol foi meu amigo a vida toda e, de repente, virou meu namorado. Apesar dele gostar tanto quanto eu do nosso relacionamento, às vezes era estranho admitir que namorava um cara, ele admitiu isso e eu estou tentando ser paciente e esperar seu tempo.
Eu curso psicologia, o que eu mais deveria era ser paciente, mas às vezes, quando o assunto é meu namorado, isso não existe em mim.
— Chan, temos que ir para aula, vamos.
— Mas é sábado! — resmungou manhoso.
— Eu sei disso, ainda assim temos aulas. Eu sabia, se a gente não tivesse transado ontem, você teria disposição. Não vou mais comer você antes de um dia importante, você é muito dorminhoco.
— Não tem nada a ver com isso. — garantiu.
— Jura? Eu não tenho tanta certeza! Levanta e vai fazer o café da manhã. Hoje é o seu dia.
— Meu último! Semana que vem isso já é por sua conta!
Costumávamos revezar as tarefas. Assim ninguém ficava com muita coisa para fazer.
Minha preferida era o dia do Chanyeol lavar os pratos. Eu tirava cada meme das caretas de nojo dele.
— Vai logo! Eu vou tomar o meu banho!
— Eu vou junto! — falou com um sorriso sacana.
— Não vai não. Você vai fazer o café.
— Depois do banho! Por favor! — pediu manhoso.
— Não. Nós não temos tempo. Levanta essa b***a e vai para a cozinha!
Nossa casa era bem pequena, mas éramos felizes. Dava para viver com um quarto, um banheiro e uma cozinha barra sala.
Eu fui tomar meu banho e deixei Chanyeol na cozinha. O que era uma atitude de grande coragem, considerando seus dotes culinários. Mas ele estava melhorando, estava conseguindo não queimar a comida.
Chanyeol até que fez o café da manhã bem rápido. Ele demorou foi para se arrumar.
— Oh, noiva! O casamento foi cancelado! Todo mundo morreu e tu não chegou!
— Deixa de brincadeira, Baekhyun. Eu já estou pronto. — falou ao aparecer na sala.
— Amém! Pega o casaco e vamos. Eu acho que ainda dá tempo de chegar na hora!
Ele pegou o casaco e as chaves. Em nome de Deus chegaríamos a tempo!
[...]
Eu desci do carro e joguei a mochila por cima dos ombros.
Estudar no sábado realmente era um saco, porém um m*l necessário.
Chanyeol desligou e terminou de fechar o carro antes de entrarmos no prédio.
Eu mantive uma certa distância dele, sabia que era assim que ele queria. Soltei um suspiro ao ver os nossos “amigos”.
Com o passar dos meses eu sentia ainda mais falta de Sehun e Sungjin. Pelo menos Chanyeol não tinha vergonha do nosso relacionamento na frente deles.
Aqueles dois traíras resolveram fazer faculdade no Japão. Malditos sejam! Como eu sentia falta dos meus amigos! Meus dias ficaram mais tristes apenas com as besteiras de Chanyeol.
— E aí, Byun! O que tem hoje? — perguntou Youngjae sorridente.
— Aula. — respondi. Eu sabia ao que ele se referia. Todos os dias eram assim. A mesma pergunta.
— Ah, deixa de ser careta. Vamos sair mais tarde.
— Obrigado, Jae. Mas não vai rolar. — ele suspirou e revirou os olhos.
— Você tem namorado? — eu olhei discretamente para Chanyeol que conversava com outro colega de classe. — Qual é! Por que sempre me rejeita?
— Porque somos bons amigos.
— Pode-se t*****r com bons amigos!
— Eu sei. Acredite, eu sei muito bem disso. A gente vê, Jae. Talvez eu até vá com você hoje. Mas não tente nada. Iremos como amigos.
— Eu posso lidar com isso. A gente se fala mais tarde? — eu concordei com a cabeça e ele piscou para mim e deu um sorriso galante antes de seguir em frente.
— Chanyeol, você tem sorte de eu te amar! Muita sorte mesmo! — falei ao observar Youngjae se afastar.
Ele era uma versão do Chanyeol, menos complicado.
Por que eu não me apaixonei por alguém como Youngjae? Seria tão mais fácil.
Eu sou a prova viva de que não se escolhe quem se ama.
O último ano foi bem difícil. Dizem que o primeiro ano é o mais difícil. Eu só queria que ele passasse de uma vez e que a minha vida ficasse mais fácil.
— O que ele queria? — perguntou Chanyeol ao se aproximar.
— A gente vai sair mais tarde.
— Como é? Com quem?
— Só a gente. Chanyeol, você não sai com os seus amigos? Por que eu não posso sair com os meus?
— Porque os meus amigos não querem me comer.
— Dá para você já são outros quinhentos. — falei ao encarar Sora.
— Ela? Qual é, Baekhyun! Você sabe que não vai acontecer nada entre a gente.
— Da mesma forma que não vai acontecer nada com o Jae.
— Odeio que as pessoas fiquem te chamando para sair.
— A culpa é sua. Se soubessem que eu tenho namorado tudo seria diferente.
— É complicado, Baekhyun, eu achei que você tivesse entendido isso. — Chanyeol suspirou.
— Que você me ama, mas não assume? Que t*****r comigo é bom, mas para os outros ainda somos melhores amigos? Entendi, muito bem, Chanyeol, e eu tenho direito a ter mais do que só você na minha volta, por isso eu vou sair. Eu preciso respirar também. E principalmente, sair com alguém que não tenha vergonha de mim.
Saí andando para minha sala. Talvez eu tivesse sido duro demais com ele, mas é necessário. Meu sonho é poder ter uma vida normal com Chanyeol. Andar de mãos dadas, beijá-lo e dizer aos meus amigos que eu tenho um namorado e que ele é um cara maravilhoso. Mas, porém, todavia, isso não era a realidade que eu estava vivendo agora.
{•••}
— Você vai mesmo sair com ele? — Channie perguntou desacreditado enquanto eu terminava de me arrumar.
— Eu disse que ia sair com ele.
— Mas, Baekkie…
— Mas, Channie… — repeti no mesmo tom. — Eu vou me divertir sim. Mas para sua sorte não é hoje que vou te trocar. — sentei em seu colo e dei um beijinho em seus lábios.
— Você podia ficar em casa e a gente aproveitar juntos a noite. — falou em tom malicioso.
— Deixa eu adivinhar… Fazendo um s**o selvagem a noite toda? Prefiro dançar, t*****r a gente faz sempre. — ouvi a buzina. — Não me espera que vou voltar tarde. — dei-lhe um selinho e saí.
[...]
Eu estava bastante desacostumado.
Youngjae havia me levado para uma boate.
Música alta, pessoas coladas e suadas, mãos bobas e muita agarração. Eu nunca gostei de festas, nem no colégio nem fora dele. Porém, eu estava precisando sair da minha zona de conforto.
Experimentar coisas novas, conhecer pessoas novas.
Eu precisava de algo que não gritasse Park Chanyeol.
Eu já estava enfadado daquela nossa relação. Para ele, tudo, absolutamente tudo, se resolvia com uma boa transa.
Nada contra, Chanyeol fodia e dava como ninguém quando queria ser perdoado. Mas de que adianta se depois repete o mesmo erro?
E de novo. E de novo.
Ele se desculpava, mas nem mesmo achava que estava errado.
Para ele, como ele foi o último a “entrar” nesse mundo dos homossexuais, eu tinha que ter paciência. Tinha que respeitar seu espaço.
Por muitas vezes me perguntei se Chanyeol realmente era gay, ou bi, ou se ele sentia atração por homens além de mim.
Eu mesmo nunca vi o Chanyeol crescendo o olho para nenhum outro homem.
— Você quer uma bebida? — perguntou Jae rente ao meu ouvido.
— Agora não.
— Então vamos dançar.
Youngjae me agarrou pela cintura e puxou mais para o meio da pista, colando seu corpo no meio.
Se fosse Chanyeol ali, eu com certeza estaria mais do que muito feliz, mas não era. Não era seu corpo colado ao meu, não era seus beijos em meu pescoço e nem suas investidas que me faziam rir.
Era um outro alguém. Um que não sentia vergonha de mim…
Foi errado eu me sentir bem? Foi errado eu me sentir feliz por alguém estar, finalmente, estar me tratando bem e me cortejando sem pensar no que os outros iam pensar?
Se era errado, por que eu me senti tão bem?
Continuamos dançando e eu tentaria manter uma distância de Youngjae. Mesmo que eu me sentisse bem, não deixava de ser errado.
Chanyeol era o meu namorado e por mais que ele não merecesse, que ele me fizesse raiva até os confins, eu o amava.
— Relaxa, Baekhyun. — falou Jae ao perceber que eu havia me afastado demais. — Eu não vou tentar nada. Seja lá quem ele for, é um homem de sorte. Só espero que ele te mereça.
— Eu também.
Eu me aproximei dele e voltamos a dançar. Por que eu não podia gostar de caras como Youngjae?
Minha vida seria tão mais fácil.
[...]
Cheguei em casa passavam das três da manhã.
Chanyeol estava no sofá da sala, dormindo de qualquer jeito com o controle da TV na mão, contrariando o que eu disse, ele tentou me esperar acordado.
Fui para o banheiro e tirei minha maquiagem, me livre da calça branca que estava apertando até minha alma de tão colada e finalmente tomei um banho relaxante, me livrando do suor e o cheiro de noitada.
Depois de vestir uma boxer e uma blusa de Chanyeol fui para sala o chamar para a nossa cama.
— Channie. Vem pra cama. — disse acariciando suavemente seus cabelos.
— Tem certeza? — perguntou sonolento.
— Mesmo que eu quisesse te m***r, no final do dia eu sempre vou chamar você pra nossa cama, você sabe disso.
Chanyeol abriu os olhos e grudou nossos lábios em um beijo nada lento, mas também não o tipo de beijo “vamos t*****r”.
Ele me pegou no colo e me levou para o nosso quarto, que dado ao tamanho da nossa casa, ficava a cinco passos da sala. Mas era bom assim.
Naquela noite não houve briga e nem nenhuma outra palavra dita, apenas nossos beijos, que foram trocados até que não aguentassemos mais e o sono nos levasse.
[...]
Dormi abraçado com Chanyeol e acordei sozinho na cama, contrariando as expectativas de quem madrugou, acordei antes do meio dia e fui para cozinha, onde encontrei Chanyeol com um café pronto.
— Já ia te chamar.
Chanyeol estava sentado à minha frente, encarando-me discretamente.
— Você gostou?
— É para ajudar a limpar a sua barra? — perguntei pegando a xícara.
— Sim. — confessou.
— Está bom. — falei antes de dar um gole no café. — O café também não está amargo.
— Baekhyun…
— Eu sei, Chanyeol. Eu sei. Podemos não falar disso?
— Claro! Vamos falar sobre qualquer coisa!
— Eu tenho que ir a biblioteca hoje, o corno do Dr. Kim não aceitou o meu trabalho porque teve como base de pesquisa coisas que eu achei na internet!
— O Sr. Kim é insuportável!
— E eu sei bem disso! Eu vou ter que refazer minha pesquisa, mas ele quer que eu faça tudo com base no que eu ler nos livros. Vou pegar tudo na biblioteca. Então, eu não vou chegar nem tão cedo.
— Mas, Baekkie! Hoje é domingo!
— Baekkie sabe disso, por isso Baekkie quer comer o cu do Sr. Kim com uma garrafa!
— Channie vai sentir falta do Baekkie. O que Channie vai fazer o domingo inteiro sozinho?
— Baekkie não sabe. Talvez Channie deva assistir uns filmes, ou talvez m***r o tempo assistindo filme pornô…
— Channie só gosta de ver filme pornô com o Baekkie. Channie vê e coloca em prática. — disse manhoso e eu sentei em seu colo.
— Só com o Baekkie é? E o Channie gosta quando Baek rebola assim? — rebolei em colo de forma precisa.
— Gosta.
— Gosta quando toco nos seus m*****s e beijo seu pescoço assim? — repeti as ações ditas.
— Channie gosta muito. — disse de olhos fechados.
— Então pensa nisso olhando um filme que eu vou fazer meu trabalho, quando eu chegar a gente conversa.
Eu me levantei e Chanyeol abriu os olhos com certo desespero.
— O quê? Não! Volta aqui, Baekhyun! — ele segurou o meu pulso e eu me livrei de seu toque. Eu olhei para ele e sorri de sua cara de apavorado.
— O que foi, Chanyeol?
— Você me deixou com t***o! Vem resolver!
— Eu vou resolver o meu trabalho que tá custando o meu pescoço! — beijei seus lábios rapidamente e corri para a sala, pegando meu casaco, a carteira e o celular antes de sair.
{•••}
Eu já estava no final do trabalho, minhas mãos doloridas de tanto digitar, se o senhor Kim tirar um ponto sequer desse trabalho eu corpo o p*u dele sem dúvida.
Antes que eu pudesse digitar as palavras finais, Chanyeol entrou pela porta da biblioteca com uma cara emburrada.
— O que foi amor? — perguntei quando ele sentou ao meu lado.
— Você sabe que já é noite lá fora né? Baekhyun, eu cheguei a ficar com a b***a dura de tanto esperar você chegar em casa.
— Desculpa amor, nem vi o tempo passar, mas eu já terminei aqui, me ajuda a levar os livros de volta e logo vamos para casa. — fechei o Notebook e guardei na mochila.
Chanyeol assentiu ainda emburrado e pegou uma porção de livros enquanto eu peguei outra, indo até o andar de cima da biblioteca para colocá-los no lugar de onde eu havia pegado.
— Baekkie, tem um jeito de você me recompensar e ao mesmo tempo me perdoar. — disse colando seu corpo no meu e beijando meu pescoço. — Dá pra mim, agora. — sussurrou no meu ouvido, o que me deixou completamente arrepiado.
— Aqui? Ficou maluco?
— Você saiu de casa me deixando louco de t***o, saiu com um cara que gosta de você e chegou em casa de madrugada, acho que merecemos isso.
— Tudo bem, Yeol, mas a gente fala sobre isso quando chegar em casa, não aqui.
— Eu quero agora. — Chanyeol me pegou o no colo e colocou nossos lábios com desejo, me deixando sem outra opção que não fosse corresponder da mesma forma.
— Espero não me arrepender disso depois. — disse ainda ofegante pelo beijo e virei de costas para o maior, abaixando um pouco minha calça e boxer. — Mas não demora. Uma rapidinha.
Chanyeol riu da manha que eu fiz ao falar e tirou seu m****o para fora, cuspindo nesse e logo adentrando o meu corpo. Mordi minha mão pelo desconforto inicial, mas assim que me acostumei empurrei o quadril em direção ao meu namorado.
— m***a, isso é tão bom. — sussurrei agarrando as mãos fortes de Chanyeol que estavam em minha cintura e virei a cabeça para trás, tomando os seus lábios enquanto ele me estocava rápido e com força.
— Você é uma delícia Baekhyun, esse é o problema.
Ficamos minutos com a mente nublada pelo prazer, pensando unicamente em como era gostoso estar fazendo aquilo. Ainda mais em um lugar tão arriscado. Eu mordia meus lábios para não gemer e rebolava com vontade em direção a Chanyeol.
Mas assim que ele gozou eu puxei minha calça de volta, pronto para ir embora.
— Você não gozou, amor. Tem que gozar. — Chanyeol disse me fazendo ficar vermelho, ainda mais quando ele se ajoelhou no chão e puxou minha calça para baixo, começando a me c****r com vontade, até que eu tivesse gozado em sua boca.
Chanyeol levantou e então se vestiu, tomando meus lábios com vontade, me fazendo sorrir bobo. Até ouvir um livro cair próximo a nós.
Chanyeol se separou rapidamente indo para trás de mim.
— Youngjae. Veio fazer o trabalho também? — sorri sem graça.
— Sim, sim e vocês?
— Eu terminei o meu, Chanyeol veio me ajudar a trazer os livros e vamos jantar, quer ir junto?
— Claro, vou chamar a Sora, pera aí!
{•••}
Que aquilo foi uma péssima ideia já estava mais do que na cara.
Em primeiro lugar, eu nem conseguia olhar na cara da Sora. Mas eu simplesmente não podia culpá-la.
A culpa era do Chanyeol.
Ela achava que ele estava solteiro e queria investir. Agora, o Chanyeol não fazia nada!
Tá, ele não queria dizer que era gay e, p**a m***a! Como aquilo me incomodava!
O Chanyeol tinha vergonha da própria sexualidade. Ele tinha vergonha de nós dois!
Eu tentei. Tentei mais de uma vez largá-lo. Mas o amor é uma m***a e eu simplesmente não conseguia.
Por mais que fosse extremamente desagradável eu não conseguia.
Parte de mim me odiava por isso, mas outra parte odiava Chanyeol.
Eu não estou dizendo que nossa relação era uma m***a. Não era.
Tínhamos mais momentos felizes do que tristes.
Eu olhei para Chanyeol sentado à minha frente e ele nem mesmo tinha coragem para olhar na minha cara. Sabia que toda aquela situação era culpa dele.
— Vocês são muito amigos, não? — perguntou Youngjae, tentando quebrar aquele clima estranho que havia se formado entre nós.
Havíamos chegado no restaurante a quase meia hora e podia-se contar nos dedos quantas vezes havíamos falado.
Sora estava muito ocupada babando no Chanyeol, eu não fazia nem questão de estar ali, muito menos o Chanyeol, então o único que realmente se importava em manter uma conversa era o Youngjae.
Como Chanyeol não respondeu eu me manifestei.
— Já faz algum tempo.
— Eu notei. Vocês moram perto? — Chanyeol se entalou com o Sony e eu neguei com a cabeça.
— Tudo bem, Chanyeol? — perguntou Sora preocupada. Ele concordou com a cabeça e pegou o guardanapo.
— Eu digo isso porque noto que vocês sempre chegam juntos.
— Sim. O Chanyeol faz a gentileza de me levar para a faculdade.
— O Chanyeol é assim tão gentil? — perguntou Sora sorrindo.
Eu senti vontade de vomitar.
— É, pois é. Deve ser porque os pais dele veneram o Deus Sol. Sabia que eles andam pelados pela casa? — comentei sem querer, fusilando a garota e Chanyeol me olhou bravo.
— Baekhyun! — repreendeu.
— Não tem problema, Channie. Eu também amo essas religiões antigas no estilo do Incas, Astecas, diferentes, eu gosto. — disse sorrindo e mordeu os lábios, chegando mais perto de Chanyeol.
— Acho que estamos estragando o clima deles. — Youngjae comentou em meu ouvido e eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas, mas de raiva.
— Você tem razão, vamos lá pra fora, dar privacidade para os pombinhos. — disse com raiva.
Saí da lancheira apenas com meu refri e Youngjae foi junto me abraçando por trás.
— Podemos ficar juntos também. — sussurrou em meu ouvido.
Eu soltei um suspiro.
O que me impedia de ficar com ele? Afinal, Chanyeol estava se esfregando com uma mulher dentro do restaurante.
Por mais que eu quisesse mostrar ao Chanyeol. Por mais que eu quisesse mostrar que ele estava a um ponto de me perder de novo. Eu não queria que fosse daquele jeito.
Chanyeol teria que acordar para a vida, mas não seria porque eu beijei outra pessoa.
Mas antes que eu pudesse negar o insinuação de Youngjae, seus lábios já cobriam os meus.
Eu apertei seus ombros e tentei afasta-lo, mas ele abraçou minha cintura com força.
Meus olhos estavam abertos, então eu vi claramente quando Chanyeol apareceu e puxou Youngjae pela camisa, desferindo um soco em seu rosto logo em seguida.
Eu percebi que iria repetir o ato, logo segurei-o.
— Já chega, Chanyeol! — gritei ao puxa-lo.
— Quem ele pensa que é para te beijar?! Você falou para ele que tem namorado?! — exigiu saber.
— E você contou?! Como você pode achar que tem o direito de me cobrar algo?
— Que m***a foi essa, Chanyeol? — perguntou Youngjae, passando o dorso da mão pelo canto da boca.
Chanyeol não respondeu e eu me pronunciei, para tentar resolver a situação.
— O Chanyeol é amigo do meu namorado. — expliquei. — Ele apenas saiu em defesa do amigo.
— Desde quando o Chanyeol tem namorada? — perguntou e eu gelei.
— Eles estão brigados agora. Eu não conheço a menina muito bem, mas eles costumam discutir bastante. — menti com a esperança de que ele acreditasse. Antes que ele fizesse qualquer outra pergunta eu cortei o assunto. — Youngjae, foi uma ótima tentativa, mas a noite acabou. Chanyeol, me deixa em casa. — pedi irritadiço ao maior.
— Deixa ele. Eu te levo. — ofereceu Youngjae.
— Não, eu tenho que conversar com ele. Afinal, ele ainda tem uma namorada e não deve ficar fornicando com meninas por aí. — lancei um olhar indignado a Sora que baixou a cabeça.
Peguei Chanyeol pela mão e o levei até o carro.
Chanyeol esmurrou o carro e tentou disfarçar a careta de dor.
— Eu não vou perguntar o que aconteceu. Mas eu já vou adiantando, não é o que você está pensando. — tentei explicar antes de entrar no carro.
— Ele estava te beijando, Baekhyun! Você contou que tem um namorado?
— Contei. Mas na cabeça dele deve fazer sentido me agarrar por aí. Chanyeol, ele nem conhece o meu namorado… ninguém conhece...
— Isso não é desculpa! Ele é um canalha!
— Ele é um canalha por me desejar? Por lutar por mim? Ele é um canalha por ter coragem de fazer coisas que você nunca vai fazer? Se ele é um canalha, o que você é, Chanyeol? Você tem vergonha de mim. Tem vergonha do nosso relacionamento!
— Não é assim, Baekhyun. Você…
— Eu não quero ouvir nada. Vamos para casa.
Ele destravou o carro e eu entrei, fechando a porta com força.
Chanyeol não falou nada durante todo o caminho, nem depois que chegamos em casa.
Eu não sabia se eu dava graças a Deus ou se batia nele. Eu estava irritado, tão irritado que não queria nem ouvir sua voz. Mas por outro lado, temi que seu silêncio significasse que ele não se importava