Olivia despertou com o coração acelerado, os olhos arregalados e o corpo suado. Sentia-se desorientada, como se tivesse saído de um pesadelo. A cena de sua própria morte ainda estava fresca em sua mente. O olhar frio de Edmundo, o sorriso cínico de Érica e a sensação de sua vida escorrendo entre seus dedos. Tudo parecia tão real. Ela tentou se recompor, respirando fundo, mas o ar não parecia preencher seus pulmões. Algo estava errado.
Ela olhou ao redor e o choque foi instantâneo. Estava no seu antigo quarto, aquele que abandonara quando se casou com Edmundo. As paredes ainda tinham o papel de parede delicado em tons de azul, a cama grande e imaculadamente arrumada, os móveis que escolhera com tanto carinho. Ela saltou da cama e correu até o espelho. O reflexo que encontrou era o de uma mulher mais jovem, sem os traços de cansaço e deceção que carregava nos últimos tempos.
"Como é possível?", pensou, enquanto a mente se enchia de perguntas e uma estranha esperança. O calendário na mesa ao lado do espelho fez seu coração parar por um instante. Cinco anos antes. Era o dia do seu noivado com Edmundo. O grande jantar em família. Ela estava prestes a dizer “sim” para o homem que a traiu, manipulou e, eventualmente, tirou sua vida.
Uma batida suave na porta interrompeu seus pensamentos. A porta abriu-se, revelando o rosto ansioso de sua madrasta, com um sorriso forçado.
— Olivia, querida, o jantar começa em uma hora. Você ainda não está pronta? — disse a mulher, com aquele tom que Olivia sempre desprezou. Falso e manipulador.
Olivia sentiu a raiva fervilhar, mas escondeu sua expressão. Aquela mulher havia fingido carinho durante anos, mas tudo não passava de interesse. Ela e Érica queriam sua fortuna, e agora, sabendo o que sabia, Olivia estava determinada a mudar tudo.
— Estou indo — respondeu, com um sorriso calculado. Pela primeira vez, não se sentiu oprimida pela presença daquela mulher. Sentiu-se no controle.
Assim que a madrasta saiu, Olivia começou a processar o que deveria fazer. Cinco anos antes... ela tinha uma segunda chance. Uma oportunidade de reescrever seu destino. Ela poderia impedir o noivado, afastar-se de Edmundo, expor Érica e salvar a si mesma. Mas como fazer isso sem levantar suspeitas? Ela precisava ser estratégica, observar antes de agir.
Quando finalmente desceu as escadas, a mansão estava iluminada e pronta para o evento. Todos os membros importantes de sua família estavam ali. O pai de Olivia estava ao lado de Edmundo, discutindo algum assunto de negócios, enquanto Érica circulava pelo salão com sua habitual simpatia falsa, cativando todos com sua aparência impecável e gestos calculados.
Olivia ficou parada no topo da escadaria, observando o cenário abaixo dela como uma espetadora de uma peça que já tinha visto. Só que, desta vez, ela conhecia o final.
"Eles não têm ideia de que estou de volta."
Ela desceu com passos firmes e controlados, o coração batendo forte, mas a mente mais clara do que nunca. Quando chegou ao pé da escada, Edmundo a encontrou com um sorriso largo.
— Meu amor, você está deslumbrante — disse ele, estendendo a mão.
Olivia aceitou a mão dele, mas por dentro sentia nojo. O homem que a segurava já estava envolvido com sua meia-irmã, e as duas pessoas que agora a cercavam tão carinhosamente seriam responsáveis por sua queda no futuro.
— Obrigada, Edmundo — respondeu com a mesma doçura de antes, embora por dentro quisesse gritar. "Não será tão fácil desta vez."
Os convidados se reuniram à mesa, e o jantar começou com o habitual ar de sofisticação e etiqueta. Olivia sentou-se ao lado de Edmundo, com Érica do outro lado da mesa, e sua madrasta a alguns assentos de distância, ao lado de seu pai.
Enquanto todos conversavam e brindavam, Olivia observava atentamente cada palavra, cada gesto. A forma como Érica sorria para Edmundo quando achava que ninguém estava olhando s a maneira como Edmundo evitava contato visual prolongado com ela. As pequenas interações que antes passavam despercebidas agora estavam cristalinas em sua mente.
Seu pai estava envolvido em conversas sobre investimentos, totalmente alheio às tensões subterrâneas. E sua madrasta, sempre tão controlada, lançava olhares discretos para Olivia, como se estivesse tentando medir algo.
Finalmente, o momento chegou. Edmundo levantou-se, um sorriso radiante no rosto.
— Querida Olivia, — você sabe o quanto te amo e como sonhei com este dia. Não há ninguém neste mundo com quem eu queira passar o resto da minha vida além de você.
Enquanto ele falava, Olivia sentiu um nó se formar no estômago. Ela sabia o que viria a seguir. Ele ajoelhou-se e, diante de todos os convidados, abriu uma pequena caixa de veludo, revelando o anel que marcaria o início de sua ruína.
— Olivia, você aceita ser minha esposa?
A sala ficou em silêncio, todos os olhares voltados para ela. Olivia, por um breve momento, ponderou em dizer "não" imediatamente. Mas sabia que isso seria precipitado. Ela ainda precisava de tempo para planejar sua vingança, para se libertar de Edmundo de uma forma que ele não pudesse prever.
Com um sorriso que escondia seu verdadeiro desprezo, ela disse:
— Sim, Edmundo, eu aceito.
A sala explodiu em aplausos, e o anel foi colocado em seu dedo. A partir daquele momento, todos pensariam que seu futuro estava selado. Mas Olivia sabia que este era apenas o início de algo muito maior.
— Um brinde aos noivos! — Laura exclamou, fingindo alegria, enquanto todos se preparavam para brindar
Olivia forçou um sorriso e Edmundo imediatamente pegou sua mão e deu um beijo leve. Para ele, era o gesto de um noivo apaixonado. Para Olivia, era um toque envenenado de um homem que já planejava seu fim.
— Estou tão orgulhoso de você, Olivia — seu pai comentou, erguendo a taça de vinho. — Terminar a faculdade em Gestão Empresarial e agora, uma noiva promissora. Vai ser um grande ativo para a nossa empresa. Edmundo está muito feliz por tê-la ao seu lado.
Olivia quase soltou uma risada amarga. "Promissora? Um ativo? Para quem?", pensou, mas levantou sua taça em resposta, mantendo as aparências. Ela estava jogando um jogo perigoso, onde qualquer deslize poderia revelar que ela já sabia demais.
A noite seguiu com conversas, risadas e planos para o casamento. Era estranho reviver cada momento sabendo exatamente onde tudo desmoronaria. No entanto, em vez de ser uma vítima passiva, Olivia agora tinha controle. Ela escutava atentamente, absorvendo as intenções ocultas de todos, especialmente as de Edmundo e Érica. A conexão entre eles já começava a surgir de forma mais sutil, como olhares furtivos e pequenas trocas de palavras.
Quando a noite finalmente chegou ao fim, os convidados começaram a se dispersar. Cláudia, sua madrasta e seu pai foram os primeiros a sair, desejando-lhes felicidades. Ana, com quem m*l tivera oportunidade de conversar, se despediu com um abraço apertado que emocionou Olivia. Por fim, restaram apenas Olivia e Edmundo no jardim da mansão, iluminado por pequenas luzes que pendiam entre as árvores. Ela sabia o que estava por vir. Ele iria falar do futuro, como se estivesse genuinamente preocupado com ela, enquanto a verdadeira intenção era mantê-la sob controle, longe dos negócios, isolada e dependente.
Edmundo puxou-a delicadamente pela mão, levando-a para um canto mais reservado do jardim, onde a noite estava mais escura e o som das risadas dentro da casa parecia distante.
— Estou tão feliz, Olivia. — Ele começou, olhando em seus olhos. — Não vejo a hora de começarmos nossa vida juntos. Teremos tudo o que sempre sonhamos, uma família, uma vida tranquila, e eu cuidarei de você.
Olivia manteve-se firme, lutando para não transparecer o desprezo que sentia. Edmundo sempre teve um jeito de falar que parecia convincente, mas agora ela via o quão manipulador ele realmente era.
— Eu também m*l posso esperar — disse ela, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.
Ele envolveu seus braços ao redor dela e beijou-a na testa, como se fosse um gesto de carinho. Mas agora eu sei o que se esconde por trás desse carinho, pensou Olivia, mantendo a calma.
— Vai ser tudo perfeito — ele continuou. — E você não vai precisar se preocupar com nada. Eu cuido de tudo. Seu pai e eu temos tudo planejado. Não quero que você se sobrecarregue com os negócios da família. Sua felicidade é o mais importante.
Olivia assentiu, enquanto por dentro sua mente fervia. "Não me sobrecarregar? Você quer garantir que eu fique longe de tudo para que possa me manipular com facilidade." Ela sabia que não podia revelar suas intenções tão cedo. Ainda não era o momento certo para jogar suas cartas.
— Confio em você, Edmundo — disse ela, sua voz suave, enquanto forçava um tom de inocência. — Estou pronta para que nossa vida comece.
Edmundo sorriu satisfeito, acreditando ter total controle da situação. Mas m*l sabia ele que a mulher à sua frente, aquela que ele pensava ser submissa e ingênua, estava planejando cada passo, pronta para dar um fim àquele jogo c***l que ele, Érica e Laura orquestraram contra ela.
Enquanto ele a beijava levemente, Olivia olhou para o céu, sentindo o peso da segunda chance que recebeu. Dessa vez, pensou, serei eu quem manipulará as peças desse jogo.
O noivado estava confirmado. Mas, para Olivia, era apenas o início de um longo caminho para a vingança.