CAPÍTULO 34 Partir também é uma forma de ficar Era noite. Max entregou a chave do carro ao funcionário do estacionamento com a mesma frieza com que entregava diagnósticos. Sem palavras. Sem despedidas. Jogou a mochila nas costas — preta, leve, como se levasse quase nada. Como se ele mesmo agora fosse quase nada. Caminhou com passos certos até o embarque. Passaporte. Conferência. Checagem. Voo direto para Moscou. Ele não olhou para trás. Nem para a rua, nem para o céu de São Paulo. Nem para o prédio da clínica que um dia acreditou ser lar. Sentou-se na poltrona junto à janela. Fechou os olhos quando o avião decolou. Mas não conseguiu dormir. Porque ali, no ar rarefeito dos 10 mil metros de altitude, o ar parecia mais pesado do que nunca. Max pensava na primeira vez que volt

