Zangado Narrando Depois da discussão com o meu pai, eu saí de casa igual bicho. A raiva ainda vibrava nas minhas costas. A voz dele ainda tava ecoando no meu ouvido. A p***a do julgamento. A ameaça velada. Como se ele tivesse moral pra falar alguma coisa. Mas eu desci. Porque eu não sou menino. E porque o morro não para por causa de briga de pai e filho. Cheguei na laje da casa do velho já com dois moleques vindo na contenção avisar que tinha movimentação na pista. Desci com o moletom por cima da camisa e a Glock na cintura. Neno já tava lá. Sentado no murinho da entrada do beco, fumando cigarro, olhando o celular com cara de quem tá de saco cheio. — Até que enfim, né, chefia. — ele disse, sem nem levantar. — Fiquei preso lá em cima. Clima de enterro com o velho. — respondi,

