As horas passavam e com elas a aflição de todos, Noah ligou e perguntou onde ele estava, ele explicou toda a situação e logo Noah estava chegando junto com Bailey. Nenhuma notícia... Nenhuma droga de noticia! Já eram uma e quarenta e cinco da tarde e nada! O jeito era esperar e torcer para que seu avô saísse vivo da mesa de cirurgia.
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Any não estava nem sonhando que o senhor que ela praticamente considerava como avô estava entre a vida e a morte, e o melhor seria era que não soubesse mesmo.
– Pode entrar senhorita, a doutora já está esperando. – sorriu a atendente.
Any: Obrigada. – se levantou acompanhada das amigas.
Entrou na sala e cumprimentou a doutora com simpatia.
Selena: Priscila não veio hoje? – disse estranhando, sempre Priscila ou Úrsula a acompanhava.
Any: Eu não sei o que aconteceu, mas não puderam vir. – disse sentando.
A doutora sorriu e começou a consulta, pesar, medir pressão, medir o tamanho da barriga, fazer as perguntas. Tudo aquilo era tão estressante que dava sono, sua parte preferida era a ultra, pois ela podia ver seu bebê.
Selena: Ora, ora... – sorriu olhando a tela. – Estamos com sorte hoje!
Sina: Dá pra ver se é menino ou menina? – disse eufórica.
Selena: Oh sim! – comemorou. Any sorriu com os olhinhos brilhando. – E então mamãe? Quer saber? – Any assentiu com um sorriso imenso na cara. – Pois preparem os lacinhos e as bonequinhas, é uma garotinha! – riu.
Any: Oh meu Deus! – sorriu emocionada. – Uma menininha!
Selena: Isso mesmo querida! Meus parabéns!
Sabina: Eu sabia! – bateu palmas.
Any: Eu fiquei muito feliz, mas... – suspirou e a doutora a encarou confusa. – É que eu já estou quase entrando no quinto mês e eu não sinto minha filha chutar... – mordeu o lábio preocupada. – Doutora por que meu bebê não chuta?
Selena: Bem Any, não vejo nada de errado com ela. – pressionando o aparelhinho na barriga de Any. – Os batimentos dela estão normais, o peso também. – olhando o monitor. – Não entendo o porquê dela não ter mexido ainda, mas isso acontece às vezes por ela ser preguiçosa.
Any: Preguiçosa? – mordeu o lábio, confusa.
Selena: Sim, tem preguiça de mexer. – sorriu.
Any: Eu não sei, ela nunca se mexeu, nunca chutou, nem nada. Eu tenho medo de ela ter algum problema.
Selena: Olha eu vou pegar uma amostra do seu liquido amniótico, para tentar entender o porquê de ela não ter mexido ainda ok? – disse finalizando a ultra.
Any: Como assim? – se assustando. – Ela pode ter algum problema mais sério?
Selena: Isso nós só vamos descobrir depois que fizermos a coleta.
Any: O que pode ser? – observou a doutora limpar o gel de sua barriga.
Selena: Não quero tomar conclusões precipitadas, pode ser algo grave, mas também pode ser uma coisa normal...
Sabina: Fica tranquila Any, vai ver ela só tem preguiça de mexer. – suspirou acariciando a barriga da amiga.
Selena: Faça o seguinte, traga uma amostra da sua urina. – entregando um frascozinho. – E evite comer coisas pesadas, ou muito cheia de gordura, fique pelo menos duas horas sem ir ao banheiro antes da hora da consulta.
Any: Está bem. – com a cabeça baixa. Estava em pânico de imaginar que talvez sua filha estivesse com problema.
Selena: Fique tranquila querida. – vendo que ela estava a ponto de chorar. – Vamos rezar pra tudo dar certo ok? – Any assentiu. – Não chore. – Any enxugou as poucas lagrimas que tinha no rosto e sorriu de leve. – Fica linda sorrindo. – apertou um nariz dela.
Any: Eu vou ganhar hoje? – encarou-a com os olhinhos brilhando enquanto se levantava da maca.
Selena: Claro que sim, mas primeiro vai trocar de roupa. – sorrindo e indo preencher a ficha dela.
Any saiu.
Sina: Essa Any. – sorriu. – O que ela vai ganhar? – perguntou curiosa.
Selena: Um pirulito.
Sina e Sabina se entreolharam achando que aquilo era uma brincadeira da doutora. Any volta já vestida.
Any: Cadê? – sorriu.
Selena abriu a gaveta e pegou um pirulito enorme igual aqueles do Kiko. Any sentiu a boca encher de água ao ver aquele pirulito rosa enorme.
Selena: Aqui está! – entregando pra ela, que pegou na hora.
Sina e Sabina estavam de boca aberta, Any tinha acabado de ganhar um pirulito de obstetra? Apenas riram da alegria de Any com o doce.
Despediram-se da doutora e saíram do consultório.
Sabina: Any? – encarou a amiga que estava lambendo o pirulito. – Por que você ganhou esse pirulito? – confusa.
Any: Porque eu me comportei bem. – disse saboreando o seu pirulito.
Sina: Não sabia que as ginecologistas também davam pirulitos para as pacientes. – rindo.
Any: Ela não é ginecologista, é obstetra. E ela só dá pra mim e outra menina, por que nos comportamos bem. – suspirou. – Acontece que ameniza os enjoos.
Sina: Entendi. – arrumando os cabelos. – O que foi? – disse desativando o alarme do carro.
Any: Estou pensando na minha filha. – acariciando a barriga. – Se ela estiver com algum problema, eu morro meninas. – suspirou encarando o pirulito.
Sabina: Eu estou dizendo que essa menina não tem nada demais, deve ser por que ela puxou para o pai dela... Lento!
Any: Não fala assim da minha filha Sabina. – suspirou com um risinho. – Ela não tem nada a ver com Joshua. Só porque os espermatozoides dele ajudaram a fazê-la? Mas vou rezar para que nem pareça com aquele i****a!
Sina: Não fala assim também Any. – disse enquanto entravam no carro. – Ele está tentando ficar bem com você, mas você não colabora amiga, só dá patadas no pobre.
Any: Ah agora a culpa é minha? – indignada.
Sina: Não amor. – explicou. – Só acho que você tem que pegar leve.
Any deu de ombros e voltou a lamber seu pirulito, não parava de pensar na neném, seria mais uma tristeza pra ela saber que sua filha seria portadora de alguma doença ou síndrome, mas preferiu pensar em coisas positivas.
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Enquanto isso, no hospital, depois de muita espera o doutor aparece com sua roupa de cirurgião.
Doutor: Familiares de Alexandre Beauchamp? – todos se levantaram.
Úrsula: Eu sou filha dele! – disse aflita. – Como ele está?
Doutor: Olhe, eu não vou mentir quanto ao estado dele. – suspirou e Úrsula abaixou a cabeça. – É grave, eu não sei se ele vai resistir.
Josh: Eu posso vê-lo? – com os olhos cheios de lagrimas.
Doutor: Ele está dormindo no momento, ainda está na UTI, mas logo poderá vê-lo, assim que acordar. – Joshua assentiu. – Bem agora eu vou ver como ele está reagindo e logo receberão mais noticias, com licença. – acenou com a cabeça e se retirou.
Josh: Eu não acredito. – sorrindo sem vontade. Como acreditar que seu avô, um homem cheio de saúde, estava a beira da morte. Ainda não tinha caído a sua ficha. – Eu preciso de ar! – saiu lentamente até a saída do hospital.
Noah e Bailey foram atrás dele.
Noah: Josh! – disse ao vê-lo sentado em um banco que ficava na frente do hospital. – Você está bem velho? – sentando ao lado dele.
Josh: Meu avô está morrendo e você vem me perguntar se eu estou bem cara? – negando com a cabeça. – É claro que não, eu estou desesperado! – disse começando a chorar de novo.
Noah e Bailey nunca viam Josh chorar, mas sabiam que para ele os avós eram importantes ao extremo. Ele cresceu arrodeado do carrinho dos avós, principalmente a mãe do pai, dona Luíza. O avô paterno não chegou a conhecer, pois tinha morrido quando Ron era muito novo e sua avó materna, esposa de Alex, morreu quando Josh tinha três anos.
Luíza era como se fosse sua mãe, ela cuidava dele enquanto os pais trabalhavam, contava historias para ele e Any dormirem, eram muito ligados, quando ela morreu quase que o neto ia junto de tamanha dor que sentiu, ele tinha quinze anos, mas ainda precisava do cuidado e do carinho da avó.
Já seu Alex, sempre o ensinou as coisas de homem! Quando ele ia à fazenda onde o avô mora, o idoso sempre o arrastava para pescarias, caças, até cozinhar os dois cozinhavam e ele vivia dizendo que quando era novo, não deixava nenhuma gatinha escapar, todas caiam em sua rede de namorador. Contava historias, algumas com "falta de verdade", outras ele dizia que era verdade e que caísse duro se não fosse.
Any e Josh se divertiam com as graças do senhor de cabelos brancos e deveriam imaginar como ele estava se sentindo.
Josh: E se ele morrer? – soluçou. Noah e Bailey se entreolharam, sem saber o que dizer. – Qual vai ser a graça do natal, das férias na fazenda? Não vai ter mais graça! – suspirou limpando as lágrimas.
Bailey: Ele não vai morrer cara. – bateu nas costas dele. – Ele é forte, vai sobreviver!
Josh: Me disseram isso quando a minha avó estava morrendo também. – encarou os amigos.
Bailey e Noah suspiraram e lembraram que tinham dito a mesma coisa quando Luíza estava internada com derrame.
Bailey: Mas agora estamos falando do seu avô, não da sua avó. – sorriu de leve. – Anda Josh, não fica assim.
Joshua suspirou e ficaram durante um tempo lá fora. Depois ele decidiu entrar para saber mais noticias de Alex.
Josh: E então? – perguntou para a mãe assim que chegou.
Úrsula: Nada ainda filho, ele ainda não acordou. – estralando os dedos. – Não acha melhor ir meu bem? Você precisa descansar e...
Josh: Eu não vou sair daqui até ele ficar bem! – disse firme. – Vou ficar aqui o tempo que for necessário. – sentando e apoiando a cabeça nas mãos.
Noah: Josh, eu vou precisar ir agora. – Joshua assentiu ainda na mesma posição. – Vai comigo Bailey?
Bailey: Vou sim, eu preciso passar um e-mail para o professor de música. Quer que eu mande o seu Josh?
Josh: Sim, você sabe a minha senha não é? – Bailey assentiu.
Noah: Então nós estamos indo. – bateu nas costas dele de leve. – Qualquer coisa, pode ligar que nós corremos até aqui.
Josh: Valeu galera. – sorriu de leve.
Noah e Bailey se despediram de todos e se foram.
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Any estava na cantina conversando com Sofya e tomando um sorvete de chocolate. Estava com os pensamentos longe, nem estava ouvindo a conversa que Sofya estava dizendo a respeito da nova coleção da Channel.
Sofya: Any? – estalando os dedos no rosto dela.
Any: Ah... – sorriu. – Oi Sof, desculpa, eu estava um pouco distraída.
Sofya: Eu estava dizendo que aquela blusa da Mariela estava ridícula, cheias de babados uma verdadeira bosta, eu não sei como uma pessoa tem coragem de usar um desastre daqueles. – tomando um gole do seu suco. – E os sapatos? Ridículos!
Any: Coitada da bichinha. – sorriu comendo seu sorvete.
Noah e Bailey chegam e sentam atrás delas, cumprimentam as duas com a cabeça e começam a conversar.
Noah: Muito tenso isso que o Josh está passando cara... – pegando o cardápio.
Any ao ouvir o nome de Josh fica com o ouvidinho aceso. Tanto ela como Sofya.
Bailey: Nem me fala cara, ele é muito apegado com o avô.
Any engoliu o seco. Sabia que o único avô vivo que Josh tinha era o vovô Alex. O que ele tinha meu Deus? Levantou e encarou os dois amigos que a olharam confusos.
Any: O que aconteceu com o vovô Alex? – dizia com os olhos arregalados.
Os dois se olharam espantados, sem saber o que fazer...
Bailey: Ele sofreu um infarto e está quase morrendo. – disse de uma vez.
Any: O QUE? – disse quase gritando.
Bailey: Ué, você não sabia? – perguntou confuso.
Any: Onde ele está internado? – ignorando a pergunta de Bailey. Não estava acreditando que aquilo estava acontecendo e ninguém tinha lhe dito!
Noah: Está na clínica central, ele está melhorando Any. – tentou amenizar a situação.
Any não podia ficar nervosa. Ela não disse nada e apenas saiu, precisava ir vê-lo urgentemente. Sofya foi atrás dela.
Noah: Parabéns Bailey! – ironizou.
Bailey: Como eu ia saber que ela não sabia? – rolou os olhos. – Acha que eu sou filho da mãe Diná?
Noah: Bocudo! – deu um pedala nele que reclamou.
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Any entrou no quarto, muito nervosa, Sina e Sabina encararam a amiga espantada.
Sina: Any? – se aproximou. – O que foi? – preocupada.
Any: Sina... – sussurrou. – Por favor! – começando a chorar. – Me leva pro hospital.
Sabina: Valha-me Deus! – se ajoelhou. – A criança vai nascer agora! – levantou as mãos para os céus. – Não acha que está um pouco cedo pra nascer lindinha? – disse para a barriga de Any.
Any: Não Sabina! – disse franzindo a sobrancelha. – Meu vovô. – soluçou. – Ele está internado, eu preciso ir pra lá!
Sina: Seu vovô? – disse confusa. – Seus avôs não já morreram? Pra mim você só tinha aquela velhinha enjoada como vó e... – foi interrompida.
Any: Ele não é meu vô, mas eu considero! – pôs a mão no rosto. – Já chega de perguntas, vamos logo! – arrastando Sina.
Sina: Calma, me deixa pegar minhas chaves. – Any a soltou e ela foi procurar suas chaves.
Ela pegou e as duas saíram em direção ao hospital que Any tinha dito, entrou no lugar rapidamente e foi até a recepção.
Any: O vovô Alex, onde ele está? – perguntou à recepcionista.