– Vovô Alex? – a recepcionista perguntou confusa.
Any: Oh céus! Alexandre Beauchamp! Eu acho que esse é o nome, ele é pai da tia Úrsula... – sussurrou para si mesma. – Isso! Alexandre Beauchamp! – a recepcionista assentiu e verificou no sistema.
– Pelo que consta aqui esse paciente ainda se encontra na UTI, está no décimo terceiro andar, ala dois.
Any: Sabe me informar como ele está passando? – roendo as unhas.
– Não senhorita, apenas o médico responsável pode lhe passar essa informação. – lamentou. – Mas pode ir por ali. – apontando.
Any: Está bem. – arrastando Sina. – Obrigada moça! – a moça assentiu sorrindo e as duas seguiram por onde ela tinha dito.
Ao chegar no décimo terceiro andar elas procuraram pela segunda ala e logo Any avistou sua mãe, Priscila ficou pálida quando a viu.
Any: Mamãe! – foi até ela, e viu que estavam todos ali.
Úrsula, Ron, Silvio, Priscila, Jaden e Joshua. Ele estava sentado com a cabeça baixa, parecia estar péssimo. Ela engoliu o seco, sabia que ele amava demais o avô e deveria estar sofrendo a beça.
Quando Josh ouviu a voz dela, levantou a cabeça e a encarou. Quem teria sido o doido que tinha aberto o bico?
Any: Porque ninguém me contou que ele estava aqui? – sibilou chorosa.
Priscila: Por que não queríamos que você passasse por nervoso, filha. – explicou passando a mão nos cabelos da filha. – Não faz bem ao bebê. – disse por fim.
Any: Não deveriam ter escondido de mim. – suspirou chateada, mas aquele não era momento para reclamar. – Como ele está?
Úrsula: Ele não está nada bem, querida. – disse com a voz embargada. – Está muito m*l.
Any: Ele está inconsciente? – Úrsula assentiu com lamúria. – Oh meu Deus. – disse sentando ao lado do pai e o abraçando de lado.
Silvio: Tranquila filha. – beijou os cabelos dela.
O doutor aparece.
Doutor: O paciente já esta acordado, ele quer ver Joshua. – procurando com os olhos. – Quem é?
Joshua levantou rapidamente.
Josh: Sou eu! – disse com certa euforia.
Doutor: Pode me acompanhar? – ele assentiu prontamente. – Com licença. – saiu e Josh o acompanhou, com um nó na garganta.
O doutor o levou até uma sala, onde pediu para que ele se higienizasse e colocasse as devidas roupas para entrar na UTI. Ele se preparou com a ajuda das enfermeiras e logo estava entrando na UTI, sentiu o coração apertar quando viu seu avô ali, tão frágil em cima daquela cama, cheio de aparelhos de um lado pra outro. Nem parecia aquele homem cheio de saúde que ele conhecia.
O senhor quando viu ele se aproximando abriu um pequeno sorriso de lado.
Alex: Ei garoto! – disse baixinho. – Vem aqui, está com medo de mim?
Josh: Não fala muito vô. – sorriu, tentando conter as lágrimas.
Alex: Que nada, eu não vou partir dessa pra melhor calado. – resmungou ofegante.
Josh: O senhor não vai partir dessa pra melhor. – disse tentando se convencer. – Ainda vai viver muitos e muitos anos.
Alex: Não meu filho. – tossiu. – Parece que agora eu vou mesmo. – Joshua negou com a cabeça derramando duas grossas lágrimas. – Meu filho. – disse tentando pegar a mão dele. Ele entregou a mão e o velho senhor apertou. – Eu espero que você tome juízo.
Josh: Vovô você não vai morrer. – disse já aos soluços. – Você tem que viver, eu preciso de você, eu preciso que me ajude! Eu vou ser pai e eu preciso dos seus conselhos.
Alex: Por isso mesmo você tem que tomar juízo, meu filho... – sorriu. – Cuide da Any, a ajude com o bebê e não deixe sozinha... – tossiu.
Josh apenas assentiu e apertou mais forte ainda a mão do avô, já estava fria como um cubo de gelo. Ele chorou mais ainda, seu avô estava morrendo mesmo! Merda!
Alex: Prometa para o vovô que você vai se comportar. – pediu.
Josh: Prometo! – sussurrou.
Alex: Tem certeza? – Josh assentiu. – Posso ir pescar no mar de cristal em paz? – Josh não conseguia falar, seu choro estava o desconcertando todo. – Acho que isso foi um sim. – disse dando um sorriso de lado, quase imperceptível.
Josh: Não vovô... – negando com a cabeça, vendo os batimentos de ele diminuir aos poucos. – Por favor, não! Doutor! – soltou a mão do homem e saiu em busca de ajuda. – Doutor! – avistou o médico. – Ele está morrendo! – dizia desconcertado. – Por favor, o ajude!
O doutor correu em direção a UTI acompanhado de duas enfermeiras. Joshua o seguiu sentindo o coração dando cambalhotas no peito. Os médicos tentavam reanimá-lo, mas não teve jeito.
Doutor: Ele faleceu. – disse negando com a cabeça, frustrado.
Josh: NÃO! NÃO VOVÔ! – disse gritando.
Úrsula e os outros ouviram os gritos de Joshua e correu até lá acompanhada de todos.
Úrsula: O que houve? – disse abraçando o filho que estava vermelho pelos gritos que tinha dado.
Josh: Ele morreu mamãe... – soluçando. – Morreu!
Úrsula olhou para o corpo morto do pai em cima do leito e começou a chorar baixinho. Any estava em choque, não podia acreditar ainda, não podia ser! Encarou Joshua que estava com a mão apoiada na parede, chorando como ela nunca mais tinha visto, sentiu um aperto no peito ao vê-lo daquele jeito, estava certo que os dois estavam brigados, distantes um do outro, mas ele estava tão frágil que ela sentiu dó.
Aproximou-se e tocou de leve seus ombros, ele se virou e a encarou. Sem ela esperar, ele a abraçou forte. Ela afogou a cabeça no pescoço dele e chorou também, estava doendo perder o vovô Alex, ela também estava sentindo muito aquela perda. Sentia as lágrimas dele molhando sua blusa e sentiu o coração encolher.
Any: Vem Josh. – chamou, mas ele não a soltou. – Vamos lá pra fora sim? Não tem motivo ficar aqui. – sussurrou no ouvido dele. Ele assentiu e saíram. – Vai passar Josh... – disse quando ele a abraçou de novo.
Ele estava sentindo tão bem nos braços dela, ela tão pequenininha, mas o acomodava perfeitamente em seus braços, sentiu o cheiro dela e se sentia reconfortado. Any ficou o mimando, fazendo carinho em seus cabelos, ele de certa forma se acalmava cada vez mais.
Depois de tratarem os tramites da autopsia, liberação do corpo e afins, todos se retiram do hospital. Afinal não tinha nada mais o que fazer naquele lugar. Joshua não falava nada, estava alheio a tudo. Em pensar que viu seu avô morrer, ali na sua frente e não pode fazer nada para ajuda-lo lhe deixava arrasado. Não soltava Any em nenhum momento, ele não estava com segundas intenções com ela, estava apenas querendo carinho e ela estava fazendo isso muito bem.
¨¨¨¨
O funeral e o enterro de Alex foi um dos momentos mais difíceis e tristes que Any já viu, Joshua estava desolado estava pior que Úrsula, que era filha do morto. Mas ninguém estava estranhando a reação dele, não podiam esperara menos.
À noite ele preferiu voltar para a faculdade com Any e os amigos, que também estavam ao seu lado desde o funeral. Ele e Any estavam chegando à faculdade, ela decidiu quebrar o silêncio.
Any: Josh? – ele a encarou sem entonação. – Me promete que vai dormir? – sorriu de leve. – Ontem no velório você passou a noite e o dia em claro, fora anteontem.
Josh: Tudo bem. – disse apenas para não deixa-la preocupada. – Não se preocupa. – sorriu de canto.
Any: Olha lá. – disse o repreendendo. – Não vai me passar a perna. – disse enquanto paravam de andar.
Josh: Eu não vou. – abaixou a cabeça. – Você também precisa descansar, tem que cuidar do bebê. – disse acariciando a barbicha. – Me deixa ver a sua barriga? – pediu.
Ela assentiu. Talvez olhando a barriga dela ele se sentisse melhor. Levantou a blusa e deixou à mostra a barriga redondinha. Ele abriu um sorriso bobo ao ver que seu filho estava crescendo, levou a mão ali e a apalpou delicadamente, a barriguinha dela cabia na palma da mão dele. Ela fechou os olhos ao sentir o toque, ele acariciou com um sorriso.
Any: Jura por ela que você vai fazer o que eu digo? – disse com uma carinha repreensiva.
Josh: Juro Any... – assentiu e depois se deu conta do que ela tinha dito. – Por ela? – a encarou, confuso. – É uma menina?
Any sorriu e assentiu com a cabeça. Ele abriu um sorriso, um sorriso mesmo, de pura felicidade. Talvez o primeiro sorriso desde que seu Alex se foi.
Josh: Minha nossa! – abaixou os olhos para a barriga dela sem deixar de acariciar. – Ela está bem?
Any engoliu o seco. Não podia contar que a neném poderia estar com problemas, ele ainda estava muito abalado com a morte do avô e isso só pioraria a situação dele.
Any: Claro, está sim. – disse olhando pra baixo. Merda! Ela era péssima em mentiras e Josh sabia disso muito bem.
Josh: Tem certeza? – perguntou a encarando meio desconfiado.
Any: Tenho. – balançando a cabeça olhando para outro lado.
Josh: Any, o que você está escondendo de mim? – ele perguntou sério.
Any: Na-nada. – gaguejou sorrindo amarelo. – Eu não estou escondendo nada.
Josh: Fala logo Any! – disse sem paciência e ela abaixou a cabeça.
Any: Você não precisa se preocupar com isso Josh. – coçando o olho.
Josh: O que ela tem? – ignorou a afirmação dela. Já estava começando a se preocupar.
Any: É que... – suspirou sentindo um nó na garganta. – Ela nunca mexeu.
Josh: Como assim nunca mexeu? – perguntou incrédulo. – Você está com quanto tempo?
Any: Vou fazer cinco. – disse com vontade de chorar.
Ele percebeu que ela tinha ficado m*l e pôs a mão no rosto.
Josh: E o que a doutora falou? – preocupado. – O que pode ser isso? É grave?
Any: Eu não sei. – segurando o choro. – A doutora falou que vão ter que retirar um pouquinho do meu liquido amniótico.
Josh: Ai meu Deus. – encostou-se à parede e suspirou tristemente. – Quer dizer que ela pode ter síndrome de down?
Any apenas assentiu com a cabeça, depois começou a chorar. Joshua passou a mão nos cabelos, seus últimos dias tinham sido mesmo muito ruins. Primeiro seu avô morre, agora descobre que sua filha pode ter uma síndrome. Aquilo só podia ser castigo.
Josh: Não fica assim Any. – a chamou com a mão, ela se aproximou e ele a abraçou. – Calma, não chora.
Any: Você vai rejeitá-la se ela tiver? – perguntou aos Soluços.
Josh: Claro que não. – beijou a cabeça dela. – Ela é nossa. – disse levantando a blusa dela novamente e revelando a barriguinha. – Não chora mais.
Nesse momento alguém enxerga aquela cena de longe, arregalou os olhos ao ver a barriga saliente de Any, a forma como os dois se abraçavam, Deus! Ela estava grávida! Pôs a mão na boca e buscou o celular depressa, sorte que a câmera de seu celular era muito boa, aproximou bem o zoom e capturou várias imagens, sorriu ao ver as fotos que tinha acabado de tirar e saiu.
Any: Eu estou com medo. – disse mais calma.
Josh: Eu também. – os dois se encararam. – Quando vai ser a coleta do liquido?
Any: Amanhã. – disse fungando o nariz.
Josh: Eu quero ir contigo. – disse firme ela apenas assentiu.
Any: Tudo bem. – sorriu levemente, saber que ele estaria ao seu lado nesse momento lhe deixava alegre. – Vamos agora sim? Você precisa dormir um pouco.
Beauchamp apenas assentiu sem entonação, se despediu de Any no corredor e foi andando até chegar ao seu dormitório.
Ao chegar lá encontrou os amigos conversando. Não disse nada. Apenas pegou sua toalha e foi para o banho. Os amigos não estranharam, afinal de contas sabiam como ele estava se sentindo. Saiu do banheiro, vestiu uma calça de moletom e foi deitar em sua cama. Os amigos ainda tentaram puxar algum assunto para tira-lo da fossa, mas não tiveram sucesso, ele apenas os respondeu com meias palavras e se virou. O sono não demorou, logo estava dormindo, naquela noite ele não sonhou. Apagou. Literalmente.
¨¨¨¨
No dia seguinte. Any foi a primeira a acordar, sentia o pescoço doer, pois tinha dormido de mau jeito. Espreguiçou-se e levantou indo para o banheiro, fez xixi e escovou os dentes enquanto tomava uma ducha morna, fazia frio naquela manhã. Saiu do banho e passou a mão molhada no rosto de Sabina que acordou na hora.
Sabina: p***a! – reclamou espantada. – Não faz isso Chucky, não me mate!
Any: Sabina! – a balançou. – Acorde Sabina!
Sabina sentou-se assustada. Any sorriu achando graça.
Any: Cuidado com o Chucky! – começou a rir e Sabina deu o dedo pra ela, que olhou contrariada. – Isso é que dá ficar vendo os filmes desse boneco encapetado! – riu indo para o closet.
Sabina rolou os olhos e levantou, chamou Sina que também babava.
Sabina: Acorda loira! – disse indo para o banheiro. – Vai escolher sua roupa logo! – entrando no mesmo.
Sina levantou e foi em direção ao closet, escolheu sua roupa e Any saiu vestida.
Any: Bom dia Sina. – sorriu. Sina mandou um beijo pra ela. – Acorda Melissa! – sacudiu as pernas da amiga. – Está na hora!
Melissa se mexeu preguiçosa. Deu bom dia as amigas e levantou depois de um tempo pescando.
Vinte minutos depois estavam descendo. Any sentiu que estavam todos olhando pra ela. Sentiu-se incomodada com isso.
Any: É impressão minha ou estão todos olhando pra mim? – sussurrou para Sabina.
Sabina: Que nada amiga, estão olhando é pra mim. – disse se achando. Any sorriu de leve.
Ao chegarem a mesa Sofya e Heyoon seguravam o jornalzinho da faculdade.
Heyoon: Fudeu amiga. – suspirou estendendo o jornal para Any.
Any: O que? – disse sentando e pegando o jornal.
Quase desmaia quando vê do que se tratava. Tinha uma foto enorme dela com Joshua, da noite passada, ele acariciando a barriga dela, enquanto se abraçavam. Droga!
A capitã das cheerleaders vai ser mamãe! Bravo!
Any olhou ao redor, todos a olhavam, estava extremamente envergonhada com aquilo tudo. Sem dizer nada saiu correndo dali.
Sina: Any espera ai! – disse indo atrás dela.
Sabina: Quem foi o i****a que publicou essa merda? – rasgando o jornal em pedacinhos. Avistou Regina de longe. – Vaca! – murmurou enquanto ia até ela. – Por que publicou essa p***a, sua galinha?! – pegando a menina pela roupa e a fazendo levantar.
Regina: O que é isso sua louca?! – espantada com a agressividade de Sabina. – Me larga, você pirou?
Sabina: Pirei sim! – soltando fogo pelas ventas. – E eu estou muito doida! E como falam que os doidos não são responsáveis por seus atos eu posso te mandar para o inferno sem peso na consciência! – disse com o rosto bem próximo da menina. – Anda, desembucha! Onde arrumou essas fotos?
Regina: Não te importa! – cuspiu.
Sabina: Hã? – disse com os olhos arregalados pela audácia. – Eu não entendi, repete! – a menina se encolheu temerosa. – Sua v***a fofoqueira, fala logo! – impaciente.