Capítulo 8

2620 Palavras
Chegamos bêbados; Edward caiu no chão, e eu sacudi ele algumas vezes antes de perceber que ele definitivamente tinha apagado. Eu o deixei dormir — não tinha pressa de passar a noite com ele. Enquanto circulava pelo seu apartamento de luxo, examinei a sala em busca de algo familiar e vi uma foto dele com Travis no criado-mudo. — Você acordou — eu disse com um suspiro. Edward me observava do chão da sala, a cabeça apoiada na mão. — Fique aqui para o café da manhã, tenho algumas coisas para falar com você. — Eu tenho que me vestir. Olhei de novo para o paletó dele que usava, esperançosa de que ele não estivesse olhando para a minha calcinha rendada preta. Eu preciso de uma toalha. Larguei as roupas na cama e suspirei novamente. — Não, eu preciso ir. — Fique aqui — ele insistiu, com um aceno preguiçoso. — Fique comigo para sempre. — Eu não posso. Você sabe que eu tenho que voltar. Depois das bebidas na sexta-feira à noite, Edward me levou para o apartamento dele, e nós bebemos mais. Agora, enquanto o sol começava a nascer, já estava quase na hora do meu voo. — Eu queria passar mais tempo com você, terminar o que começamos. — Tenho que ir para casa — joguei a camisa social na cama. — Por quê? — Ele se inclinou para frente e passou um dedo na curva do meu seio. — Eu tenho um emprego — eu disse, dando um tapa leve na mão dele. — Largue seu emprego — ele gemeu, enquanto eu soltava meus cabelos loiros sobre as costas, cobrindo o sutiã que ele tanto quis tirar naquela manhã. Ele estava brincalhão, não rude. Era um toque normal, saudável, e era exatamente isso que eu sempre esperava de um encontro s****l: algo leve, sem cobranças. — Não posso largar meu emprego. — Fiz uma pausa para girar meu vestido, encontrando a parte de trás dele. — Preciso de um emprego. Não nasci com os meios para não ter que trabalhar, como algumas pessoas. — Algumas pessoas — ele riu. — Pessoas como eu, você quer dizer? Eu sorri de lado, recatadamente, e vesti meu vestido. — Talvez. — Eu também tenho um emprego — ele disse, meio defensivo. De repente, senti culpa e fui até ele, abraçando-o contra meu peito. — Você tem um emprego — eu disse, conciliadora, passando os dedos pelos cabelos loiros dele. — Você tem um emprego. E eu tenho um emprego. Do outro lado do país. Ele agarrou minha b***a e me puxou para mais perto. — Você poderia ter um emprego deste lado do país — ele sussurrou, tocando meus s***s. — Eu poderia. Mas não tenho. Ele beijou meu decote, provocativo. — Venha trabalhar para mim. Saia do seu emprego e você está contratada. Quem gosta de Los Angeles? Toda essa poluição e superficialidade. Venha trabalhar para mim. Eu ri, sabendo que ele estava brincando, mas meu coração disparou. Eu queria tanto essa vida que ele balançava como um brinquedo proibido. — Você nem sabe se eu tenho alguma qualificação. — Oh, eu posso imaginar várias das suas qualificações — ele murmurou, me puxando para o colo. Eu senti a ereção dele pressionando minhas costas, uma confirmação de que tudo aquilo era só provocação. — Devemos discuti-las em detalhes ou devo deixar você me mostrar de outras maneiras? — Edward… — eu gemi, enquanto a mão dele subia pela minha saia. Ele agarrou um punhado dos meus cabelos e me beijou com intensidade. — Você está dificultando a minha saída. — Meu plano está funcionando então — ele provocou, beijando meu pescoço com lentidão. Eu suspirei, o corpo já aceso, pronto para escalar a espiral de prazer. — Você tem que parar — eu implorei. — Imagine se você ficasse — ele sussurrou no meu ouvido. — Poderíamos fazer isso o tempo todo. Mesmo sabendo que ele só estava brincando, deixei-me imaginar por um breve segundo. Edward era exatamente o tipo de homem que seria bom para mim: divertido, envolvente, com um toque que me fazia vibrar. Mas eu sabia que não era real. Ele era um playboy, sempre fora. Eu não esperava ser a pessoa a mudá-lo. Era apenas um bom momento, uma dança com o passado. Toda essa conversa era só parte do jogo. — Eu não posso ficar — eu disse, sem fôlego, distraída pelas mãos dele. — Dê-me uma boa razão — ele insistiu, lambendo o lóbulo da minha orelha e me arrepiando. Eu sorri. — Eu gosto do que faço. — Eu realmente gostava do meu trabalho, apesar do ambiente tóxico da empresa e das minhas aspirações antigas de ter um propósito maior. Edward levantou a outra mão para acariciar meu seio por cima do sutiã. — Eu te daria uma posição parecida. — Você não pode simplesmente demitir o seu gerente de estratégia e marketing. Eu me mexi no colo dele, sentindo a excitação crescendo. — O título dele é Diretor de Estratégia de Marketing, e sim, eu poderia. Ele tem halitose, e eu odeio como ele faz aqueles gráficos. Dessa vez eu ri de verdade. — Você não está falando sério. — Estou falando sério. Ele come sushi no almoço todo dia, e cada vez que abre a boca, parece que um peixe morto ressuscitou. Eu ri de novo, fechando os olhos por um momento. Ele era tão charmoso e engraçado, exatamente como eu me lembrava. Mas por mais que eu me deixasse levar, eu sabia que não era ali que eu pertencia. — Eu tenho que ir — abri os olhos. — Edward. — Emma. — Preciso ir embora. Ele ficou em silêncio por um momento. — Eu sei. Tentei me levantar, mas o aperto dele em mim aumentou. — Você tem que me soltar primeiro. — Se for preciso — ele suspirou, finalmente me soltando. Eu fiquei de pé, ajeitando a saia. Então me virei para ele enquanto vestia a blusa. Edward sentou-se, com os braços apoiados nos joelhos. — Sério. Venha trabalhar para mim. — Sério — eu disse, dando uma olhada no espelho e passando os dedos pelos cabelos. — Você nem viu meu currículo. Ele riu baixo e, pela primeira vez naquela manhã, pareceu ficar sério. — Você se formou um ano antes do ensino médio. Foi para Harvard com bolsa integral — ele disse, repetindo coisas que eu contei para ele no fim de semana. Então me contou algo que me parou no meio do movimento. — Travis me disse que você era de longe a pessoa com mais potencial de qualquer uma das outras no seu trabalho. Meus pensamentos ficaram em silêncio por um segundo, lembrando de Travis — de como ele foi o primeiro, de como eu tinha perdido minha virgindade com ele e não com Edward. Esse era um detalhe que Edward não sabia e que eu jamais contaria. Mesmo que Edward fosse o tipo de homem que eu poderia amar, esse pedaço da minha história sempre estaria entre nós, um lembrete de que eu não pertencia totalmente àquele mundo. Minha mão desacelerou com a menção da única pessoa que sempre conseguia capturar minha atenção. Era como se eu fosse um clipe de papel enterrado na terra, e o nome dele fosse o detector de metais mais poderoso do mundo. — Travis falou sobre mim? — Uma vez. — Edward respondeu, levantando-se da cama enquanto falava. — No dia em que almoçamos juntos, se não me engano. Ele me deu uma bronca por sair com você. Disse que você era a mais esforçada, brilhante, com mais potencial. Que não precisava ser arrastada para baixo ou distraída por alguém como eu. Travis era amigo e sócio de Edward, mas também era mais velho que nós — e mais enigmático. Essa aura de mistério parecia dar a ele a falsa impressão de que podia controlar os rumos da vida alheia. Nem mesmo isso lhe dava o direito de tentar nos afastar. Foi há cinco anos, mas a lembrança ainda me irritava. Mais do que isso: me deixava presunçosa. E essa presunção só alimentava ainda mais a irritação. — Isso não parecia ser da conta dele — murmurei enquanto Edward se esticava à minha frente para abrir uma gaveta da cômoda e puxar uma camiseta. — E foi exatamente o que eu disse — respondeu, vestindo a camiseta e ajustando-se com naturalidade. — Como filho do chefe, ele agia como se fosse. Discutimos feio naquele dia. No fim, concordamos em discordar. Mas, sinceramente? O que ele disse só me deixou ainda mais ansioso para te ver de novo. Por isso, quando você sumiu... foi decepcionante. Edward começou a recolher suas roupas espalhadas pelo quarto, e eu afundei na beirada da cama, tentando absorver tudo aquilo. Ele discutiu com Travis por minha causa, e logo depois Travis tentou me demitir — de forma injusta e covarde. Tivemos uma briga feia, e, antes que eu percebesse, eu já tinha perdido a virgindade com um homem que havia sido, ao mesmo tempo, um herói e um demônio para mim. Aquele foi, sem dúvida, o momento mais erótico da minha vida. Mas também foi um dos mais confusos. A coisa toda tinha sido completamente fodida. E, depois daquilo, ele ficou frio. Distante. Eu aprendi, então, a evitar homens como Travis. Desde então, todos os caras com quem saí eram o oposto dele. Divertidos. Gentis. Bons. Homens como Edward. Mas nenhum deles deu certo. Cada relacionamento parecia... carente. Incompleto. Como se a ausência daquela intensidade, daquela bagunça insana, me impedisse de me sentir verdadeiramente viva. Se isso significava que eu precisava de uma vida s****l fodida para me sentir inteira, então talvez eu estivesse condenada a nunca ser completa. Porque não havia a menor chance de eu me deixar ser arrastada por um furacão como Travis de novo — e sair viva. — Sinto muito por não ter tentado falar com você naquela época — falei, observando Edward arrumar o quarto. A verdade é que, após a morte do meu pai, ele foi a última coisa na minha mente. Mas eu poderia ter tentado mais. Poderia ter tentado com qualquer um dos caras legais que passaram pela minha vida. — Estou feliz que você me encontrou agora — ele disse, com um meio sorriso. Pisou no chão, olhou para mim com olhos reluzentes e propôs: — Venha trabalhar para mim. Soltei um suspiro, meio exasperada. — Você nunca desiste, não é? — Sou tenaz. Uma das minhas melhores qualidades. E se ele estivesse falando sério? Não sobre um relacionamento, mas sobre o emprego? Eu poderia trabalhar com ele? Mesmo em um cargo de entrada, seria um recomeço. Eu estava atrasada, anos atrás, mas... talvez ainda desse tempo de chegar onde eu deveria. Jogar com os grandes. Era algo a considerar... Do lugar onde eu estava, avistei o salto do meu sapato aparecendo atrás da cortina da janela. — O que fez você e Travis decidirem entrar juntos na publicidade? — perguntei, indo pegar minha bolsa. — Por que não seguiram os negócios das suas famílias? A Johnson-Smith era uma das maiores empresas de investimentos do mundo. Edward e Travis eram mais ricos do que eu conseguia imaginar. Nenhum dos dois precisava trabalhar. E, mesmo assim, decidiram abrir uma empresa num setor totalmente diferente. — Foram várias razões. Queríamos algo que fosse só nosso, sabe? Algo que construíssemos do zero. Eu não queria que me entregassem tudo pronto. Queria provar a mim mesmo que conseguia. Travis também tinha sérios problemas com algumas das decisões éticas da empresa dos nossos pais. — Sério? — perguntei, surpresa. Aquele era o mesmo tema da nossa discussão num trabalho de faculdade. — O Travis que eu conhecia tinha pouca consideração por ética. — Ele mudou. Por algum motivo. Foi vaidoso da minha parte pensar que talvez eu tivesse algo a ver com essa mudança? — A ideia da publicidade foi dele. Conhecíamos Nate, que também estava interessado, então ele se juntou a nós. Depois vieram Dário Palmer e Cory Rox. E tínhamos uma equipe. No começo, todos ficamos em Nova York, cada um liderando um departamento. Mas no final do primeiro ano decidimos expandir. Travis se ofereceu para abrir o escritório em Tóquio com Cory, Dário foi para Londres, e assim operamos desde então. Encontrei meu outro sapato no pé da cama. Calcei-o lentamente, imaginando Travis do outro lado do mundo. E, de alguma forma, isso me trouxe segurança. Ele estava longe. Longe o suficiente para não me alcançar. Mas mesmo a essa distância, ainda sentia o magnetismo dele. Aquele tipo de atração que se insinua nos ossos. Ele tinha esse efeito sobre Edward também? Deslizei o pé no sapato e olhei para o homem que me deu um fim de semana incrível. — Deve ser difícil estar longe de Travis. Vocês sempre foram como um irmão. Edward se ajoelhou ao lado da cama. — Não é divertido, não. Conversamos bastante por Skype, por causa da empresa, mas... sinto falta dos nossos jogos de pôquer. — Ele ergueu a saia da cama, espiando por baixo. — Se você viesse trabalhar comigo, ele ficaria impressionado. Bastante, aliás. Ele me olhou. — O que você quer dizer? Fui até a mesa de cabeceira e peguei meus brincos. — Não sei se você está falando sério... ou só tentando me fazer dormir com você. — As duas opções não podem ser verdadeiras? Prendi os brincos, me perguntando de novo se deveria considerar aquela proposta. Porque havia algo de tentador nisso. Havia algo de tentador nele. — Aha! — exclamou de repente, levantando-se com uma calcinha preta rendada pendurada no dedo. — Essas não são minhas — falei de imediato. Ele me olhou, olhou a calcinha, depois me olhou de novo. A cor sumiu do seu rosto. — Eu não tenho namorada. — Eu sei — respondi, firme. — Você tem várias. E era exatamente por isso que eu não conseguia levar a proposta dele a sério. Porque sempre haveria outra mulher. E sempre haveria outra oferta. Ele entendeu, mesmo sem que eu dissesse mais nada. — Sinto muito — disse, porque Edward Johnson não sabia ser outra coisa além de um cavalheiro. Mas não era exatamente decepção o que eu sentia. Era mais como... a sensação de algo que quase foi. Algo que por um instante pareceu ao alcance, mas evaporou antes que eu pudesse realmente tocá-lo. Suspirei suavemente. — Eu nunca pensei que isso fosse mais do que realmente foi, Edward. — Isso foi... honesto. Talvez honesto demais. Dessa vez, foi ele quem pareceu decepcionado. — Mas e se for outra coisa? — perguntou, num tom confuso, mas esperançoso. Ele não sabia o que queria. E eu não queria ser só mais uma. Eu queria alguém que soubesse. — Mas e se for exatamente isso? — rebati com suavidade. Estendi a mão e acariciei sua bochecha. — Eu gostei do nosso encontro. Podemos deixar assim? Sem estragar? Ele levou minha mão aos lábios e a beijou. — Tudo já não está arruinado? — Não está. Foi um encontro bom. Eu precisava disso. Obrigada. Ele me beijou de despedida, e eu fui embora, deixando para trás o "e se" que carreguei por tantos anos — e o gosto de um beijo que sempre quis sentir nos meus lábios. E quaisquer pensamentos que Travis pudesse ter despertado, eu enterrei sob aqueles que sempre tive. Pensamentos que me assombravam desde a faculdade. Pensamentos que fingia só existem a noite, quando estou sozinha no escuro, espremida entre lençóis e pesadelos. Se algum dia pensei que Edward poderia afastar esses pensamentos... eu estava errada. Ele foi o único capaz de trazê-los à tona.
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