ONDE AS SOMBRAS NASCERAM

1787 Palavras
A viagem até o antigo orfanato St. Jude, no interior do estado, foi feita sob o manto de uma madrugada sem estrelas. Zion pilotava um SUV blindado com uma determinação silenciosa, enquanto o rastro do GPS de Isabella brilhava no painel como uma pulsação de advertência. O luxo de Manhattan fora deixado para trás, substituído por estradas sinuosas cercadas por árvores cujos galhos pareciam dedos esqueléticos tentando alcançar o veículo. Maya olhava pela janela, o coração apertado. Aquele lugar era o cenário de seus piores pesadelos e de seus poucos momentos de luz. — Estamos perto — Zion disse, a voz rouca. Ele olhou para Maya, e por um segundo, a dureza em seu olhar suavizou-se. — Se você quiser que eu pare, se não quiser entrar lá... eu entendo. — Eu preciso saber a verdade, Zion. Preciso saber o que minha mãe escreveu naquele diário. Se Isabella o tem, é porque há algo lá que ela acredita que pode nos destruir de vez. Quando o SUV parou diante dos portões de ferro enferrujados, o prédio de pedra cinza surgiu entre a névoa. Estava abandonado há anos, janelas quebradas como órbitas vazias de um crânio. Zion pegou sua lanterna e sua arma, mas antes de sair, ele segurou a nuca de Maya, trazendo-a para um beijo rápido e possessivo. — Não saia do meu lado. Eles caminharam pelos corredores onde o cheiro de mofo e poeira sufocava as lembranças. Zion conhecia cada fresta daquele lugar. Ele levou Maya até o antigo sótão, o local onde, dez anos antes, ele costumava desenhar estrelas para ela sob a luz de uma claraboia. Isabella estava lá. Ela não usava mais o vestido de gala. Estava com um sobretudo escuro, sentada em uma velha cadeira de madeira, segurando um pequeno caderno de capa de couro desgastada: o diário de Elena Solano. No chão, ao redor dela, estavam espalhadas garrafas de gasolina. Ela segurava um isqueiro Zippo em uma das mãos e o diário na outra. — Bem-vindos ao lar, órfãos — Isabella sorriu, mas era o sorriso de alguém que já cruzara a linha da sanidade. — O vírus destruiu minha conta bancária, Zion. Mas este livrinho... ele destrói a sua história. — Entregue o diário, Isabella. Acabou — Zion avançou, mas ela levantou o isqueiro. — Um passo e eu queimo o segredo da sua vida. Quer saber quem é seu pai, Zion? Quer saber por que a mãe da Maya o abandonou aqui? Não foi por pobreza. Foi por culpa. Maya deu um passo à frente, as mãos estendidas. — Isabella, por favor. Minha mãe está doente. Não faça isso. — Sua mãe não é a santa que você pensa, Maya. Ela amava o homem errado. E esse homem... — Isabella parou, olhando para Zion. — Ele era o d***o. E o d***o deixa marcas que o sangue não limpa. Zion, aproveitando um segundo de distração dela, disparou não contra Isabella, mas contra uma viga de madeira acima dela, fazendo o teto ceder parcialmente e desorientá-la. Em um borrão de movimento, ele a desarmou e chutou o isqueiro para longe, enquanto Maya mergulhava para salvar o diário das mãos da ex-amante. Zion imobilizou Isabella contra a parede, sua mão apertando o pescoço dela com uma frieza letal. — Você nunca mais vai chegar perto de nós. — Me mate então! — ela gritou. — Me mate e prove que você é exatamente como ele! Zion hesitou. Ele olhou para Maya, que abraçava o diário contra o peito. Ele soltou Isabella, empurrando-a para o chão. — Você não vale o preço de uma bala. Eles voltaram para o SUV, deixando Isabella para trás nas ruínas de seu próprio ódio. Zion dirigiu até um campo aberto, a poucos quilômetros do orfanato, onde a lua finalmente aparecia entre as nuvens. Ele parou o carro e desligou o motor. Maya abriu o diário. Suas mãos tremiam enquanto ela lia as últimas páginas, escritas em uma caligrafia febril. "Arthur não era um carpinteiro. Ele era o herdeiro renegado dos Lancaster que eu amei em segredo. Zion não é meu filho, mas é o filho do homem que me salvou da miséria. Eu o deixei no orfanato para protegê-lo da família que queria matá-lo por ser um bastardo. Maya... Zion é o seu protetor por direito de sangue espiritual, não de carne. Perdoe-me por separá-los." Zion ouviu em silêncio. A mentira de Isabella sobre o incesto fora baseada em um fragmento distorcido da verdade. Eles não eram irmãos de sangue, mas suas vidas haviam sido entrelaçadas por uma teia de sacrifícios que agora, finalmente, fazia sentido. O alívio que percorreu Zion foi transformado em uma fome imediata. Ele puxou Maya para o banco traseiro do SUV. O espaço era limitado, mas a urgência era infinita. Ele precisava apagar o rastro de dúvida que Isabella deixara em sua mente. Ele a despiu com movimentos rápidos, quase desesperados. Maya estava pronta para ele, seu corpo clamando pela prova física de que o pesadelo acabara. Zion se posicionou sobre ela, e sob a luz da lua que entrava pelo teto solar, ele se revelou. O órgão dele, pulsante e grandioso, parecia uma promessa de vida em meio a tanta morte. Quando ele entrou nela, foi como se a terra tremesse. Ele a preencheu de uma forma tão brutalmente completa que Maya soltou um grito de êxtase que ecoou no campo vazio. O tamanho dele, massivo e firme, abria caminho dentro dela, encontrando cada ponto de prazer, cada nervo, reivindicando-a como sua redentora. As estocadas eram lentas e profundas, Zion querendo sentir o calor de Maya abraçando cada polegada de sua masculinidade. — Você é minha... — ele rosnava, o suor pingando em seu peito. — Em todas as vidas, em todas as histórias. Maya envolvia as pernas na cintura dele, sentindo-o tocar o fundo de seu ser, uma conexão que transcendia o físico. O ritmo aumentou até que o SUV balançasse sobre os eixos. Zion a possuía com a fúria de um homem que acabara de recuperar sua alma. No momento do clímax, Zion enterrou-se nela com uma força final, seu corpo ficando rígido enquanto ele se derramava dentro de Maya, um selo de sêmen e promessa. Lentamente, ele se retirou. Maya sentiu o ar frio da noite encontrando sua i********e, uma sensação de vazio agridoce. Zion estava úmido, brilhando intensamente com o gosto dela, a humidade da entrega de Maya cobrindo sua pele que refletia na escuridão. Ele se sentou, observando-a com uma adoração que ele nunca mais esconderia. O silêncio do campo aberto era apenas interrompido pelo estalo do metal do motor do SUV esfriando sob o sereno da madrugada. Dentro do veículo, o ar estava saturado com o cheiro de couro, poeira do diário antigo e o aroma inconfundível do desejo que explodira entre os dois após o terror no orfanato. Zion não a soltou imediatamente após a retirada. Ele permaneceu sentado no banco traseiro, com Maya ainda em seu colo, a pele dela colada à dele. Ele observou o m****o dele, ainda semiereto e brilhando intensamente sob a luz pálida da lua; ele estava visivelmente marcado pela humidade dela, o fluido prateado escorrendo devagar pela pele morena de seu ventre. Era o rastro da comunhão deles, o gosto de Maya que ele fizera questão de absorver em cada poro. Ele inclinou-se e, com uma lentidão torturante, passou a língua pelo próprio lábio, saboreando a essência dela que ainda pairava ali. — Você sente isso? — ele sussurrou, a voz sendo um rosnado baixo contra a orelha de Maya. — Sente como você me desarmou? Eu entrei naquele orfanato pronto para queimar tudo, inclusive a mim mesmo. Mas quando eu entro em você... quando eu sinto o quanto você é apertada e quente ao me receber... eu sinto que o mundo ainda tem algo que vale a pena ser preservado. Maya escondeu o rosto na curva do pescoço dele, sentindo os batimentos cardíacos de Zion voltarem ao normal. Suas mãos, ainda trêmulas, acariciavam as costas largas do homem que o mundo via como um monstro, mas que ela agora conhecia como seu porto seguro. — O diário... — ela murmurou, a voz abafada. — Minha mãe sempre soube que você voltaria. Ela deixou você lá para que os Lancaster não o transformassem em um deles. Ela queria que você crescesse com a fome de quem não tem nada, para que pudesse conquistar tudo por conta própria. Zion soltou um riso amargo, seus dedos longos traçando o desenho da coluna vertebral de Maya. — Ela conseguiu. Eu conquistei o mundo, Maya. Mas o trono era frio e vazio. Eu só percebi que era o Rei de cinzas quando vi você novamente naquele escritório, com aquele olhar de fogo e água. Ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos. A máscara de gelo de Zion Black caíra por terra, e o que sobrara era um homem possuído por uma devoção que beirava a insanidade. — Isabella tentou nos destruir com a mentira do sangue porque ela sabia que o amor é a única coisa que eu não posso comprar ou intimidar. Ela queria que eu sentisse nojo de te tocar, que eu me sentisse profano. Mas agora... — ele apertou a cintura dela com uma força que a fez soltar um arquejo — agora que eu sei que você não é meu sangue, mas a dona da minha alma, eu nunca mais vou ser gentil com você, Maya. Eu vou te amar com a mesma fúria com que eu destruo meus inimigos. Zion pegou o diário de couro e o guardou no compartimento blindado do painel. Ele ligou o motor, o rugido do SUV quebrando a paz do campo. Ele olhou pelo retrovisor para as ruínas do orfanato que desapareciam na névoa. — Aquela vida acabou — ele declarou, engatando a marcha. — De volta para Nova York. Temos uma nova realidade para enfrentar. E, desta vez, não haverá segredos entre nós. Apenas o que somos. Maya encostou a cabeça no ombro dele enquanto o carro ganhava velocidade. Ela sabia que o caminho de volta seria perigoso. Isabella ainda era uma fera ferida, e os segredos de Arthur Black revelados no diário poderiam atrair inimigos que estavam nas sombras há décadas. Mas enquanto sentia o calor de Zion ao seu lado e o peso da promessa que ele fizera em seu corpo, ela não tinha mais medo. A honra não era mais um preço a ser pago; era a aliança que os unia contra a escuridão. — O diário provou o que eu já sabia aqui dentro — ele tocou o próprio peito. — Nós somos o início e o fim um do outro.
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