O PACTO DAS DOCAS

1355 Palavras
O vento gélido que soprava do Hudson trazia consigo o cheiro de salitre, óleo diesel e segredos m*l enterrados. À meia-noite, as docas de Nova York eram um cemitério de contêineres e esqueletos de guindastes que se erguiam contra o céu nublado. Zion Black estava parado no centro do Píer 47, a gola do seu sobretudo de lã levantada contra o frio, a silhueta imponente fundindo-se com a escuridão. Ele estava sozinho ou pelo menos era o que Viktor Volkov acreditava. Atrás de uma pilha de caixotes apodrecidos, Maya observava tudo com o coração na garganta. Ela não obedecera à ordem de Zion para ficar na cobertura. Quando ela vira a expressão dele ao ler a mensagem sobre a "chave de sangue", soube que ele estava caminhando para uma armadilha. E, pior, ela vira Marcus, o braço direito de Zion, trocando olhares suspeitos com um motorista que não fazia parte da equipe habitual. Uma luz de farol cortou a névoa. Um sedã preto parou a dez metros de Zion. Dele saiu um homem que parecia ter sido esculpido no próprio gelo da Sibéria. Viktor Volkov era mais velho, com cabelos prateados e uma cicatriz que descia do olho esquerdo até a mandíbula — a marca do "acidente" que deveria tê-lo matado junto com Arthur Black. — Você cresceu com os olhos dele, Zion — Volkov disse, a voz sendo um rosnado áspero. — Mas Arthur tinha algo que você ainda não tem: a sabedoria de saber quando se curvar. — Eu não me curvo para fantasmas, Volkov — Zion rebateu, as mãos mergulhadas nos bolsos, os dedos roçando o cabo da sua pistola. — Você disse que tem a "chave de sangue". O que isso significa? Volkov sorriu, revelando um dente de ouro que brilhou sob a luz fraca de um poste. — Arthur não deixou apenas uma empresa. Ele deixou um fundo de reserva em ouro e diamantes, escondido em um cofre que só abre com duas assinaturas genéticas simultâneas. O filho dele... e o sócio dele. Sem mim, Zion, sua Black Industries é apenas um castelo de cartas pronto para cair quando os processos dos Lancaster chegarem. E sem você, eu não passo de um velho rico em busca de vingança. — Você quer um pacto? — Zion deu um passo à frente, a tensão irradiando dele. — Eu quero a minha parte. E quero o diário de Elena. Ela sabia demais sobre como Arthur pretendia derrubar os Lancaster de dentro para fora. Maya, escondida, sentiu um galho seco estalar sob seu pé. O som foi mínimo, mas no silêncio mortal das docas, soou como um tiro. — Quem está aí? — Volkov sacou uma arma com uma velocidade impressionante. Zion não hesitou. Ele se colocou na frente da linha de tiro de Volkov, bloqueando a visão do esconderijo de Maya. — É apenas o vento, Viktor. Estamos em um porto abandonado. Foco no negócio. Mas Maya viu o que Zion não vira. Do outro lado do píer, Marcus apareceu nas sombras, com um rifle de precisão apontado não para Volkov, mas para a nuca de Zion. — Zion! Cuidado! — o grito de Maya rasgou a noite. Tudo aconteceu em frações de segundo. Zion girou, puxando Maya para trás de um contêiner de aço enquanto os primeiros disparos ecoavam. Volkov se protegeu atrás do seu carro, praguejando em russo. Marcus disparou, a bala atingindo a lateral do contêiner a centímetros da cabeça de Zion. — O desgraçado nos vendeu! — Zion sibilou, os olhos injetados de fúria. — Marcus está com os Lancaster. Zion começou a revidar, os tiros de sua HK iluminando a penumbra. Ele pegou o rádio. — Unidade 2, agora! De repente, quatro SUVs pretos da segurança de elite de Zion — aqueles em quem ele realmente confiava — invadiram o píer, os pneus cantando no asfalto molhado. O tiroteio tornou-se geral. Zion agarrou Maya pela mão, arrastando-a em direção a um dos veículos. — Entre no carro! Agora! — E você? — ela gritou entre o som das explosões. — Eu vou terminar isso! Zion correu em direção a Volkov, que tentava fugir. Em meio ao tiroteio, os dois homens se enfrentaram fisicamente. Zion desarmou o russo com um golpe brutal e o prensou contra o capô do sedã. — A chave de sangue, Viktor! Onde ela está fisicamente? — No consulado... em Genebra... — Volkov cuspiu sangue. — Mas você nunca chegará lá vivo. Marcus tem os códigos de acesso da sua conta pessoal! Zion desferiu um soco que nocauteou o velho e pegou um pendrive que estava no pescoço de Volkov. Ele correu de volta para o SUV onde Maya o esperava, as balas zunindo ao redor deles. Eles aceleraram, deixando o píer em chamas para trás. Eles chegaram a um esconderijo seguro, um loft industrial fortificado no Brooklyn, usado apenas para emergências extremas. Zion trancou a porta de aço e desabou contra ela, a respiração pesada, o sangue de um corte na testa escorrendo pelo rosto. A adrenalina da batalha estava se transformando em algo mais sombrio e urgente. Ele olhou para Maya, que estava pálida, com o vestido rasgado na fuga, mas com os olhos brilhando de uma lealdade inabalável. — Você me salvou — ele sussurrou, caminhando até ela. — De novo. — Eu disse que não deixaria você lutar sozinho — ela respondeu, tocando a ferida na testa dele. Zion a agarrou com uma possessividade que beirava o desespero. O medo de perdê-la para a traição de Marcus e a ambição de Volkov incendiou seus instintos mais primitivos. Ele a jogou sobre a mesa de metal do loft, derrubando monitores e equipamentos. Ele não foi cuidadoso. Ele rasgou o que restava das roupas dela, expondo-a à luz crua das lâmpadas fluorescentes. Zion se libertou da própria roupa, e sua masculinidade surgiu, pulsante e imensa, uma afronta à morte que eles acabaram de escapar. Era um símbolo de sua força inquebrável, o tamanho de seu órgão sendo o testemunho visual de sua dominância sobre o destino. — Eles querem meu sangue, Maya? — ele rosnou, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça. — Pois aqui está o meu sangue. Aqui está o que eu sou. Ele entrou nela com uma violência faminta. Maya soltou um grito que foi abafado pelo beijo brutal de Zion. Ele a preenchia com uma profundidade que parecia querer alcançar seus ossos. O tamanho dele era avassalador, uma pressão interna que a fazia sentir-se completamente dominada, esticada e possuída. Cada estocada era um impacto de vida contra o vazio da traição. Zion se movia com uma ferocidade animal, o som da carne batendo contra o metal da mesa ecoando no loft vazio. Ele a reivindicava no limite da dor e do prazer, provando que, mesmo que o mundo o traísse, o corpo dela era o único território onde ele era o soberano absoluto. — Você é minha única verdade! — ele gritou no ápice, enterrando-se nela até o limite físico, o corpo vibrando com a descarga de sêmen que a inundou. Ele permaneceu ali por um longo tempo, o rosto escondido nos cabelos dela. Quando ele finalmente se retirou, o som da sucção da carne úmida foi o único ruído no loft. Zion saiu dela coberto pelo brilho da humidade de ambos, o m****o ainda grandioso e marcado pelo gosto de Maya, o fluido escorrendo por sua coxa como uma promessa de que ele nunca a soltaria. Ele a pegou no colo e a levou para o chuveiro industrial. Enquanto a água caía sobre eles, lavando o sangue e o suor, Zion olhou para o pendrive de Volkov. — Marcus acha que tem meus códigos — Zion disse, os olhos voltando a ser de gelo. — Mas ele não sabe que eu mudei tudo no momento em que vi o olhar dele no orfanato. Amanhã, nós vamos para Genebra. E eu vou tirar de lá não apenas o ouro, mas a cabeça de cada Lancaster que conspirou contra meu pai. A guerra agora era global. E Maya Solano era a rainha que caminharia ao lado do monstro.
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