O RASTRO DA SERPENTE

1030 Palavras
Você tem razão: o vírus já fora liberado no momento em que Isabella tocou o chip no salão, iniciando a contagem regressiva para a aniquilação digital dos Lancaster. Mas o que Zion não previu foi que Isabella, movida por uma obsessão doentia, não ficaria apenas no salão esperando o desastre. Ela queria provas da sua humilhação, e acabou encontrando algo que usaria como uma adaga psicológica. Enquanto o vírus de Zion começava a corroer silenciosamente os servidores da ex-amante, Isabella se esgueirava pelas sombras da galeria de arte. Ela vira Zion e Maya desaparecerem por trás das portas pesadas e, consumida por uma mistura de ciúme e ódio, encontrou um ângulo de visão perfeito através de uma fresta no mezanino técnico, acima do pedestal de mármore. Dali, ela testemunhou a cena que assombraria seus sonhos. Isabella viu Zion, o homem que sempre fora gélido e contido com ela, transformar-se em um animal faminto. Ela viu quando ele abriu a própria calça, e a luz da lua, filtrada pelas clarabóias, revelou a extensão de sua masculinidade. O órgão dele era massivo, pulsante de uma urgência que Isabella nunca fora capaz de despertar. Ela viu, com um aperto sufocante no peito, a mão grande de Zion guiar aquele m****o imenso contra a i********e de Maya. De longe, Isabella observou o momento exato da penetração. O corpo de Maya deu um solavanco, as pernas envolvendo a cintura de Zion enquanto ele abria caminho dentro dela com uma força brutal. Isabella viu o vaivém rítmico, a pele de Zion brilhando de suor enquanto ele sumia completamente dentro da garota, estocada após estocada. A visão daquele preenchimento absoluto, da forma como a carne de Zion se fundia à de Maya, era uma imagem de posse que Isabella nunca esqueceria. Ela viu quando ele finalmente se retirou, úmido e brilhante, coberto pela essência de Maya, antes de limpá-lo com um desdém vitorioso. — Você acha que venceu, Zion? — Isabella sibilou nas sombras, o rosto distorcido. — Você pode apagar meus arquivos, mas eu vou apagar a sua sanidade. Zion e Maya retornaram ao salão principal, sem saber que haviam sido observados. Maya sentia-se marcada, o calor de Zion ainda presente em seu ventre, enquanto ele caminhava com a arrogância de quem acabara de assinar a sentença de morte de seus inimigos. O vírus já estava operando; em questão de minutos, os Lancaster estariam falidos. Foi então que Isabella os interceptou perto da saída. Ela não parecia uma mulher que acabara de perder um império. Ela sorria. — Zion, querido... que performance — disse ela, a voz carregada de um veneno melífluo. — Eu sempre soube que você era dotado, mas vê-lo usar esse "instrumento" para cometer um pecado tão... familiar... foi realmente instrutivo. Zion parou, seus olhos negros estreitando-se. — Do que você está falando, Isabella? O vírus já destruiu tudo o que você tinha. Você é um fantasma. — Eu posso ser pobre amanhã, Zion, mas você será um monstro para sempre. — Ela estendeu uma fotografia antiga, protegida por um plástico. — Enquanto você se divertia no mármore, eu me lembrava disso. Uma foto do meu tio, Arthur Black, com a mãe da sua "assistente". Olhe bem para as datas, Zion. Olhe para os olhos dele. Zion pegou a foto. Era Elena Solano, jovem e radiante, nos braços de um homem que tinha o mesmo traço de mandíbula e o mesmo olhar profundo de Zion. No verso, uma dedicatória: "Pelo nosso fruto proibido. Cuide do nosso menino, Arthur." O chão pareceu ceder sob os pés de Zion. Se Arthur Black era o pai dele e tivera um caso com Elena antes de Maya nascer... — Isso é impossível — Zion sibilou, mas sua voz falhou. Ele olhou para Maya, e a imagem dele entrando nela, o tamanho de seu corpo invadindo o dela momentos antes, agora trazia uma náusea insuportável. — O sangue não mente, Zion — Isabella riu, uma gargalhada histérica. — Você acabou de possuir sua própria irmã. Como é o gosto do incesto, Rei de Black? Maya sentiu o estômago revirar, o suor frio brotando em sua testa. Ela olhou para Zion em busca de negação, mas ele estava paralisado. O Cerco e a Verdade — Vamos embora! — Zion rugiu, arrastando Maya para fora do museu. O trajeto até a cobertura foi um borrão. Assim que as portas do elevador se fecharam, Zion socou a parede de metal. — Ela está mentindo! Ela sabe que o vírus está apagando as provas contra mim e está tentando me destruir psicologicamente! — E se não for mentira, Zion? — Maya gritou, as lágrimas caindo. — O que nós fizemos? Ao chegarem na cobertura, Zion correu para seu terminal privado. Seus dedos voaram pelo teclado enquanto ele acessava arquivos protegidos que nem Isabella conhecia. Enquanto isso, o som de um helicóptero começou a ensurdecer o ambiente. — Maya, escute-me! — Zion a segurou pelos ombros, os olhos injetados. — Eu acabei de cruzar os dados. Arthur Black era estéril. Ele nunca poderia ter tido um filho. Meu pai era um carpinteiro, Isabella sabia disso, mas ela falsificou a dedicatória na foto para me paralisar! Ela queria que eu hesitasse em ativar a fase final do vírus! — Tem certeza? — Maya perguntou, o coração batendo com uma esperança dolorosa. — Absoluta. Ela usou a única coisa que poderia me ferir: o medo de te perder por algo que não podemos controlar. Nesse momento, uma explosão sacudiu o vidro da cobertura. Homens vestidos de preto começaram a descer por cordas. Não era a polícia. Era o exército privado dos Lancaster, uma última tentativa desesperada de Isabella de recuperar o chip físico antes que o vírus terminasse o serviço. Zion puxou uma arma de uma gaveta oculta e envolveu a cintura de Maya. — Eles querem o chip, mas eles só vão encontrar a morte. Ele a empurrou para trás de uma pilastra de concreto e virou-se para os invasores. O monstro estava de volta, mas agora, ele lutava para proteger a única coisa que o mantinha humano. A guerra pelo Império Black e pela alma de Maya Solano acabara de se tornar sangrenta.
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