A ARMADILHA DE SEDA

1531 Palavras
O hospital havia se tornado um túmulo de esperanças para Maya Solano. O silêncio do corredor, interrompido apenas pelo zumbido mecânico da ala VIP, ainda ressoava em seus ouvidos enquanto ela caminhava em direção à saída privativa. O ultimato de Isabella era um peso insuportável em seus ombros: trair o homem que a salvara ou condenar a mãe. Zion já havia partido em outro carro, deixando para trás um rastro de fúria e ordens de segurança reforçada. Maya foi conduzida pelo motorista de volta à torre da Black Industries. Durante todo o percurso, ela não olhou para a cidade; ela olhava para o relógio. O tempo estava escorrendo como areia entre seus dedos. Ao chegar ao lobby privativo do edifício, o ar condicionado gelado a fez estremecer. O vestido de seda n***a que ela usava o mesmo da noite anterior, que Zion tanto admirara antes de possuí-la na mesa de carvalho, parecia agora uma mortalha. Ela entrou no elevador panorâmico de aço e vidro, o mesmo que fora palco do beijo roubado diante de Isabella. Maya estava perdida em pensamentos, a mão trêmula alcançando o botão do 60º andar, quando o destino decidiu jogar sua carta mais c***l. O elevador começou a subir com sua velocidade característica, um disparo em direção às nuvens. De repente, um solavanco violento sacudiu a cabine. O sistema de frenagem de emergência rugiu, e o elevador parou entre o 45º e o 46º andar. O impacto jogou Maya contra a parede de espelhos, mas o pior aconteceu em seguida. A f***a lateral do seu vestido de seda, longa e fluida, ficou presa na fresta da porta de correr no momento exato do travamento das engrenagens. Maya tentou se soltar, mas o tecido caro era resistente. Ela ouviu o som assustador do metal rangendo. O elevador tentou se recalibrar, puxando a porta com força mecânica. — Não... não, por favor! — ela exclamou, lutando contra o tecido. A força do elevador foi impiedosa. Com um som de r***o prolongado e violento, a seda n***a foi arrancada de seu corpo como se fosse papel. O vestido foi puxado para dentro da fresta da porta, deixando Maya exposta em um segundo de puro choque. As luzes de emergência piscaram em um tom avermelhado, banhando a cabine em uma luz carnal e dramática. Maya ficou ali, respirando com dificuldade, as costas pressionadas contra o metal frio. Ela estava semi-nua. Tudo o que restava sobre sua pele era o conjunto de lingerie preta que ela escolhera naquela manhã, uma renda francesa fina e provocante, com um sutiã de meia-taça que realçava o colo e uma calcinha de tiras duplas que abraçava seus quadris com uma precisão pecaminosa. O contraste da renda preta contra sua pele pálida e úmida de suor frio era obsceno. Ela se sentia vulnerável, o coração batendo tão forte que parecia querer escapar das costelas. Foi quando o interfone da cabine estalou. — Maya? Você está aí? Eu vi o travamento no sistema. Era a voz de Zion. Grossa, autoritária e, naquele momento, carregada de uma preocupação que ela raramente ouvia. — Zion! O elevador parou... eu estou presa! — ela gritou, tentando cobrir o corpo com as mãos, embora não houvesse ninguém ali. — Calma. Eu estou reiniciando manualmente do centro de comando. Vai haver um solavanco, e a porta vai abrir no 46º andar. Eu estou indo até lá. Segundos depois, a cabine tremeu. As portas se abriram com um chiado hidráulico. Zion Black estava parado ali, no corredor semideserto do andar administrativo. Ele estava sem paletó, com a camisa branca entreaberta e os punhos dobrados, transpirando a urgência de quem correra pelas escadas de emergência. Mas, no instante em que as portas se afastaram completamente e revelaram o que havia lá dentro, ele parou. O tempo congelou. Zion fixou o olhar em Maya. O choque inicial em suas feições foi rapidamente substituído por uma expressão de uma intensidade predatória que Maya nunca vira antes. Seus olhos negros percorreram cada centímetro dela desde os pés descalços, subindo pelas pernas longas, parando na renda n***a que m*l escondia a aréola de seus s***s, até chegar ao seu rosto ruborizado de vergonha e pânico. — Maya... — o nome dela saiu como um rosnado baixo, carregado de uma luxúria que ele não fez o menor esforço para esconder. — Meu vestido... ele ficou preso... Zion, não olhe! — ela tentou se esconder atrás das mãos, mas o espaço era aberto demais. Zion não desviou o olhar. Pelo contrário, ele deu um passo para dentro da cabine, e a porta se fechou atrás dele, prendendo os dois naquele cubo de vidro e luz vermelha. Ele parecia um deus sombrio diante de sua oferenda. — Não olhe? — ele repetiu, a voz rouca, aproximando-se até que o calor de seu corpo a envolvesse. — Você tem ideia do que você parece agora, Maya? Você parece exatamente o que eu sonho todas as noites desde que te reencontrei. Uma tentação envolta em renda e desespero. Ele estendeu a mão e tocou a tira da calcinha em seu quadril, puxando-a levemente. O contraste da mão grande e morena contra a renda delicada era visualmente devastador. Maya soltou um suspiro trêmulo. Ela deveria estar pensando no chip, na senha, na missão de Isabella, mas o toque de Zion agia nela como uma droga. — Você está tremendo de novo — ele murmurou, encurralando-a contra o painel de botões. — Mas não é de frio, é? Zion inclinou-se, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, inalando o cheiro de sua pele misturado ao perfume do vestido rasgado. Maya sentiu a ereção dele pressionada contra sua coxa, dura e impaciente através do tecido fino de sua calça de alfaiataria. — Eu deveria te levar para cima — ele disse, embora suas mãos estivessem agora subindo para o sutiã de renda, os polegares roçando os m*****s dela por cima do tecido fino. — Mas eu não acho que consigo esperar até o 60º andar. Ele a puxou pela cintura, colando seus corpos. Maya sentiu a pele de Zion contra a sua, a força bruta de um homem que possuía o mundo, mas que naquele momento só desejava o que estava entre as pernas dela. A vergonha de Maya foi substituída por uma necessidade avassaladora. Ela agarrou os cabelos de Zion, puxando-o para um beijo faminto, um beijo que sabia a pecado e traição. Zion a ergueu, prendendo as pernas dela em sua cintura. Maya sentiu o frio do aço do elevador em suas costas e o calor incendiário dele em sua frente. Ele não perdeu tempo com preliminares gentis. Ele abriu o cinto, a urgência de sua necessidade superando qualquer protocolo. — Diga que você é minha — ele exigiu, os olhos fixos nos dela enquanto ele se posicionava. — Diga que nem Isabella, nem o passado, nem ninguém pode te tirar de mim. — Eu sou sua, Zion... — ela gemeu, a verdade e a mentira se misturando em sua mente. Quando ele entrou nela, foi como se o elevador desse um novo solavanco, mas desta vez o tremor era interno. Ele a preencheu de forma completa, visceral, cada estocada ecoando no metal da cabine. Maya jogou a cabeça para trás, seus gritos abafados pelo isolamento acústico do vidro. Ela sentia cada movimento dele, a forma como ele a reivindicava com uma fúria que beirava o desespero. Nesse momento, a mão de Maya, por puro instinto ou por uma memória súbita do seu objetivo, tocou o pulso de Zion. Ela sentiu o metal frio do Patek Philippe. O chip. A senha. A vida da mãe. A dualidade da situação era insuportável: ela estava sendo possuída pelo homem que amava e odiava, sentindo um prazer que a levava ao delírio, enquanto seus dedos buscavam o mecanismo de destruição do império dele. Zion aumentou o ritmo, o suor de sua testa pingando no colo de Maya. Ele estava perto do ápice, e sua guarda nunca estivera tão baixa. Ele a apertava contra si como se ela fosse sua única âncora em um mar de mentiras. — Maya... Maya... — ele sussurrava o nome dela como uma prece. Quando o orgasmo os atingiu, Zion enterrou-se nela com um grito contido, mantendo-a suspensa contra o espelho. O vidro embaçou com o calor de seus corpos. Ali, semi-nua, envolta apenas em restos de renda e na proteção de um homem que o mundo temia, Maya percebeu que a armadilha de seda não tinha prendido apenas seu vestido. Tinha prendido seu coração. Zion a colocou no chão devagar, as pernas dela ainda bambas. Ele ajeitou a roupa dele, mas seu olhar permanecia nela, agora com uma ternura sombria que a feria mais do que qualquer insulto. — Vamos. Vou te levar para cima. E amanhã... amanhã daremos um jeito em Isabella. Ninguém toca no que é meu. Ele tirou a própria camisa branca e a colocou sobre os ombros de Maya, cobrindo a lingerie preta. O cheiro dele a envolveu. Enquanto o elevador voltava a subir, Maya sentiu o peso do segredo em seu peito. Ela tinha o acesso. Ela tinha o homem. Mas ela ainda tinha alma para traí-lo?
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