A cobertura estava mergulhada em uma penumbra azulada, quebrada apenas pelos reflexos das luzes de Manhattan que dançavam no teto de concreto. O silêncio era tão denso que Maya conseguia ouvir o tique-taque do relógio Patek Philippe de Zion sobre a mesa de cabeceira o mesmo relógio que continha o chip, o segredo e a ruína.
Zion estava deitado ao seu lado, um braço sob a cabeça, observando-a com uma intensidade que a desarmava. Ele parecia em paz, uma visão rara para o homem que carregava o peso de um império construído sobre cinzas. Mas Maya estava em guerra. Cada fibra de seu ser gritava contra a traição que ela fora enviada para cometer.
— Você está pensando nela — Zion disse, sua voz rompendo o silêncio como um trovão baixo. — Na sua mãe. O Dr. Aris me enviou um relatório há dez minutos. Ela está estável, Maya. Você não precisa carregar o mundo sozinha.
Maya sentiu uma pontada de dor no peito. O cuidado dele, embora manchado por sua natureza possessiva, era real. Ela se sentou na cama, os lençóis de seda escorregando por seu corpo, revelando a pele ainda marcada pelo encontro fervoroso no elevador.
— Não é apenas sobre ela, Zion — ela começou, a voz trêmula. — É sobre nós. Sobre o que Isabella me pediu para fazer.
Zion sentou-se imediatamente, a aura de relaxamento desaparecendo, substituída pela rigidez do predador.
— O que ela pediu?
— Ela sabe sobre o capital inicial. Ela sabe sobre o pai dela. — Maya olhou diretamente nos olhos dele, as lágrimas começando a turvar sua visão. — Ela me deu 24 horas. Ela quer que eu roube o chip do seu relógio. A senha dos servidores privados. Em troca, ela prometeu a vida da minha mãe e a nossa liberdade longe de você.
O rosto de Zion transformou-se. A máscara de gelo não apenas voltou; ela se tornou impenetrável. Ele olhou para o relógio sobre a mesa e depois para Maya. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
— E você ia fazer isso? — ele perguntou, a voz desprovida de qualquer emoção, o que era muito mais assustador do que um grito.
— Eu não consigo, Zion! — ela soluçou, aproximando-se dele, tentando tocar sua mão, mas ele se esquivou. — Eu tentei odiar você. Eu tentei me convencer de que você era apenas o monstro que ela descreveu. Mas eu vejo o garoto que me desenhava estrelas. Eu vejo o homem que cuidou de nós em segredo por dez anos. Eu não posso te destruir, mesmo que isso signifique perder tudo.
Zion levantou-se abruptamente, caminhando até a janela. Ele estava nu, sua musculatura tensa sob a luz da lua, as cicatrizes em suas costas contando a história de uma ascensão violenta.
— Ela vai matá-la, Maya. Se você não entregar a senha, Isabella vai usar as conexões dela para interromper o tratamento no hospital. Você acabou de assinar a sentença de morte da sua mãe para me salvar. Por quê?
— Porque eu amo você! — Maya gritou, levantando-se também. — E eu prefiro morrer tentando te salvar do que viver uma vida de luxo sabendo que eu te vendi para uma cobra como Isabella.
Zion virou-se lentamente. A fúria em seus olhos estava desaparecendo, substituída por algo que parecia uma agonia profunda. Ele atravessou o quarto com passos pesados e a envolveu em um abraço tão apertado que ela m*l conseguia respirar.
— Você é uma i****a, Maya Solano — ele sussurrou em seu cabelo. — Uma i****a magnífica.
Ele a empurrou suavemente de volta para a cama, mas desta vez não havia o jogo de poder do elevador. Havia uma urgência emocional, um desejo de se perder um no outro para esquecer o abismo que os cercava. Zion desceu sobre ela, o peso de seu corpo sendo o único conforto que ela conhecia.
Ele a beijou com uma doçura desesperada, as mãos explorando cada curva de seu corpo como se estivesse memorizando-a. Quando ele entrou nela desta vez, foi lento, profundo, um encaixe perfeito que fez Maya soltar um suspiro longo. Não era apenas sexo; era uma confissão silenciosa. Ele se movia com uma cadência rítmica, observando o rosto dela, querendo ver cada pequena expressão de prazer.
A conexão era absoluta. Maya sentia a pulsação dele dentro de si, a forma como ele a preenchia não apenas fisicamente, mas ocupando cada espaço de sua mente. O calor entre eles era sufocante, o suor fazendo suas peles deslizarem uma na outra.
No auge do ato, Zion inclinou-se e sussurrou no ouvido dela:
— Eu vou resolver isso. Isabella não vai tocar em você. E ninguém vai tocar na sua mãe. Eu vou queimar o mundo, se for preciso, para manter você viva.
Quando o êxtase finalmente os libertou, Zion permaneceu imóvel sobre ela por um longo tempo, a respiração pesada acalmando-se gradualmente. Lentamente, ele começou a se retirar. Maya sentiu a sensação de vazio quando ele saiu de debaixo dela, o corpo dele deslizando para fora do calor que compartilhavam. Ela observou a silhueta dele se afastar, a pele brilhando sob a luz da lua enquanto ele se sentava na beira da cama.
Zion estendeu a mão e pegou o relógio Patek Philippe. Com uma pressão calculada em um ponto oculto da pulseira, um pequeno compartimento se abriu, revelando um chip de nanotecnologia.
— Se ela quer um jogo, nós daremos um jogo a ela — ele disse, o olhar gélido voltado para o chip. — Você vai ao baile amanhã. Você vai entregar este chip para ela.
— Zion, não! Ela vai te destruir!
— Não este chip — ele deu um sorriso de canto, c***l e brilhante. — Este chip contém um vírus que, assim que ela inserir no servidor dela, vai apagar todos os arquivos que ela tem contra mim e vai rastrear cada conta bancária ilegal que os Lancaster possuem. Ela acha que está te usando para me pegar. Mas eu vou usar ela para me livrar das correntes do passado de uma vez por todas.
Zion virou-se para ela, a determinação de um rei que está prestes a entrar em sua última batalha.
— Você confia em mim, Maya?
Maya olhou para o chip e depois para o homem que acabara de possuí-la com tanto fervor. O medo ainda estava lá, mas a fé era maior.
— Com a minha vida.
— Então durma — ele disse, voltando para o lado dela e puxando-a para o seu peito. — Amanhã, o Império Black vai mostrar a Isabella o que acontece com quem tenta roubar o que é meu.
Enquanto Maya fechava os olhos, ela sentia o cheiro dele, o calor de seu abraço protetor. Ela confessara. O peso saíra de suas costas, mas agora o perigo era real e iminente. O baile de máscaras não seria apenas uma festa; seria a execução de um plano que mudaria tudo.