Rosa começou a notar os detalhes que antes passavam despercebidos. Caio não sorria. Ela se deu conta disso enquanto lavava uma das xícaras de café deixadas na pequena pia da floricultura. O som da água batendo no esmalte quebrado do copo preenchia o silêncio, mas não o abafava. O silêncio entre os dois começava a se tornar um personagem à parte: denso, desconfortável, pulsante. Ele estava sentado perto da janela, observando a rua com uma atenção quase doentia. O rosto imóvel, os músculos da mandíbula contraídos. Aqueles olhos, antes turvos como tempestade prestes a romper, agora estavam escuros como a noite em que chegaram até ali — com tudo que não disseram, tudo que fingiram não sentir. Rosa havia aprendido a ler rostos como quem lê folhas de chá. Era um dom antigo, uma herança de su

