O aroma das rosas preenchia o ambiente, suave e inebriante, como se cada flor sussurrasse uma história que Rosa preferia não ouvir. Era cedo, o sol ainda esgueirava seus raios tímidos pelas frestas da cortina da floricultura, mas ela já estava ali, cuidando dos vasos com mais dedicação do que o necessário. Talvez porque os vasos não a olhassem daquele jeito. Não soubessem mentir. Não fizessem perguntas silenciosas com olhos de tempestade. Caio ainda dormia no pequeno quartinho dos fundos que ela improvisou com um colchão velho e um cobertor florido. Tinha insistido em ficar até conseguir se mover melhor. Rosa, contra todas as vozes sensatas dentro de si, permitiu. Não porque confiasse. Mas porque... bom, porque algo nela não conseguia dizer não. Ela fingia que o fazia por humanidade, po

