—Esperando alguém?
Por um momento, tive uma pequena esperança de quem seria o dono da voz, mas, sinceramente, não me surpreendi ao me virar e encontrar André, invés de quem eu queria. Me sentia uma grande i****a.
—O que faz aqui ainda?
—Estava resolvendo uma coisa —ele suspirou antes de olhar para mim —E você?
—Também resolvendo uma coisa —dei de ombros.
—E já resolveu? —perguntou ele debochado e eu assenti. Tinha me convencido que Cristiano não iria mesmo aparecer —Então vamos. Eu te acompanho até em casa.
—Não precisa —neguei. Tudo o que não queria era uma caminhada com ele, que, com certeza me faria perguntas que não sabia responder ou melhor, não queria responder —Sua casa é para o outro lado.
—Deixa de besteira —ajeitou a mochila nas costas e começou a andar na direção da minha casa —Você não vem?
Suspirei irritada. Odiava quando ele não me escutava. Será que não entende que quero ficar sozinha?
—Você é um chato, sabia? —falei o acompanhando. Suas pernas eram longas, então tinha que me esforçar um pouco para ficar no ritmo dele.
—E você me ama, sabia? —respondeu sorrindo e me olhou de lado, antes de focar no caminho a nossa frente —E também sabe que vou perguntar, não é? —revirei os olhos, vendo seu sorriso aumentar —Você pode mentir para Rosa, mas não para mim.
—Rosa é a minha melhor amiga, ela me conhece melhor que você —apontei um fato.
—Mas eu observo melhor que ela —devolveu ele sem vacilar. O pior é que era verdade, André era um bom observador, uma das qualidades que me atraía nele —E também somos bons amigos, não é? Não quebre meu coração, Anna com A.
—É claro que somos, exagerado —revirei os olhos, o sorriso involuntário em meus lábios. O que mais gostava nele é como me sentia ao seu lado, confortável. É, ele me deixava confortável.
—Então me diga —fez uma pausa dramática —O que está pegando? Sei que tem algo te incomodando.
—Sinceramente? —o olhei de lado, o sorriso sumindo dos meus lábios —Não quero conversar sobre isso. Não com você.
—Qual o problema comigo? —fez uma cara triste —Eu sou um bom ouvinte. Eu juro.
—Deixa de ser bobo —bati de leve em seu ombro —Não tem problema nenhum contigo, só é um assunto que não consigo discutir contigo.
—Nem com Rosa? —perguntou sério.
—É complicado —foi tudo que disse, então procurei um assunto que o iria distrair —E como está as coisas com a menina da festa?
—A Helena? —questionou ele, surpreso.
—É, acho que é.
—Nada demais.
—Sério? —estava curiosa —Você parecia tão interessado nela.
—Eu a conheço já faz um tempo, o que você acha que viu era apenas familiaridade.
—Ah não, André —fiz uma careta o olhando séria —Vai jogar essa para cima de mim? Você também não pode mentir para mim, sabia? Sei que gosta dela e não só porque ela é familiar.
—É complicado —mostrou língua para mim.
—Ok, eu mereci essa —levantei os braços, em sinal de rendição.
—Mereceu mesmo —respondeu ele sorrindo e bagunçou meus cabelos, como se eu fosse uma criança. Ele adorava fazer isso —Como está as coisas em casa?
—Como sempre —dei de ombros. Não queria ter que pensar nisso —Piorou um pouco desde que meus irmãos foram embora, mas, no geral, tá tudo igual. E na sua?
Faz um ano que o irmão mais velho de André morreu em um acidente de carro e isso destruiu sua família. Sua mãe m*l saí do quarto e seu pai não para de trabalhar um segundo sequer. Eles parecem esquecer que ainda tem um filho, mesmo que o outro não esteja mais aqui. Os pais perderam um filho e André perdeu um irmão e os pais.
—Minha mãe aceitou procurar ajuda e meu pai prometeu a acompanhar —deu de ombros, fingindo que isso não o atingia —Mas essa não é a primeira vez que dizem isso, só não quero criar expectativas.
—E ninguém pode te culpar.
—É —disse ele então suspirou —Estou louco para sair de casa, mas, ao mesmo tempo, não sei se posso. Quem vai cuidar deles dois se eu me for?
—E dizem que a vida dos adolescentes é fácil —comentei pensativa —Sendo que temos que tomar todas essas decisões importantes, que vão mudar tudo.
—Tudo não, só uma boa parte —brincou ele.
—Mas enfim —falei parando em frente a minha casa e me virei para ele —Quer entrar? Faz tempo que não assistirmos juntos. Tenho uma série incrível para te mostrar.
No final, não queria ficar sozinha. Se ficasse, iria ficar pensando em Cristiano e sinceramente, não queria isso. Só fazia três dias que ele tinha me beijando e já parecia que toda minha vida girava ao redor dele. Isso não estava certo.
—Só espero que não seja tão r**m como Anne with na E —fez uma careta e eu bati em seu ombro.
—Eu sei que você amou, só não consegue admitir —falei emburrada e ele balançou a cabeça, sorrindo.
—Não sei de nada —disse ele sorrindo, então me seguiu para casa.
Quando entramos, encontramos minha mãe no sofá e enquanto os dois conversavam um pouco, subir para meu quarto para trocar de roupas e tomar um banho. Olhei para meu celular em cima da minha cama, lembrando que podia falar com Cristiano, podia me desculpar por algo que nem sabia que tinha feito, mas desisti dessa ideia assim que ela surgiu.
Quando retornei a sala, minha mãe já tinha indo para seu quarto e André estava confortavelmente em meu sofá, com uma bacia de pipoca no colo. Provavelmente minha mãe tinha lhe entregando antes de ir, ela já estava acostumada com nossas noites de filmes, costumávamos fazer bastante disso. Normalmente era eu, ele e Rosa, mas nos últimos tempos Rosa não tinha muito tempo para essas coisas e bem, nem André. Era mais um motivo para aproveitar aquele momento.
—Tu sois folgado visse —brinquei tirando os pés dele do sofá para poder me sentar.
—Não tenho culpa se sua mãe me ama —disse sorrindo e quando o encarei, completou: —Ela fez para você também, ciumenta.
Pegou outra bacia ao seu lado e me entregou, uma bem menor que a sua.
—A sua é maior —reclamei com um bico —Isso é injusto.
—Sua punição por demorar tanto a voltar —respondeu ele colocando as pernas sobre as minhas coxas e lhe dei um olhar irritado, o qual ele ignorou —Coloca logo essa série para ver se eu aprovo. Se for r**m, eu vou para casa.
—Você vai amar —afirmei e ele bufou, desacreditado. Peguei o controle em cima da mesinha de centro e coloquei na sss —Acha que deveríamos ligar para Rosa? Ela vai ficar brava se descobrir que não a convidamos.
—Já fiz isso —disse ele me mostrando seu celular, que estava aberto em sua conversa com Rosa —Ela tá com David.
Assenti, um pouco decepcionada. Gostava do namorado da minha amiga, ele a amava, mas não deixava de me sentir um pouco deixada de lado, às vezes. Antes estávamos sempre juntas e agora só a vejo mais na escola, mas não queria pensar nisso.
Encontrei a série que queria e coloquei para rodar, me acomodando melhor no sofá, então coloquei a bacia em cima das pernas de André, já que ele se recusava a tira-las de cima de mim e foquei na Tv, enquanto comia uma e outra pipoca. E assim passamos o resto da noite.
—Infelizmente, eu tenho que ir —André anunciou quando terminamos o oitavo episódio. Já era quase 22:00 horas —Me promete que não vai assistir o resto sem mim.
—Você gostou em? —o provoquei e ele apenas me olhou sério.
—Promete.
—Ok, ok, eu prometo —concordei revirando os olhos —Mas assim vamos demorar muito a terminar. São 15 temporadas.
—Não quero saber —disse ele, então se levantou e me puxou para um abraço apertado —Tenha uma boa noite, pequena —beijou minha testa —Até amanhã.
—Até —respondi um pouco desconfortável. André era sempre muito carinhoso, até me confudiria se ele não fosse assim com quase todo mundo. David mesmo sempre fica bravo quando ele faz isso com Rosa. Será que Cristiano também ficaria incomodando se soubesse disso tudo? Bem, não importa. Ele é só meu amigo. E Cristiano não é meu namorado, ele é... Na verdade, não sei o que é para mim. O que será que somos? Será que temos algum tipo de compromisso?
Afastei os pensamentos enquanto o levava até a porta, então o observei seguir pela rua até sumir na esquina. Voltei para dentro e depois de desligar a televisão, fui para meu quarto. Tinha sido um longo dia e tudo que queria era dormi. Também estava ansiosa por amanhã, já que iria ver Cristiano e talvez, encontrar uma forma de conversar com ele e resolver as coisas pessoalmente.
Só queria que amanhã chegasse logo.