Sonho

1654 Palavras
Na manhã seguinte fui surpreendida ao encontrar Cristiano parado na porta de casa, encostado em sua moto. Estava com as mãos no bolso de sua calça e parecia perdido ali. —O que faz aqui, Cristiano? —o questionei surpresa, soando mais grossa do que gostaria. —Se eu não te conhecesse diria que não estar feliz em me ver —brincou ele sem jeito e só o encarei, sem saber o que dizer —Certo —falou mais para si mesmo, então se afastou da moto e pegou uma sacola que estava em cima dela. Veio até mim —Um pedido de desculpa por ontem. Eu fui um i****a. —É, você foi —concordei involuntária, aceitando a sacola. —Não era para você concorda —brincou ele, fingindo estar ofendido. —Mas é a verdade —devolvi dando de ombros e ele me mostrou a língua. Não o respondi, focando na sacola e a abri, encontrando uma embalagem transparente com um doce. Não qualquer doce, mas um sonho, um dos meus doces favoritos —Onde você comprou? É difícil achar sonhos por aqui. —Não comprei —olhou para o lado, envergonhado —Eu fiz. —Você fez?!! —quase gritei de surpresa, o que o assustou um pouco. Minha reação de choque pareceu o deixar nervoso. —É —concordou ele desviando o olhar. —Não tem veneno aqui não, né? —perguntei brincando e ele me encarou feio —Você não tem cara de quem cozinha. —Experimenta —revirou os olhos —Prometo que o gosto não é r**m. —Só um segundo. Ainda estou tentando absorver a informação que você cozinha —o provoquei sorrindo vendo o sem jeito. Ele estava preocupado de eu não gostar, podia ver isso em seus olhos. Cansei de o torturar e retirei o sonho da embalagem, dando uma mordida hesitante e sentir o doce misturado com salgado tomar conta da minha boca —Uau, isso está maravilhoso —dei mais uma mordida, vendo o alívio tomar conta de seu rosto —Não é fácil encontrar um sonho tão gostoso. Mandou bem, garoto. —Que bom que gostou, linda —disse ele dando um sorriso pequeno —Sei que é seu doce favorito e fiquei com medo de você não gostar. —Como sabe disso? —o questionei surpresa, ignorando a forma que meu coração acelerou com a forma que ele me chamou. Sua resposta foi um dar de ombros. —Me desculpa por ontem —ele falou novamente —Eu fiquei bravo por pensar que estava com vergonha de mim. —Cristiano, eu não... —ele colocou um dedo em meus lábios me calando. —Tudo bem, linda. Eu entendo —fez uma pausa —Tudo isso é muito novo e estranho ainda. Podemos deixar para contar aos outros quando você se sentir confortável em contar, certo? —minha resposta foi só o olhar admirada e o abracei. Foi a primeira vez que tomei a iniciativa e ele não demorou a me retribuir —Contando que você saiba que é minha namorada. Sentir meu coração acelerar com suas últimas palavras e um sorriso bobo tomou conta do meu rosto. Cara, eu estava pronta para me machucar muito. —Eu sou é? —comentei divertida e ele assentiu contra meu pescoço —Não lembro de ter escutado nenhum pedido. —A sua resposta vai ser um sim, eu sei, então nem preciso perguntar —comentou ele se afastando. —Convencido —revirei os olhos e comi o resto do sonho, dando um gemido da apreciação no final —Mas depois dessa delícia, eu aceito até casar contigo. —Hmmm, bom saber —comentou sugestivo, então suspirou —Queria ter trazido mais, só que Rosa foi mais rápida. Tive que esconder esse para ele sobreviver até hoje. Eu sorri. Se eu tivesse um irmão que cozinhava tão bem, também faria o mesmo. Entendia perfeitamente Rosa. —Nada. Esse estava ótimo. Obrigada. —Então eu mereço um beijo, não mereço? —ele pediu. Olhei para os lados e para porta de casa. Não tinha ninguém na rua e meus pais estavam ocupados demais em mais uma de suas brigas. Acho que não tem problema só um beijo, mas ainda era arriscado já que estávamos no meio da rua, alguém poderia ver. Ele notou minha hesitação —Deixa para lá —se virou para sua moto —Quer uma carona para escola? Ele estava chateado. De novo. Mesmo que dessa vez tenha tentando disfarçar melhor. —Cristiano —o chamei e quando se virou para mim, o abracei pelo pescoço, puxando sua boca para a minha. O beijo estava doce, por causa do sonho que tinha acabado de comer. Suas mãos foram para minha cintura e ele me puxou para mais perto, então tomou o controle do beijo. Meu beijo era suave e desajeitado, já o dele era bruto e sedento, parecia querer mais e mais de mim. Ele sabia o que estava fazendo, era experiente naquilo, sabia como me segurar e me envolver com seus toques. Me deixava na palma de sua mão. Isso me assustava. Para caramba. Nós afastamos depois de alguns minutos, nossas respirações falhas. Meu coração não parava de bater que nem maluco e isso também me assustava. Será que estava começando a gostar dele? Não queria pensar nisso. —Uma ótima forma de começar o dia, linda —sussurrou ele e deu um beijo em meus lábios, dando uma leve mordida em meu lábio inferior —Vamos para aula, antes que seja tarde. Só assenti, toda boba. Minha fala parecia não estar funcionando direito depois daquele beijo. E que beijo. Deixou meus lábios meio dormentes. O observei subir em sua moto, então coloquei o capacete que ele me entregou e subir atrás dele. Passei meus braços por sua cintura e deitei a cabeça em seu ombro, sentido a fragrância forte de seu perfume. Um cheiro que estava começando a amar. Que tipo de pensamento é esse? Eu estava muito ferrada. O lado bom é que o caminho até a escola era curto e não fiquei sentindo seu cheiro por muito tempo então não pensei tanta besteira. Só algumas, que não valem a pena nem mencionar. Não precisei pedir para ele parar antes da escola, nem tinha pensando nisso tão ocupada estava pensando em formas interessantes dele me beijar, mas ele parecia ter pensando nisso e parou na esquina da escola. Fiquei tocada por seu cuidado. Realmente não estava pronta para contar para todos que estávamos namorando. Namorando. Deus, nem eu acredito nisso ainda. Mas se fosse um sonho, até que era bom e não queria acordar. Não ainda. Desci da moto e entreguei seu capacete, então me despedir, virando para ir embora, mas ele segurou minha mão. —Se despeça direito do seu namorado —exigiu ele e revirei os olhos, beijando seus lábios de leve, retribuindo a mordida no lábio —Agora sim —sussurrou de olhos fechados, um leve sorriso em seu rosto —Te vejo daqui a pouco. Sair da frente, o deixando ir, com um sorriso bobo estampado em meu rosto. Tinha a sensação que não falamos tudo que deveríamos, mas isso não importava. Eu acho. Estava feliz. E estava tudo bem. Eu estava bem. E namorando. É, eu nunca pensei que isso um dia aconteceria. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Eu sempre tento não pensar nas coisas que não posso ter, isso evita a expectativa e por consequência, a decepção, por isso o pensamento de ser a namorada de alguém nunca tinha passado pela minha mente antes. Eu evitava a todo custo fantasiar sobre isso, pois pensava ser a coisa mais impossível de acontecer comigo, mas agora estava acontecendo. Parecia tão surreal. Principalmente por ser Cristiano. Esperava que a qualquer momento ele fosse me olhar e rir da minha cara por ser i****a o suficiente de acreditar que ele gostava de mim. Tinha sido ensinada a sempre desconfiar quando algo bom acontecer. E o pior que aqueles primeiros dias ao lado dele eram simplesmente maravilhosos. Toda manhã ele vinha me buscar e sempre me trazia algo para comer, quando reclamava que iria engordar mais, ele apenas dizia o quanto eu era linda do jeito que era. Não acreditava nele, mas ficava toda boba por isso. Na escola não falava comigo e apesar de isso me incomodar um pouco, sabia que só fazia isso porque era o que eu queria. Ele sempre deixava claro que preferia que todos soubessem que eu era dele. Isso também me deixava toda boba, mas ainda não me sentia confiante o suficiente para isso. O medo ainda era maior. Mesmo sem entender, ele aceitava isso, apesar de roubar beijos meus sempre que tinha uma oportunidade. Em qualquer lugar da escola. Estava até me acostumando com ele me agarrando do nada quando estava sozinha e até que gostava, mesmo que isso ainda fosse me matar do coração. E ele sempre vinha para minha casa quando estava sozinha, o que acontecia algumas vezes por semana. Esses momentos se resumiam a muitos beijos e pegação. O único lado r**m é que não conversamos muito. Não sei muito sobre ele, nem ele sobre mim. Me pergunto se não deveríamos falar mais e beijar menos, mas Cristiano sempre me distraía desses pensamentos quando estava por perto. Não sabia se deveria o questionar sobre isso ou só deixar para lá. Era tudo tão novo. Eu não sabia como ser a namorada. Não sabia o que podia ou não dizer. Quando estava com ele, com seus toques e beijos, estava tudo certo , tudo ótimo, mas quando não estávamos, minha cabeça estava sempre confusa, cheia de pensamentos. Eu era tão insegura. E minha inexperiência deixava isso pior, porque não queria ser uma namorada chata, que fica reclamando de besteiras ou se importando com besteiras. Queria ser uma boa namorada, compreensiva e gentil. Esperava que toda essa insegurança diminuísse com o passar dos dias.
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