Te amar

863 Palavras
Quando escutei as batidas na porta, meu coração acelerou. Eu estava nervosa. Muito nervosa. Mas não tinha motivo. Nenhum. Era apenas Cristiano que estava do outro lado da porta. O que poderia acontecer? Com nós dois sozinhos em casa? Pensando melhor, eu realmente tinha motivos para ficar nervosa. Muitos motivos. Não esperei ele bater outra vez e abri a porta, mas quando o encarei, não soube o que dizer. E ele também parecia não saber. Ficamos um longo tempo apenas nos encarando. Aquela situação era ridícula. —Não vai me deixar entrar? —perguntou ele, quebrando o silêncio insuportável. —É... Claro —lhe dei passagem e fechei a porta antes de virar para ele, que já se acomodava em meu sofá —Eu disse para você não vim. —Mas não estava sendo sincera —piscou o olho para mim, antes de focar na Tv ligada, que passava algum filme aleatório. Estava nervosa demais para prestar atenção —Esse filme é chato para caramba. Não o respondi, apenas desliguei a televisão, então me sentei no sofá de frente para ele, séria. —O que veio fazer aqui, Cristiano? —lhe perguntei. Estava tão cansada de não saber exatamente o que estava acontecendo comigo, com ele, com nós dois. —O que você quer que eu faça? —devolveu a pergunta, seu olhar descendo por meu corpo. Isso fez minhas bochechas esquentarem. Não gostava da atenção que ele estava me dando. Ou gostava? Aquilo era desconfortável. —Não quero nada —falei rápido e ele sorriu, não acreditando em mim. Na verdade, tinha muitas coisas que eu queria fazer, só não sei se ele é o cara com quem quero fazer essas coisas. —Tem certeza? —ele levantou, vindo para o meu lado. Meu coração acelerou com sua aproximação, podia até sentir o cheiro forte de seu perfume, que, sinceramente, não me desagradava —Por que me mandou mensagem, Anna? O meu nome saindo de seus lábios era estranho. Não estava acostumada a escutar ele dizer o meu nome. Normalmente ele não o pronunciava. —Eu... —pensei em me levantar, mas antes que pudesse fazer isso, ele colocou a mão no braço do sofá, me prendendo —Eu não sei. —Você sabe sim —seus olhos desceram para meus lábios —Nós dois sabemos. Ele aproximou seu rosto do meu lentamente, seus olhos buscando os meus, procurando qualquer indício de rejeição, mas eu não o rejeitei, na verdade olhei pra seus lábios, tão vermelhos e carnudos, desejando sentir seu gosto novamente, o sentir novamente. Estava ficando louca, sinceramente, mas quando teria aquela oportunidade de novo? Quando algum garoto iria ter vontade de me beijar? Ou iria mostrar algum interesse por mim? E eu queria tanto experimentar aquelas coisas que tanto li nos livros e escutei falar. O que há de errado nisso? Qual vai ser a consequência? Me inclinei, acabando com o pouco espaço que tinha, juntando nossos lábios. Mesmo que só tivesse o beijado duas vezes, já me sentia tão familiarizada com ele, que nem me importei em começar aquele beijo, minhas mãos automaticamente indo para seus cabelos, sentindo a maciez entre meus dedos. Cristiano não demorou a corresponder meu beijo, suas mãos descendo pelo meu corpo, tocando e apertando todos os lugares. E entre um amasso e outro, acabei deitada no sofá com ele entre minhas pernas. Não era tão r**m ter alguém em cima de mim, menos r**m do que imaginei que seria, mas só conseguia pensar que aquilo estava indo rápido demais. Estávamos indo rápido demais. —Cristiano —sussurrei, minha voz saindo mais fraca do que eu gostaria —O que estamos fazendo? —Nos entendendo? —sugeriu ele entre beijos no meu pescoço. Sua língua em minha pele me distraía. —Mas ... —minha voz saiu hesitante e isso o fez levantar a cabeça para olhar em meus olhos. Ele parecia preocupado. —Eu não sou bom com as palavras, Anna —admitiu ele desviando o olhar, envergonhado —Na verdade, em 99% das vezes que abro a boca só falo merda. Você sabe disso —levantou o olhar para os meus olhos, parecendo tão sincero —Mas eu amo você. Me deixe te mostrar isso, por favor —beijou o cantinho da minha boca —Me deixe cuidar de você —beijou o queixo —Te amar de todas as formas que eu posso —desceu para meu pescoço, seus beijos causando calafrios pela minha pele —Me deixe te conquistar. Eu estava com medo. Com medo de acreditar nele, de realmente começar a gostar dele e depois descobri que era tudo uma brincadeira. Pensar em todas às vezes que ele falou algo que me magoou, me deixou triste, deixava uma sensação amarga em meu peito, me deixava mais desconfiada, mas não o impedi quando voltou a me beijar. Suas palavras rodavam em minha cabeça, se repetindo várias vezes. Eu posso acreditar nisso, Deus? Posso acreditar que alguém é realmente capaz de gostar de mim? Desse jeito horrível que eu sou? Posso me permitir amar alguém? Não queria mais pensar em nada disso, nem analisar. Estava cansada de pensar, queria apenas sentir.
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