CAPÍTULO 22

620 Palavras

O banheiro estava mergulhado numa luz fria, quase clínica. Ana apoiou as mãos na pia de mármore, encarando o próprio reflexo como se ele pudesse lhe dar respostas. O rosto pálido, os olhos cansados, a respiração curta demais para alguém que tentava fingir normalidade. Ela sabia. O corpo sempre sabe antes da mente aceitar. O atraso, o enjoo discreto, o cansaço que não passava. Os sentidos mais sensíveis, as emoções à flor da pele. Pequenos sinais que ela havia ignorado porque admitir significava admitir demais. O teste estava sobre a bancada. Branco. Simples. c***l. Ana respirou fundo antes de pegá-lo. As mãos tremiam levemente. Não de medo, apenas mas de consciência. De tudo o que aquele pequeno objeto poderia destruir ou selar para sempre. Ela fez o teste em silêncio, c

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