Capítulo 14: A Dama da Noite e do Aço

463 Palavras
POV: Lorena A cidade pequena pode ser um tédio para muitos, mas para mim, ela é um mapa de oportunidades. Eu sempre fui da pista, sempre amei o barulho dos clubes e a energia da noite. E se tem uma coisa que a balada me ensinou, é que o álcool solta a língua de quem sabe demais e a guarda de quem se acha intocável. Mesmo grávida, eu não perdi o meu brilho. Eu não ia para beber, eu ia para ser vista e, principalmente, para ouvir. Eu colocava um vestido que valorizava a barriga, um batom forte e entrava nos camarotes como se fosse a dona do lugar. — Lorena! Achei que você tinha sumido do mapa — disse o gerente de uma das casas noturnas mais movimentadas da região, um cara que já tinha feito negócios com o Benjamin no passado. — Eu só estava me reposicionando, querido — respondi com um sorriso enigmático, aceitando uma água tônica. — O mundo gira, e eu giro com ele. Ali, no meio da fumaça e das luzes neon, eu comecei a tecer a minha rede. Entre uma conversa e outra com os "playboys" da cidade e os seguranças dos clubes, eu descobri quem estava tentando crescer nos pontos do meu irmão. Descobri quem eram os fornecedores que estavam órfãos de um bom gerente. Em uma dessas noites, em um canto escuro de uma tabacaria VIP, encontrei quem eu precisava: um atravessador de armas que frequentava as mesmas festas que eu. — Ouvi dizer que você está procurando algo mais pesado do que o que carrega na bolsa — ele murmurou, impressionado com a minha audácia. — Eu não procuro, eu encontro — respondi, aproximando o rosto. — Eu preciso de peças que não falham. Preciso de conexão direta. O Benjamin está voltando, e a recepção dele tem que ser em grande estilo. Minha fama de baladeira me dava o álibi perfeito. Se a polícia me visse, eu era só uma mulher jovem curtindo a noite. m*l sabiam eles que, entre um flash e outro, eu estava fechando carregamentos e garantindo que o dinheiro dos pontos fluísse para o arsenal da Yasmin. Eu saía da balada quando o sol nascia, com o salto na mão e a mente cheia de novos contatos. Enquanto a cidade acordava, eu chegava em casa para cuidar da Sofia, sabendo que cada risada que dei na pista me rendeu um passo a mais em direção à nossa vingança. O Gustavo achou que me jogou na lama. Ele só esqueceu que eu sei dançar nela sem me sujar. — A festa está só começando, Abigail — sussurrei ao entrar em casa, guardando um maço de notas que consegui em uma negociação rápida no camarote. — E vocês não foram convidados.
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