Capítulo 15: O Contato de Ouro

474 Palavras
POV: Lorena A música eletrônica batia no peito, sincronizada com os chutes do Lucca. Eu estava no camarote da "Imperial", a maior balada da região. O ar condicionado m*l dava conta do calor humano, mas eu estava gelada, observando cada movimento. Eu não estava ali para dançar; eu estava caçando. Foi quando ele apareceu. Um homem que todos chamavam de "Turco". Ele não era de beber, não era de aparecer, mas era quem controlava a entrada de mercadoria pesada vinda da fronteira. O Benjamin já tinha citado esse nome em uma das cartas, mas dizia que ele era inalcançável. Ajeitei meu vestido, respirei fundo e caminhei até a mesa dele. Os seguranças tentaram barrar, mas eu apenas sorri e apontei para a barriga. — Ele não vai querer ser o homem que barrou uma mãe grávida com um recado do Benjamin, vai? O Turco fez um sinal com a mão. A guarda baixou. — O Benjamin está trancado, menina. O que você poderia ter que me interesse? — ele perguntou, a voz rouca escondida pelo barulho da pista. — Eu tenho o controle de três pontos que ele deixou aqui, e o acesso direto à Yasmin, que está operando o que era do Guel na outra cidade. O Benjamin não está sozinho, ele tem nós duas. E a gente não quer migalha. A gente quer o contato de ouro para armar uma retomada que essa região nunca viu. Ele me olhou com um respeito novo. Viu que eu não era só mais uma menina bonita na balada. Viu o brilho de ambição nos meus olhos. — Você tem coragem, Lorena. Muita gente correu quando o Guel caiu. Por que você ficou? — Porque o sangue não seca se a gente não lavar com fogo — respondi, inclinando o corpo para a frente. — Eu quero uma linha direta para b***s e munição. Sem atravessador. O lucro vai direto para a sua mão, e o ferro vem direto para a minha. O Turco deu um gole demorado no seu café. Depois, tirou um cartão preto da carteira e deslizou pela mesa de vidro. — Liga nesse número amanhã, às quatro da manhã. Se você atender, a gente conversa sobre o primeiro carregamento. Se não atender, esquece que eu existo. Peguei o cartão e guardei no decote. Senti o peso daquela pequena vitória. Eu tinha conseguido o que o Benjamin tentou por anos. Ali, entre luzes neon e fumaça, eu não era mais a expulsa, a coitada, ou a grávida desamparada. Eu era a mulher que tinha acabado de garantir que o Benjamin sairia daquela prisão com um exército à sua disposição. Saí da balada com o sol começando a surgir, sentindo que a cidade pequena já estava ficando curta para o meu tamanho. O plano estava subindo de nível. O contato de ouro era meu.
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