POV: Lorena
Eu olhei para o teto daquela casa miserável e fiz um juramento. O Gustavo e a Abigail acham que me jogaram no lixo, mas eles só me plantaram no lugar certo para eu crescer e sufocar todo mundo.
Eu não vou esperar por migalhas. Se a Yasmin é a mente e o terror lá na nossa cidade, eu serei o braço armado que ninguém viu chegando aqui. Só espera eu me reerguer. Só espera o primeiro lucro dos pontos que o Benjamin deixou cair nas minhas mãos.
A primeira coisa que eu vou comprar não é móvel novo, nem roupa cara. Eu vou comprar o meu próprio oitão.
Um revólver que fale mais alto que a voz do meu padrasto. Um aço que garanta que meus filhos nunca mais vão dormir com medo de serem despejados.
Eles vão ouvir a história da "pobre coitada" que foi expulsa de casa com duas crianças e uma mão na frente e outra atrás. Vão rir da grávida que andava pelas ruas de uma cidade pequena sem ter onde cair morta. Mas o final dessa história vai ser escrito com o sangue de quem traiu o Guel e de quem abandonou o Benjamin.
A vingança é um prato que eu estou temperando com o ódio de cada noite que passei em claro.
— Dorme, Sofia. Chuta, Lucca — eu sussurrei, sentindo o peso da responsabilidade e a leveza da decisão tomada. — A mãe de vocês não é mais uma vítima. A partir de hoje, eu sou o pesadelo de quem nos fez chorar.
Eu vou me fortalecer. Vou armar cada canto dessa vida. E quando eu e a Yasmin nos encontrarmos de novo, não vai ser para lamentar a nossa sorte. Vai ser para cobrar a conta.
De expulsa de casa a dona do tabuleiro. O mundo ainda vai tremer quando ouvir o nome das irmãs que despertaram.