Capítulo 7: O Trono de Poeira

415 Palavras
POV: Lorena A cidade nova era pequena, silenciosa e tinha aquele cheiro de chuva parada que me dava angústia. Eu estava em um lugar onde ninguém sabia meu nome, ninguém conhecia minha história e ninguém se importava com a minha barriga de seis meses. A casa que aluguei era pouco mais que quatro paredes descascadas e um teto que ameaçava ceder. Sentei no chão com a Sofia, olhando para as nossas poucas malas. Eu não tinha emprego, não tinha renda, e o dono da casa esperava o pagamento em trinta dias. O desespero bateu na porta, mas eu não abri. Eu não tinha tempo para ter medo. Enquanto a Sofia dormia, minha mente trabalhava rápido. Eu sabia que o Benjamin tinha ramificações aqui. Antes de cair, meu irmão tinha deixado pontos estratégicos nessa região, conexões que agora estavam pegando poeira e sendo visadas por gente de fora. Eu estava exatamente com o mesmo pensamento da Yasmin, embora a gente não tivesse se falado. A dor da traição da Abigail e a zombaria do Gustavo... aquilo agora era ruído de fundo. Eu não ia gastar minha energia odiando gente pequena. Eu tinha coisas muito maiores para fazer. Eu ia me fortalecer. — Eles acham que eu vim aqui para me esconder — sussurrei para o Lucca, sentindo ele se mexer na minha barriga. — Eles acham que eu sou só uma mãe solteira fugindo de uma medida protetiva. Mas eu vim para tomar o que é do meu irmão. Se o Ben está preso e o Guel está morto, eu sou a única lei que sobrou para esse legado. A vingança pelo meu primo e a proteção do Ben exigiam dinheiro. E dinheiro, naquele mundo, só vinha com poder. Eu ia descobrir quem eram os contatos do Benjamin aqui. Ia bater de porta em porta se fosse preciso. Eu ia transformar aquela casa caindo aos pedaços no meu quartel-general. A Abigail pode ter ficado com o marido e com a casa dela, mas eu ia ficar com o respeito que eles nunca tiveram. Eu ia crescer na sombra, no silêncio, até ser grande demais para ser ignorada. — Ninguém vai encostar no seu tio Benjamin, Lucca. E ninguém vai fazer a sua irmã passar fome — prometi, olhando para a faca que eu ainda carregava na bolsa, a única herança que trouxe daquela briga. O jogo tinha começado. E dessa vez, eu não ia lutar com os punhos. Eu ia lutar como a dona do tabuleiro.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR