POV: Benjamin (O Alvo)
O ar no presídio é pesado, mas hoje ele tem gosto de pólvora. Através de um celular clandestino, que me custou o resto do meu respeito e as últimas economias, eu dei o sinal.
— Yasmin, Lorena... vocês estão ouvindo? — minha voz saiu baixa, escondido debaixo do lençol. — O tempo de chorar pelo Guel acabou. Se a gente não assumir agora, os traidores vão usar o dinheiro do nosso sangue para comprar o juiz que vai me condenar ou o matador que vai me pegar no pátio.
Eu dei os nomes. Os contatos. As senhas de cada ponto que ainda me era leal.
— Façam o dinheiro girar. Eu preciso de proteção aqui dentro, e vocês precisam de ferro aí fora.
POV: Yasmin (A Mente)
Ouvi a voz do Ben e senti a bomba dentro de mim estabilizar. Agora eu tinha um cronograma.
— Eu já comecei, Ben — respondi, olhando para o Vítor, que conferia uma lista de nomes no papel. — Aqui na cidade, os pontos do Guel já estão voltando a operar na sombra. Ninguém sabe que sou eu, acham que é um "fantasma" do primo que voltou. O lucro dessa semana já está separado.
Eu não queria luxo. Eu não queria roupas novas.
— Lorena, o primeiro malote vai para você. Use para o que a gente conversou. O dinheiro vai virar aço. Ninguém mexe com a nossa família e sai ileso. O silêncio agora é só o barulho da nossa preparação.
POV: Lorena (A Execução)
Eu estava na sala escura da minha casa nova, o celular encostado no ouvido e a Sofia dormindo no canto. O dinheiro da Yasmin chegaria em dois dias por um entregador de confiança.
— Recebido, Yasmin. Ben, aqui na cidade pequena o pessoal é desconfiado, mas eu já marquei território. Eles viram a barriga de grávida e acharam que eu era inofensiva. Sorri para eles enquanto anotava quem era quem.
Eu já tinha o contato do "armador". Precisávamos de b***s, peças curtas e muita munição.
— O plano é simples: dominar os pontos, centralizar o lucro e armar cada palmo dessa terra. A Abigail e o Gustavo que fiquem com a vidinha medíocre deles. A gente vai construir um exército. Se os amigos do Guel queriam os pontos dele, eles vão ter... mas vai ser o ponto final da vida deles.
POV: Benjamin
— Fechado. A partir de hoje, não somos mais três irmãos abandonados. Somos uma firma.
— Uma firma — Yasmin repetiu.
— E quem traiu vai pagar com juros — finalizei, sentindo o Lucca chutar.
O plano estava traçado. O dinheiro começou a fluir das esquinas direto para os esconderijos. Cada nota contada era uma bala comprada. A traição da nossa mãe nos deixou sem teto, mas o sangue do nosso primo nos deu um império.