O quarto simples, com paredes claras e cortinas leves, estava silencioso. Anne sentou-se no chão, o caderno de desenho aberto sobre os joelhos, os lápis espalhados ao redor como uma bagunça familiar. A camiseta de Lord ainda a envolvia, mesmo com o moletom dobrado ao lado. O cheiro dele grudado na pele, no tecido, na mente. As palavras da mãe ecoavam dentro dela como uma batida surda. “Ele não é o tipo de homem que ama. Ele é o tipo que marca. Que prende.” Ela apertou o lápis entre os dedos e começou a desenhar. Não sabia ao certo o quê. A mão se movia sozinha, como se tentasse traduzir aquilo que ela mesma não conseguia entender. Os traços eram duros, sombreados, intensos. O rosto de Lord começou a surgir no papel — olhos cinzentos como tempestade, expressão fria, mas com algo

