O portão eletrônico se abriu lentamente, revelando a mansão silenciosa no topo do Vidigal. Anne desceu da moto com os joelhos trêmulos, o vento da descida ainda gelado na pele. Lord entrou primeiro, tirando a camisa ensanguentada e jogando-a no chão da sala sem o menor cuidado. Ela ficou parada na entrada, olhando para a mancha vermelha no tecido. — Foi alguém do morro? — perguntou, a voz baixa. Ele não respondeu de imediato. Foi até o bar, pegou um copo, encheu com uísque e virou de uma vez só. Depois se encostou na bancada, cabeça baixa. — Tentaram encostar no meu nome. — O mesmo cara que armou pro meu pai, três anos atrás. — Hoje... ele não volta mais. Anne sentiu a garganta secar. — Você... matou ele? Ele levantou os olhos. Cinzas. Duros. Rasgando o silêncio como faca. —

