A varanda da mansão se abria como um mirante sobre o Vidigal. Lá embaixo, o morro começava a despertar: sons de passos, vozes distantes, latidos, o ronco de motos subindo e descendo. Mas ali em cima, no ponto mais alto, só havia o som das ondas quebrando lá embaixo e do vento leve batendo nos cabelos ruivos de Anne. Ela estava sentada numa espreguiçadeira, vestindo apenas a camiseta larga de Lord — que quase chegava nos joelhos — e tomando o segundo café do dia. Ele apareceu logo depois, também com uma xícara, camisa aberta, cigarro nos dedos. — Gosta da vista? — ele perguntou, sem emoção aparente. Anne assentiu, olhando o mar. — É linda. Parece um lugar de paz... — Mas não é — ele cortou. — Isso aqui engole gente. Todo dia. Ela virou o rosto devagar, encarando aquele homem que pa

