Anne desceu o morro em silêncio. O céu ainda tingido pelos tons suaves do amanhecer contrastava com a tempestade dentro dela. Cada passo parecia pesado, como se o corpo lutasse contra a realidade que se impunha brutalmente: ele a mandou embora. Sem explicação. Sem aviso. Sem piedade. Quando chegou em casa, Eva estava na cozinha, preparando café. Ao ver a filha entrando, com os olhos vermelhos, o rosto abatido e os ombros caídos, o coração de mãe se apertou. — Anne...? — ela largou a colher na pia. — O que aconteceu, filha? Anne não conseguiu responder. Só balançou a cabeça negativamente e correu para o quarto. Eva foi atrás, mas parou na porta. A filha estava sentada na cama, com as mãos cobrindo o rosto, o corpo tremendo em um choro silencioso que doía só de ver. — Foi o Lord, não fo

