Capítulo 6

1110 Palavras
Sandro Bernardi Entendo a revolta de Fanny, mas ela precisa entender que dentro da máfia existem costumes antigos que não podem ser quebrados. Leonel é o meu único filho homem, portanto, sua posição é incontestável. Por direito, ele é meu sucessor, embora tenha algumas preocupações quanto a isso. Dou minhas considerações finais e dispenso Leonel e Lorenzo. Depois vou para meu escritório decidir os detalhes finais da minha viagem para Las Vegas. Os negócios nos casinos e boates de lá sempre foram muito bem, mas ultimamente tem dado pouco retorno financeiro, então, estou partindo em viagem para descobrir o que está acontecendo. Porém, antes eu preciso deixar tudo muito bem encaminhado, pois nunca se sabe o que pode acontecer em uma viagem como esta. A vida na máfia é muito rentável, porém, oferece muitos riscos. Com o casamento de Fanny e Lorenzo com data marcada, o casamento terá que acontecer. Lorenzo é filho de um dos maiores capos da Sicília, o que traz estabilidade para a máfia e evita brigas de poder. Com Leonel designado como meu sucessor, com testemunhas e documentos assinados, não há como alguém tentar se aproveitar caso eu venha a falecer. Depois de tudo organizado em meu escritório, parto finalmente para meu quarto e tento descansar, mas m*l me deito e alguém bate em minha porta. — Quem é? — Senhor, sua filha saiu e até agora não retornou. Pela voz é Vicenzo, esse homem cuida de Fanny como se fosse uma filha. Desde que ela era muito jovem, minha filha queria aprender a lutar e ele era o único que tinha paciência com ela, uma criança muito ativa que fazia perguntas sobre todas as coisas o tempo todo. — Entre - ordeno e meu soldado mais fiel entra. - O que aconteceu, Vicenzo? — Sua filha saiu com a prima para se divertir um pouco, mas ainda não voltaram. Tentei ligar para o telefone dela e não há resposta. Olho em meu relógio e vejo que são três da manhã, ainda é tempo de ela chegar. — Acalme-se, Vicenzo, ela irá voltar, ela sempre volta. — Aguardamos o retorno dela até que horas? — Espere as 5 horas, se ela não chegar até lá, pode colocar os carros atrás dela e me avise. — Tudo bem. Ele sai depois de sua resposta e fecha a porta atrás de si. Fanny sempre foi uma menina difícil de controlar, depois que completou a maioridade, ficou ainda mais complicado, mas sempre chegava antes de amanhecer e a essa hora ela já deveria ter chegado. Mas acredito que hoje ela esteja chateada com toda a situação, por isso vai ficar mais tempo na rua. Eu sei o quanto ela desejava fazer parte da Máfia e ser a minha sucessora, porém ela precisa entender que nem tudo eu posso fazer por ela. Retorno para o meu sono, tento, pelo menos. Rolo de um lado a outro e em um breve cochilo vejo um acidente. Em meu sonho o carro se chocava contra uma parede de rochas no fundo de um penhasco e explodia. Me sentei na cama imediatamente, suando frio. Olhei o relógio digital do meu quarto escuro e constatei que havia passado somente uma hora desde que Vicenzo veio me avisar sobre minha filha ainda não ter chegado. Pego meu telefone e ligo para o Vicenzo: — Vicenzo, pega o contato do rádio da polícia. — Com os nossos parceiros da polícia? O que exatamente eu peço pra nos notificarem? — Acidente, qualquer acidente que tenha acontecido pelos arredores durante a madrugada. Silêncio do outro lado da linha e então finalmente o soldado fala: — O senhor acha que... Ele para de falar, mas todos nós sabemos o que cogitei, porém o medo de falar e aquilo se tornar realidade, como se as palavras dessem vida às coisas, era muito grande. — Só busca por acidentes nos arredores durante a madrugada, Vicenzo. — Sim senhor. O telefone fica mudo e eu me deito novamente, porém, não há condições de adormecer. Fico acordado e rolando na cama até que meu celular toca novamente e eu atendo. — Fala, Vicenzo. — Senhor, esta madrugada teve dois acidentes. Um aconteceu há poucos minutos e a polícia já está indo para lá, mas é no limite da Cidade e outro é mais próximo e aconteceu por volta das 4h da manhã, também não faz tanto tempo e a polícia ainda está no local. — Descubra qual equipe está nos dois acidentes e se não tiver nenhum dos nossos, dê um jeito de colocar um dos nossos lá e nos passar informação. — Verei isso agora mesmo. Ao desligar o telefone, me levanto, pois não consigo dormir mais de forma alguma. Então vou buscar o que fazer. Vou para o banho, me visto, abro a gaveta ao lado de minha cama e pego a minha arma. Coloco-a na parte de trás da calça. Visto a camisa preta, larga que cobre minha roupa e disfarça o volume da arma. Vou para o stand de tiro passar o tempo, mas m*l chego lá o telefone toca novamente. Vicenzo. — Fala. — Consegui as informações: o acidente que ocorreu mais próximo havia três rapazes no carro, todos alcoolizados. O acidente no limite da Cidade as vítimas são duas moças, com níveis baixos de álcool no organismo. — Descrição das duas moças - exijo. — Entre 17 e 20 anos, as duas. No porta luvas do carro foi encontrado documentos das vítimas, porém, havia mais de uma identidade para cada uma, o que dificulta o trabalho dos policiais. Suspiro fundo, já sei que é Alessa. — Estado de saúde das duas jovens. — Uma das moças bateu a cabeça e desmaiou, mas passa bem. A previsão é que desperte logo. Mas a outra, bateu a cabeça no volante com muita força... eles disseram um nome que não me lembro, mas ela precisou colocar um colar cervical e exige mais cuidados que a outra. Com essas informações, já sei que as vítimas são Alessa e Fanny, as duas possuem identidade falsa, Fanny deveria estar dirigindo, por isso a vítima com o colar cervical deve ser ela. Só para ter certeza, eu faço a pergunta final. — Qual a cor do carro? Ouço Vicenzo suspirar do outro lado. — Vermelho, senhor. - Antes que eu perguntasse ele completou - O carro envolvido no acidente é da mesma cor e marca que o carro de Fanny, aquele que o senhor deu de presente para ela no aniversário. E esse foi o carro que ela usou para sair com a prima. Preciso socorrer minha filha urgentemente, sem que nossa famiglia seja prejudicada.
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