Capítulo 4

849 Palavras
Mia Passo vários dias no hospital, aquele cachorro do Manoel me deixou toda quebrada. O doutor Moretti é um bom homem, garantiu que as despesas seriam por sua conta, o que foi um alívio para mim, pois eu não teria dinheiro para pagar. Minha mãe veio em uma visita, trouxe meu filho e eu não tive coragem de dizer a ele que foi seu pai quem me deixou daquele jeito. — O que aconteceu com você, mamãe? Por que está cheia de dodói? Olho para minha mãe e ela n**a, como se eu fosse capaz de dizer a verdade a uma criança de três anos de idade. Meus olhos já desincharam, só estão roxos e com uma marca de sangue na parte branca dos olhos, que o doutor garantiu que irá sumir com o tempo. — Um carro pegou mamãe, filho, mas o doutor chegou bem na hora e ajudou a mamãe. Estendo o braço para ele e meu filho vem me abraçar. Beijo seus cabelinhos encaracolados. — A vovó falou que vai fazer um bolo no meu aniversário e vai chamar todos os meus amiguinhos da escolinha. Sorrio para o meu filho, mas meu rosto dói e este simples acontecimento só ajuda a manter o ódio que sinto de meu marido. — Que lindo, meu filho. Já escolheu o tema do seu bolinho? — Eu quero de herói. Ele sai pelo quarto para correr como se fosse um homem voando, meu filho havia desenvolvido um gosto por super heróis ultimamente, que agora tudo o que quer tem que ter super-heróis. — Vai ganhar alta quando, minha filha? — O médico disse que talvez me daria alta hoje, se todos os meus exames fossem bons. — Você vai voltar para casa comigo, não é? - questiona minha mãe que já é uma mulher de 60 anos, e seu cansaço por ter ficado comigo aqui há alguns dias e depois voltar para casa e pegar meu filho para me visitar... está estampado em seu rosto e isto só reafirma o que devo fazer. — Não, mãe, eu vou pra minha casa. — Vai voltar pra aquele crápula? Ele quase te matou, na próxima ele mata de verdade. — Mãe, deixa comigo. Eu não vou ficar muito tempo, só vou resolver umas coisas. Minha mãe me olha atravessado, provavelmente já imaginando que eu tinha algo em mente. — Não vai fazer besteira, Mia. Não consigo encarar minha mãe, viro o rosto e falo: — Deixa comigo, mãe, só toma conta do Bernardo pra mim. — Agora fiquei ainda mais preocupada - Ele chega mais perto pra falar baixo e meu filho não ouvir - Parece que vai se matar. — Não! - Exclamo e encaro minha mãe novamente - Eu já tinha desistido de viver, naquele dia achei que seria melhor morrer e acabar com esse sofrimento, mas quando lembrei do meu filho ... - Olhei meu filho que corria pela sala do hospital com um bonequinho de super-herói na mão. Uma lágrima escorre de meus olhos - Senti que não podia deixa-lo sem a mãe. Minha mãe abre a boca pra falar alguma coisa, mas é interrompida pelo doutor Moretti que entra no quarto com um sorriso animador no rosto. — Senhora Mia Lacerda, tenho ótimas notícias. Seus exames estão ótimos - Ele fala passando folhas de exame e me olha em seguida - Vou te dar sua alta, agora mesmo. Sorrio, finalmente vou poder sair dessa cama. Festejo com a minha mãe que me abraça e meu filho vem fazer parte do abraço coletivo, sem entender exatamente o que acontecia. Saio do hospital com minha mãe, mas vou para a minha casa e não para a dela, o que a deixa contrariada. Mas o que Manoel fez comigo não pode ficar de graça. Pego um carro de aplicativo que me deixa em casa. Entro e está tudo quebrado e revirado, e é claro, o imprestável do meu marido não está em casa. Pego minha mala e coloco no canto da sala, não arrumo nada, mas pego uma faca na cozinha e me sento no sofá da sala que está completamente fora de lugar. A hora passa e ele não chega. Começo a pensar se ele não foi embora ou se aconteceu algo a ele. Uma raiva inesperada cresce dentro de mim ao imaginar que pode ter acontecido algo que retirou de mim a chance de matar esse homem. Vou até a geladeira e vejo que não tem cerveja ou qualquer outra coisa, ela está vazia e nem água tem. Começo a achar que ele foi embora, me sento na sala decidida a esperar ele aparecer até o amanhecer, se ele não voltar para casa, vou para a casa de minha mãe. Pego meu celular e fico mexendo nas redes sociais, adormeço depois de ficar ali na mesma posição por muitas horas. Mas acordo com um barulho alto, alguém chutou o portão. Pelo menos o barulho, me pareceu ser isso. O som me desperta imediatamente e não é por causa do sono, é a sede de vingança que tenho agora.
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