Capítulo 2

1394 Palavras
Fanny Furiosa, comecei a subir as escadas na direção de meu quarto. Alessa havia ficado lá bordando o meu tecido, mas estava torcendo que ela já tivesse terminado e ido embora ou simplesmente deixado meu bordado por fazer. Não me importava mais com nada, só queria chegar em meu quarto e pensar no que fazer e de preferência sozinha. Estava disposta a me casar com Lorenzo se essa era a vontade de meu pai, desde que meu lugar na sucessão estivesse garantido. Até fingi aprender seus pratos preferidos, bordados, etiqueta de uma moça recatada na sociedade, mas agora tudo isso foi jogado no lixo. De nada adiantou aprender a lutar e a atirar, conhecer os principais negócios... meu pai só estava brincando comigo o tempo todo. A raiva subiu ainda mais intensa com esse pensamento. Abri a porta de meu quarto e Alessa estava sentada no mesmo lugar bordando. Não sei como aguenta, mas a pessoa parecia muito entretida, mas eu queria ficar sozinha. — E aí, como foi? – Ela quis saber. Me sentei aos pés da cama desanimada e olhei em seus olhos castanhos. — Péssimo. Na sequência contei a ela o que havia acontecido. Ela me ouviu cuidadosamente, sem opinar, sem me interromper. Apenas me ouviu. Depois que terminei de contar tudo e já ia pedir para que ela me deixasse sozinha, Alessa me surpreende. — Vamos dar um susto no seu pai. — O quê? Como? — Vamos fugir, não definitivamente, só durante a noite. Ele vai colocar todos os homens a nossa procura, vai virar a Sicília de cabeça para baixo, vai quase mata-lo coração. Acho que é uma boa punição. Comecei a rir, não sei se de nervoso ou de surpresa. Alessa era mais nova que eu, faria dezoito anos em alguns meses e sua personalidade era meu oposto, sempre muito recatada e aceitava seu suposto lugar dentro da máfia italiana, mas em momentos assim ela me surpreendia. — Quando tínhamos dez anos fugimos pro bosque da mansão e já foi assustador, hoje não vamos fugir para o bosque. — Você tinha dez, eu tinha oito, e não achei assustador, achei bem legal. E não somos mais crianças, somos adultas. — Eu sou adulta. — Vai querer fugir ou não? – A fala decidida de minha prima me surpreendeu novamente. — Vamos. Então, temos que sair logo, antes que ele saia da sala de reuniões. Alessa abandonou seu bordado e me seguiu para o closet. Vestimos algo bonito, sexy, mas que fosse quente o suficiente para suportar a noite gelada. Calçamos botas, luvas e peguei uma caixa escondida no fundo do compartimento de sapatos. Abri e lá estavam minhas armas escondidas: Uma pistola carregada e três facas de combate. Sabia que um dia seria necessário ter essas armas escondidas em meu quarto. Não sairia a noite sozinha com minha prima de dezessete anos, desarmada. Enfiei a arma no cós da minha calça de couro e escondi debaixo da jaqueta. Coloquei uma faca na minha bota e as outras duas entreguei a ela. — Na dúvida, só passa isso no pescoço do i*****l. — Acha que não sei me defender, Fanny? Posso não ser a sucessora da máfia, mas sei usar uma faca muito bem, e sei usar uma arma de fogo também, se você não sabe. — É, eu não sabia. Muitas surpresas sobre você hoje, priminha. — Vamos logo. — Como vamos sair sem que nos vejam? – Questionei porque eu ainda não tinha pensado nesse detalhe. Alessa apoiou a mão no queixo, pensando. Me mexi nevosa, com medo que alguém, meu pai mais especificamente, resolvesse vir a meu quarto e nos pegasse arrumadas para sair na noite fria e armadas. — Não vai ter jeito, vamos ter que arriscar. Tem brutamontes em cada buraco desse lugar. — Eu sou adulta, Alessa, posso pegar meu carro e sair a hora que quiser, não preciso sair escondida. Só preciso sair antes que meu pai nos veja assim. — Então estamos perdendo tempo aqui. Deixamos meu quarto conversando tranquilamente para não levantar suspeitas. O lugar era cheio de pessoas andando de um lado a outro, se mantivermos a naturalidade, ninguém vai perceber os detalhes. Fomos até a garagem e peguei meu carro mais caro, era um importado que havia ganhado de aniversário de vinte anos. Quase não saía com ele, mas hoje era um dia especial, o dia que faria os últimos cabelos da cabeça do meu pai caírem. O portão foi aberto e vejo Vicenzo vir na minha direção. Pondero se devo acelerar ou esperar para ver o que ele quer. — Se acelerar ele vai mandar alguém nos seguir e não chegaremos na esquina. – Alessa fala. — Merda! – Paro o carro, mas estampo um lindo sorriso para que Vicenzo não perceba a minha real vontade. — Aonde vai essa hora, Fanny? — Sou uma mulher adulta, Vicenzo, vou sair para beber e dançar com minha prima. — Você é uma mulher adulta, Alessa não. — Quer ficar com ela, então? Eu vou de todo modo e você não tem motivos para me impedir. — Tem certeza que só vai se divertir um pouco? Nada de se meter em encrenca, pelo amor de Deus. – Havia preocupação genuína nos olhos dele. — Não se preocupe, Vicenzo, só vamos dançar um pouco e não vou deixar Alessa beber, pode deixar. Ele se afastou do carro um pouco desconfiado, mas nos permitiu passar. — Traidor! – Exclamei. — Teoricamente, ele não é um traidor. Seria se ficasse do seu lado e contra o chefe. – Acelerei e peguei a estrada sem destino. — Não me interessa. Ele me traiu, traiu minha amizade e minha confiança quando escolheu ficar do lado do meu pai. — É um sistema antigo, prima, não se muda de uma hora para outra. — Também não me interessa. Ele era meu amigo, tinha que ser leal a mim. — Ele é um soldado de confiança do chefe, se o trai, ele é morto. As palavras de Alessa me atingem, eu queria mesmo que ele fosse morto por mim, por defender minha amizade? — Tá, eu não o quero morto, muito menos por minha causa. — Então esquece essa de traição e vamos nos divertir. Dirigimos por bastante tempo. Fomos bem mais longe que de costume e isso seria ótimo porque quando resolvessem nos procurar, eles demorariam para nos encontrar. Com certeza os homens de meu pai iriam nas boates da família, e procurariam nas redondezas, então quanto mais longe, melhor, mais fora do radar deles estaríamos. Quase uma hora depois, eu só sabia onde estava devido ao GPS embutido no meu carro, se não fosse por isso não saberia voltar depois. Pesquisei no GPS uma boate ou clube por perto e encontrei o La-Class, não sabia que forma de boate era aquela, mas o que viesse estava valendo. Seguimos para lá, entramos na fila e na hora da identificação, estava pronta para fingir que havia esquecido nossas identidades, mas o segurança não estava preocupado com isso. Passamos por ele, sem nos fiscalizar ou pedir documentos, o que me fez sentir aliviada por não ter me desarmado. A música alta, o cheiro de bebida alcoólica no ar e casais se agarrando quase que na nossa frente. Fomos para o bar e pedi uma bebida, segundos depois senti alguém do meu lado. Por reflexo, achei que era um dos seguranças de meu pai e já estava prestes a esbravejar com o homem quando vi seus lindos olhos escuros me encarando, seu cabelo escuro caindo no rosto como franja e o sorriso... perfeito para derreter qualquer garota. — O que duas lindas moças fazem nesse lugar sozinhas? O analisei de cima abaixo. — Quem é você? Ele me estendeu a mão. — Luigi – Apertei sua mão – Luigi Moretti. — Prazer em te conhecer, Luigi. Eu sou Fanny e essa é minha prima Alessa. — Oi – Ela segurou a mão do homem com um sorriso. Tão simpática, minha prima. Nossas bebidas chegaram e começamos a beber, Luigi nos olhava de lado, mas nos observava o tempo todo. Isso estava me deixando desconfortável. — Esse cara tá estranho. – Minha prima cochichou em meu ouvido — Também acho. É melhor nós... Não consegui terminar de falar, pois fui interrompida pelo som de tiros dentro na boate.
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