sem revisão
Quando tudo estava em completo silêncio, saí do quarto de mansinho. Não resistir e vestir o pijama que ele deixou em cima da cama. Andei a passos silenciosos pelo longo corredor que estava em completa escuridão. Cheguei a sala, as luzes se acenderam sem que eu precisasse encontrar o interruptor, merda! Porque não estou surpresa? Lâmpada com sensor de calor!
Esperei por longos segundos para ter certeza que So Ho não estava por perto e tenha visto as luzes acesas. Já estava até com uma desculpa na ponta da língua.
Mas como não houve nem uma manifestação, nem sobrenatural, aproveitei para me localizar e entender onde fica o escritório, sei que as coisas que procuro devem estar lá, guardadas a sete chaves em alguma gaveta.
Abri uma porta e é a cozinha, cuja luz se acendeu imediatamente, cheguei a lavanderia e nada, deus, esse lugar é enorme, como é possível? Espera! E se o escritório for a porta no fim do corredor dos quartos? Eu já achei dois banheiros, um quarto para funcionária e… espera, ah, como notei. Saí bem rápido de volta para a sala e pum, escorreguei e caí de costa no chão. O barulho que fez com a minha queda deve ter acordado todo o prédio, mas nada disso era pior que a dor que estou sentindo nas costas. Que pesadelo, que pesadelo. Tento me levantar mas dói pra c****e. Meus dias como detetive chegaram ao fim.
-Clarisse, você está bem? - Lee apareceu na sala, segurando uma arma, que p***a! Desde quando esse homem tem uma arma? O rosto antes impassível foi tomado por preocupação.
-Se eu estivesse não estaria caída no chão. - p***a, tô prevendo semanas tomando relaxante muscular para aliviar a dor nas costas depois dessa queda.
-Amor, eu vou te ajudar a levantar, mas se sentir dor me avisa. - Ele diz guardando arma no cós da calça do pijama, se abaixando em seguida para fazer o que acabou de dizer.
-Se me chamar de amor de novo, é você quem vai precisar de ajuda. - ameaço.
-Clarisse, não é o momento para ser agressiva, se tenta alguma coisa quando estiver te levantando, posso perder o equilíbrio e você pode se machucar mais. - Ele me repreendeu.
-Só me ajuda - peço e assim Lee faz com todo cuidado.
Ele me leva até o sofá, onde me faz sentar, sempre com cuidado.
-Qual o nível da dor? - Lee perguntou sentado ao meu lado.
-Do tipo que uma semana de relaxante muscular resolve ou Dispropan, mas essa última vou ter que ir ao médico para que prescreva.
- Então a situação não tá legal, consegue andar até o elevador? Tá com a sua documentação? -Ele perguntou.
- Não e não - menti, não estava a fim de ir para o hospital e conhecendo o Lee So Ho, era justamente para um que ele pretendia me levar. - Isso tudo é apenas resultado da minha patetice, o chão é liso, deveria andar com mais cuidado. - Ele não precisa saber que estava correndo.
- Uma massagem ajuda a aliviar a dor, não ajuda? - Lee perguntou, ignorando completamente o fato de que caí por culpa própria.
- Se tivesse um gel de massagem… ei? Onde cê tá indo? - perguntei ao vê-lo levantar abrupto, consegui virar a cabeça o suficiente para vê-lo ir até uma porta que fica de encontro com a sala de jantar, ele a abriu, aquela era justamente a porta que eu estava indo abelhudar, que é na sala. A b***a aqui pensou que fosse um banheiro, mas eu nunca vi um banheiro na sala e com toda a certeza Lee não compraria um apartamento cuja sala tivesse um.
Ele voltou tão rápido como saiu, agora, segurando um vidro, sorri, aquele era o meu amigo inseparável de todas as horas, desde a época da faculdade, o gel canela de velho.
-Está tão velho que já precisa do velho para acalmar suas dores? - brinquei para não chorar.
Ele sorriu, mas não aquele sorriso pleno que ilumina todo o mundo e sim aquele para disfarçar a preocupação.
-Acho melhor você deitar de bruços, mas antes vai ter que tirar a parte de cima do pijama, para que eu possa massagear toda a extensão de sua costa. - Deus, ele disse de cabeça baixa, as bochechas assumindo um tom rosado.
-Um homem de 30 anos não deveria corar por pedir para uma mulher que já viu diversas vezes nua tirar a roupa. - Sim, eu tenho que provocá-lo.
-A situação é diferente, você ainda está com raiva de mim e está machucada. Não posso simplesmente mandar tirar a roupa e ficar de boa, se fosse algo diferente, eu não hesitaria em tirar a sua roupa e fazer amor com você nesse sofá. Mas agora, eu vou me virar enquanto você tirar a blusa e cobre seus s***s com ela, só vou virar se você pedir ajuda. - Bom, o cara tem… não, tinha uma arma na cintura e agora está sendo um fofo, quantas nuances ele adquiriu nos últimos anos?
-Eu vou precisar de ajuda para tirar ou esqueceu que a blusa do pijama é de mangas compridas? Ah, como você tem um pijama que ainda não lançou como reserva e exatamente do meu tamanho? - Eu tive que perguntar, era muito estranho.
Ele sorriu, aquele sorrisinho que faz o meu coração saltitar.
-Tenho meus contatos, ele veio da Coréia comigo. Comprei um pra você e outro pra mim, o meu é de anjinho, o seu de diabinho. - respondeu minha pergunta.
-Está dizendo que eu sou o d***o Lee So Ho? - Perguntei sentindo que aquilo era uma afronta a minha pessoa.
-É a minha diabinha, que mesmo depois de tantos anos, sempre atormentou meus pensamentos. - Ele fez menção de me tocar, mas as palavras dele me deixaram meio, em choque, que a minha reação foi dizer, não!
-Ainda vai querer que ajude a tirar a roupa? - Lee perguntou desviando o olhar.
- Eu vou querer, mas já sabe, se vier com mãos bobas enfio esse tubo no teu r**o. - O ameacei, sabendo muito bem que aquilo era só uma forma de mantê-lo distante e toda essa situação é minha culpa, tudo porque inventei de xeretar e não soube fazer direito.