Capítulo 3

1071 Palavras
Respirei fundo antes de entrar na sala na qual Guto Splinder está me esperando, não consigo imaginar a surpresa daquele individuo ao ver que a pessoa que ele desdenhou a alguns minutos, é a autora que ele está esperando. Vontade de dar meia voltar e ir embora é grande, mas... uma parte dentro de mim jamais permitiria pois é o meu sonho que estaria sendo jogado pelo ralo e eu, claro, não perderia a chance de olhar na cara daquele babaca ao descobrir que eu sou a autora que ele contatou, a Pandora. Alina, a mulher que veio falar comigo depois do ataque do senhor Spindler estava apenas esperando eu falar que estou pronta para poder anunciar a minha chegada e foi o que fiz, respirei fundo e olhei para ela, assentindo com um leve movimento de cabeça. A mulher deu duas batidas na porta e então a abriu pela metade. — Clarisse Castanho está aqui — a escutei anunciar. — Mande-a entrar — uma voz conhecida ordenou. Acho que eu bati a cabeça e não percebi, porque não é possível, essa não era a voz do Spindler. Alina abriu a porta dando espaço para eu entrar, um sorriso de incentivo surgiu no rosto da mulher, mas nesse momento, não era com o editor chefe que eu estava com receio de encontrar, com certeza estava enganada. Entrei dizendo a mim mesma que aquilo era apenas uma impressão da minha cabeça, que não esta doendo mais que provavelmente bati e não percebi. — Bom dia - me forcei a dizer com um sorriso que logo se desfez ao ver a pessoa sentada na cabeceira da mesa, sorrindo como se... —Você é a Clarisse Castanho? — Uma voz de embuste conhecida chama a minha atenção, desvio o olhar sentindo que todo o sangue se esvaiu do meu corpo. — Senhorita Castanho para você — respondi ríspida, mesmo com meu estômago embrulhando. —Nossa, estávamos ansiosos para a sua chegada, o senhor Lee falou muito bem dos seus livros e quando fizemos a leitura de “Nosso drama”, ficamos extasiados com a perfeição da escrita e da história, espero de verdade que aceite nossa proposta e assine com a gente. — Uma mulher animada de cabelos extremamente lisos falou ao surgir na minha frente. — Nossa, sua mão está tão gelada —ela observou ao tocá-las — você está bem— Ela perguntou com certa preocupação. —Por deus, Milena, deixe a moça respirar. Você deixa qualquer um tonto — Alguém mais velho pediu com certa irritação. — Mas confesso que esperava alguém mais jovem para o tipo de romance que lemos e está tudo bem que não seja. —Sinto que a pessoa falou diretamente comigo. O café da manhã estava ameaçando voltar com força total e tudo o que eu não precisava era depois de 7 anos, vomitar na frente daquele... o que diabos ele está fazendo aqui? Veio esfregar sua felicidade na minha cara? Porque simplesmente eu não compreendo. — Porque não responde mulher? — a mesma pessoa que falou anteriormente comigo, perguntou, mas agora completamente irritado. Eu não consegui articular uma única palavra, depois que a mulher saiu da minha frente, meus olhos focaram exatamente no homem que pensei que jamais retornaria a ver, não depois de tudo. — Acredito que a culpa é minha — escuto Spindler dizer. — Um pouco antes de entrarmos a senhora castanho sofreu um pequeno acidente e eu a tomei por uma qualquer, sequer verifiquei se ela se machucou com a queda. — Nossa, que desatencioso da sua parte, Gugu! — a tal da Milena o repreende. — Querida, se sente, por favor — uma voz suave diz e sinto alguém tocar meu braço e me guiar para sentar. — Chamem Alina e peçam para trazer um copo com água para a moça, não podemos falar de negócios com ela nesse estado. — Aquela voz irritada novamente fala. Meus olhos, infelizmente não conseguem desviar dos dele, eles sempre me prenderam com uma intensidade que me assusta. — Eu acredito que uma pausa antes de dar início a reunião seja o melhor no momento, Clarisse pode ficar aqui até se sentir melhor. Os demais, podem voltar para suas salas e mesas, eu fico com a nossa futura escritora. Houve alguns burburinhos, mas logo eu sentir a sala se esvaziar, restando apenas o homem que mesmo depois de anos ainda consegue abalar todas as minhas estruturas e eu, sozinhos. Eu não tinha forças para agir, vim atrás do meu sonho e desde que sair do elevador tudo tem dado errado, literalmente. Primeiro, um dos escritores que mais admirava foi um escroto gordofóbico comigo e agora, o meu ex i****a está aqui, na minha frente. Olhando pra mim com aquele sorriso fofo que me fazia acreditar que eu era a única mulher no mundo pra ele. Nossa, como o odeio por ter sido tão canalha ao ir embora e não voltar, por sequer ter terminado nossa relação de forma decente e ter mandado os pais fazerem isso no seu lugar. — Quando se acalmar, podemos conversar. — Ele disse tão fofo que meu coração virou uma britadeira. Contra todas as probabilidades, aquilo me fez despertar e retomar o controle de mim mesma. — Depois de sete anos você quer conversar? — Perguntei sentindo toda a surpresa dá lugar a ira. — Eu sei que já se passou muito tempo, mas não pude voltar antes e sabia que estava correndo o risco de você não me perdoar, porém... — Porém, nada — disse bem irritada. —, e ainda teve a coragem de usar o meu sonho para me atrair até aqui... Usar o livro que escrevi pra você... Isso foi baixo demais. Você é o CEO estrangeiro que está salvando a editora do buraco e está usando isso para me comprar também, só não sei o porquê, o que ganha com isso? Bom, não quero saber, agora sei que não estou aqui por mérito e sim, porque meu ex-i****a comprou parte da empresa. — Digo extremamente magoada. — Ise, não é assim, você merece está aqui, tem talento para isso. — Lee diz como se fosse consegui me convencer. — Não importa o que diga, eu recuso a proposta, não tenho interesse de dever nada a você. — Disse, finalmente retomando o controle de minhas ações e o deixando sozinho na sala de reuniões.
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