Sem revisão
Olho para o meu reflexo no espelho, meu look tem que ser impecável para me apresentar na Star editorial. Se bem que ao levar em consideração o meu estilo de roupa, no máximo vou passar por piriguete otaku elegante. Eu amo meus cachos avermelhados soltos, mas hoje preciso deixá-los domados pois não estão num dia bom, parece até que tem vida própria e papai do céu sabe que não vou conseguir dá um jeito neles além de prendê-los, hoje é um dia super importante e não quero que nada me atrapalhe, isso inclui cabelos rebeldes com vida própria.
Bren me desejou boa sorte um pouco antes de sair para trabalhar, minha amiga estava tão ansiosa pela reunião, que ainda parecia um sonho que realmente iria acontecer. É louco a ansiedade que estou sentindo pelo simples fato de realizar o meu sonho de publicar com uma editora regional que conquistou o mercado literário nacional. Estou tão feliz que m*l consigo me conter, que papai do céu tenha misericórdia da minha alma e não permita que eu tenha um troço antes de passar pela entrada da editora...
Cheguei na Star dez minutos antes do horário marcado para a entrevista, o coração palpitando a cada passo que me deixava mais próximo ao meu sonho, um turbilhão de coisas passava por minha cabeça, tantas e tantas coisas que m*l minha voz saiu ao informar meu nome na recepção.
— Aqui está seu crachá de visitante, a Star editorial fica no terceiro andar — a moça super gentil informou.
Assenti, m*l conseguindo respirar direito. Mas por algum milagre consegui me manter de pé, mesmo com as pernas trêmulas e as mãos e todo o resto do corpo suando frio, tamanho o meu nervosismo.
Para piorar o elevador estava lotado, isso às 10 da manhã. Contudo, me mantive firme já que eram apenas três andares, a Star editorial está nos primeiros andares já era um milagre por si só, Se eu tivesse que enfrentar mais 12 andares dentro do elevador, onde m*l conseguia respirar devido ao nervosismo, com certeza não daria certo. Eu sairia daqui direto para o hospital.
Eu deveria ter colocado meu fone de bluetooth para escutar os meus bebês do BTS e assim acalmar o meu coração agitado. Em pensar que depois que o i****a do So Ho me deu um pé na b***a através dos pais eu passei um ano inteiro sem ouvir uma única música dos meus meninos travessos, como se eles tivessem culpa de não enxergar o cretino que meu ex-noivo era. Comecei a cantarolar Dynamite mentalmente e sim, eles são tão fodas que mesmo na mente eles conseguem acalentar o meu coração. Bendito seja o dia que ouvi fake love e deixei meus ressentimentos em relação a tudo que era coreano dominar minha alma amargurada e ferida de lado, foi uma libertação em vários sentidos, menos do desejo de externalizar tudo o que sentir no dia que o casal Lee me humilhou da maneira mais infame que poderiam fazer, destruindo meu orgulho e meu coração que estava cheio de saudade daquele que até então eu estava disposta a sacrificar meus sonhos para ficar ao seu lado em um país completamente diferente do meu. Tão distraída em pensamentos tóxicos do passado que não prestei atenção na ameaça que estava a minha frente quando esbarrei contra alguém grande, mas tão desajeitado quanto eu que se espatifou no chão, me levando junto e mais um amontoado de papéis que provavelmente carregava e por isso, não conseguiu desviar da colisão.
— Ah, meu deus, eu sinto muito! — disse morrendo de vergonha ao tentar me levantar sem mostrar os fundilhos, porque eu, claro, como a boa otaku piriguete que sou, tinha que vir para a entrevista mais importante da minha vida com uma saia plissada quadriculada e uma blusa da Marvel, o look estaria ok apesar da saia ser curta, mas poderia passar despercebido, mas agora todo mundo deve ter visto a minha calcinha do miranha. Deus, isso não poderia ter acontecido, se fosse em outra situação não ligaria de pagar calcinha, mas (estou a um passo de ter uma crise de choro) eu estou no lugar onde eu devo mostrar o mínimo de seriedade, pois poderia a vir a ser o meu novo emprego. Que judiação para com meu sonho de menina!
— Não moça, está tudo bem, desculpa! Por favor, me perdoa por não ter sido mais atento? o pobre coitado pede tão constrangido quanto eu.
— Que infernos está acontecendo aqui? — meus olhos vão em direção a voz irritada. Pelo amor de deus, é o Guto Spindle.
— O João atropelou a moça, esse pateta. — Alguém respondeu.
O homem então desviou o olhar em minha direção, seus olhos eram pura indiferença, desviando o olhar novamente para o rapaz que ficou nitidamente nervoso ao ser alvo do olhar perfurante do escritor. Eu esperava tudo, menos que o principal escritor da Star editorial fosse um arrogante e isso dá para deduzir apenas por sua postura que transborda arrogância.
— Trate de arrumar essa bagunça — disse num tom duro, o homem voltou seu olhar novamente pra mim — e você, deveria usar roupas próprias para a sua idade e para o seu corpo. — Disse com rispidez.
— Como é que é? — Perguntei num tom ríspido depois de levantar tão rápido que só mesmo quando estou com raiva para conseguir esse feito, tudo porque estou pronta para acertar um chute nas partes baixas daquele metido.
— Alguém vê o que essa mulher quer, não tenho tempo a perder com alguém que se veste como uma adolescente e ainda por cima nem o corpo adequado tem para usar essas roupas. — Ele disse isso mesmo Braseeel!
— Seu e******o arrogante — xingo tentando ao máximo não mandar ele tomar no **.
O maldito simplesmente me deu as costas e saiu, voltando de onde havia saído. Apertei meus punhos com força, louca para acertá-los naquela cara que seria linda se não perdesse o encanto quando ele abre a boca.
— Senhora, desculpa. — Uma mulher na faixa dos 40 anos chamou a minha atenção. — Mas pode me dizer o que procura aqui? — perguntou.
— Clarisse Castanho, tenho hora marcada com o editor chefe da Star editorial. — Respondo.
A mulher levou a mão a boca, surpresa. O senhor Guto Spindler é o editor chefe e ele desmarcou toda a sua agenda para reunião das dez com a senhora. Sinto muitíssimo por toda essa situação, ele está sob muito estresse.
— Ah, ele fez isso foi? — perguntei, não sei se choro ou se rio ao saber dessa notícia.