Capítulo 10

1249 Palavras
Sem revisão São Pedro com toda a certeza estava tirando com a minha cara! Era punição por ter ficado para o jantar completo e depois sair de fininho dizendo que ia ao banheiro, contudo, desviei para o bar e tomei umas caipirinhas que coloquei na conta de Lee So Ho. Afinal, eu era a Ise dele, se o p****e quer jogar sujo, eu também vou. Vou o que pensei minutos antes de sair do Renoir’s e me deparar com uma chuva torrencial. Como pensei que só voltaria pela manhã pra casa, separei o dinheiro apenas do ônibus, pois sou acostumada a sair de fininho de motel. Só de lembrar que levei um bolo sinto vontade de chutar alguma coisa. Merda!!! Agora estou presa aqui fora, recebendo vento com pingos de chuva e a parada de ônibus mais próxima é a duas quadras. Entrar de novo não é uma opção. Provavelmente é só uma nuvem passageira e logo, logo a chuva cessa. Então, meio hora depois e a chuva ainda cai pesada e o frio começou a pesar, o vestido é lindo, confortável, veste bem mas não é quentinho, porque seria se o d***o vive fritando Belém em uma frigideira. Mas ao mesmo tempo a chuva cai pesado quase todos os dias. Na maioria das vezes, depois que chove, ao invés de ficar fresquinho fica abafado e o calor só piora, mas hoje não, hoje a chuva está com tanta força que o tempo está gelado e nossa senhora de Nazaré que me livre de pegar essa friagem, amanhã não vou nem conseguir levantar da cama. — Não deveria está aqui fora pegando esse vento de chuva, vai ficar doente. — A voz de Lee me causou mais arrepios que o vento frio. — Porque não voltou para dentro do restaurante ao ver a chuva? Sabe como sua imunidade é baixa. — Ele tá me dando bronca? Não creio! — Não é da sua conta — Retruquei irritada. — Tá bêbada? — ele estreitou os olhos ao me fazer essa pergunta. — Claro que não! Desde quando quatro caipirinhas me derrubam? — Perguntei muito ofendida por ele acreditar que sou fraca assim pra bebida. — Então ficou parada aqui passando frio por orgulho? Continua a mesma cabeça dura. — Mas que palhaçada, agora ele age como se eu fosse uma pessoa imatura. Fechei os punhos com força, centrando toda a vontade de socar a cara linda do So Ho neles. Queria ter a ousadia de acertar aquele rostinho bonito, mas não tenho. — O manobrista já está trazendo o meu carro, vou te levar pra casa. O Spindler decidiu ficar mais um pouco no bar, está irritado, como sempre. — Lee avisou há dois passos de mim. — Nem pensa em recusar, você não está bêbada mas está alta e não sou louco de permitir que você ande sozinha por aí, te dou uma carona. Naquele momento, um carro branco parou em frente ao restaurante, um homem uniformizado saiu segurando um guarda chuva. Correu até Lee e entregou a chave do carro. — Eu o acompanho até o carro para não se molhar. — O homem disse solícito. Lee assentiu. — Leve ela primeiro. — Ele pediu ao manobrista. Eu juro que ia recusar mas bateu um vento tão frio que nem morta que eu continuaria parada ali esperando a chuva passar. Seguimos a passos rápidos até o carro, depois que teve certeza que eu estava bem acomodada no banco do passageiro, o homem voltou para buscar So Ho. Assim que entrou no carro, Lee pediu para o manobrista esperar, pegou a carteira do bolso da calça e tirou uma azulzinha, entregou para o homem e agradeceu em coreano “gam-as-ham-ni-da”, a Larissa Manoela se assanhou toda ao ouvir o salafrário falar em sua língua nativa, quando ele dizia “saranghaeyo” (eu te amo), eu perdia fácil a compostura. — Obrigado — o homem agradeceu ao vê o valor da gorjeta. Lee acenou levemente a cabeça e depois fechou a porta do carro. Eu virei a cabeça para a janela, não ia conseguir encarar ele por muito tempo. Eu sou patética mesmo, na primeira oportunidade, aceitei jantar com ele e ainda uma carona, tudo por medo de uma chuvinha. Neste momento relampejou. Bom, acho que uma carona não faz m*l a ninguém. O carro começou a andar, não demorou para ficar quentinho. Claro que o além de ar condicionado, também tem aquecedor no carro de Lee So Ho. O silêncio foi o grande astro no tempo que levou para chegarmos até próximo a rua do apartamento e ele só foi rompido quando Lee parou. — c****e! — Xinguei, sem acreditar que em menos de uma hora a rua estava completamente alagada e submersa na água. Tirei o cinto de segurança. — Eu vou andando a partir daqui, essa rua fica bem perigosa quando alaga, tem muitos buracos, obrigada pela carona. — Disse puxando a maçaneta, mas a porta do carro não se abriu. — Está chovendo forte e pelo que sei, ainda faltam duas ruas até chegar ao seu prédio. Tem como dar o retorno por outro caminho? — Ele perguntou sem olhar pra mim, mas seu tom deixou claro que não era uma opção saí do carro. — Não com esse engarrafamento que está se formando. — Era a triste realidade de alguns pontos da cidade de Belém. — Vou dar o retorno. — Ele avisou. — Não, você tem que me deixar sair. Senão vou dormir onde? Na rua? — O desespero bateu com força, eu sabia que não dormiria na rua. Lee pode ser tudo, mas nunca o vi deixar alguém na mão em situação vulnerável. Bom, talvez, somente quando ele terminou nossa relação através dos pais e deixou meu coração em pedaços. Espera, e se ele me levar para o seu apartamento? Provavelmente vou encontrar indícios de que ele mentiu no restaurante e é sim casado ou que no mínimo, está em processo de divórcio. Essa é a minha chance de jogar algumas verdades na cara dele. Só assim para que pare de cruzar o meu caminho e eu finalmente possa voltar a minha vida de escrita e trabalhos freelances. — Você não vai dormir na rua, não seja dramática. — Ele retrucou ofendido. — Como seu eu fosse deixa-la se afundar nessa água contaminada. Como é possível aquele ponto adiante está extremamente alagado e aqui não? — Lá é mais baixo, aqui mais alto. — Eu não tenho uma resposta inteligente não, só uma constatação dos anos que moro no bairro. — E para onde eu vou? Me diz? Para a casa dos meus pais na ilha? — Cutuquei. — Para nosso apartamento — Lee respondeu. Aquela piada foi boa, nosso apartamento, não temos a p***a de um apartamento juntos. Ele e suas loucuras, mania de dizer coisa sem sentido. Entendia mais o que falava quando tinha aquele sotaque pesado. — Sem papo furado — pedi irritada. — Nada dessa baboseira de nosso, não temos nada juntos, isso inclui físico ou emocional. — Alfinetei. — Se você está dizendo — Lee disse sem olhar para mim, ainda tentando da o retorno. — Sim, estou. — Confirmei. Como ele consegue parecer tão calmo com essa situação, como se não fosse estranho a ex-noiva dele ir dormir no seu apartamento porque a rua dela está alagada e ele não quer deixá-la sair do carro, enfim, pelo menos posso xeretar um pouco na residência alheia.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR