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Capítulo um
Oliver Álvaro
Allan – Anda, Oliver, acorda! Vamos nos atrasar.
Que merda! Esqueci de trancar a porta antes de dormir.
— Só mais cinco minutos — disse, ainda com os olhos fechados.
De repente, minhas pernas foram puxadas. Eu nem tive tempo de reagir e caí de b***a no chão.
— Seu filho da p**a!
Disse, me levantando e indo pra cima dele.
— Quem você pensa que é, seu cretino?
Allan — Seu irmão mais velho.
Ele disse com um sorriso cínico no rosto.
Dom — Que p***a está acontecendo aqui?
— A p***a do seu filho não me deixa em paz.
Dom Fernando — Eu pedi para que ele te chamasse, já que você não sabe a hora de acordar. E, na próxima vez que eu te ver xingando aqui dentro de casa, eu lhe dou umas palmadas.
Olhei para o Oliver, e foi impossível não rir.
Dom — O recado está dado.
Ele disse e saiu andando.
Allan — Não podemos xingar? Da onde esse velho tirou isso?
— O pior é ter que levar umas palmadas, kkkk.
Nós acabamos rindo.
Allan — Agora anda, que já estamos atrasados.
— Estraga-prazeres.
Ele piscou o olho e saiu andando. Fechei a porta, olhei para a cama. A vontade era me deitar e dormir, mas não posso. Talvez se eu inventasse que estou com dor… mas já inventei isso essa semana.
— Pois é, cama, até mais tarde.
Tomei banho e me arrumei. Antes de sair do quarto, me joguei na cama para pegar meu celular e acabei me distraindo respondendo algumas mensagens.
Allan — Francamente!
Dei um pulo da cama.
— Não sabe bater na porta?
Allan — Não, merda, anda logo.
Ele foi na frente e eu fui atrás.
Benedithi — Bom dia, meus meninos.
— Bom dia!
Falamos juntos.
Benedithi — Não acredito que vocês já estavam brigando de novo.
Allan — Esse merda que não tem responsabilidade com os compromissos.
— E você que não tem paciência.
Benedithi — Parem com isso, vocês já são rapazes.
Benedithi trabalha na nossa casa há muitos anos. Ela é como uma mãe para a gente. Tratamos ela como se fosse da família. Ao contrário dos outros funcionários, ela tem liberdade para puxar nossa orelha sempre que acha necessário.
Elena — Brigando novamente?
— Bom dia, mamãe.
Elena — Bom dia. Quando eu penso que vocês finalmente pararam com essas brigas bestas…
— Foi…
Elena — Eu não quero saber quem foi.
Benedithi — Senhora Elena, as moças já chegaram.
Elena — Ótimo. Leve-as ao escritório.
Benedithi — Sim, senhora.
Ela disse, saindo.
Elena — E vocês não saiam sem tomar café da manhã.
Ela disse e seguiu para o escritório, que fica no andar de baixo.
Allan — Pra onde você pensa que vai?
— Tá surdo? A mamãe mandou a gente tomar café da manhã.
Allan — Eu já tomei.
— Mas eu não.
Allan — Se tivesse acordado cedo… Agora anda.
— Nem pensar. Não vou sair daqui sem tomar meu café da manhã.
Disse, indo me sentar à mesa e me servir, enquanto ele ficou em pé me fitando.
Dom — Vamos?
Allan — A bela adormecida está comendo.
Dom — Então vamos nós dois. Estamos atrasados. Allan, não se atrase mais do que já está.
Ele disse bem sério, apenas para sabermos que realmente não está brincando. Qualquer deslize é castigo.
— Ok, daqui a uma hora eu chego lá.
Dom — Meia hora.
— Sim, senhor.
Assim que terminei meu café da manhã, corri para o quarto para pegar meu carregador. Na bagunça, vasculhei tudo e não encontrei.
Benedithi — Bom, aqui é o quarto do Oliver, um dos gêmeos.
Ela disse entrando. Olhei para ver com quem ela falava e vi duas funcionárias. Elas não me viram, pois eu estava indo para a varanda.
— Nossa!
— Meu Deus, esse quarto é maior do que a minha casa.
— Como pode um quarto possuir uma sala dentro?
— Isso nem é tudo, olha o closet!
Benedithi — Aqui no quarto do Oliver, por mais incrível que pareça, vocês não vão ter muito trabalho. Ele ama a bagunça dele e não deixa ninguém arrumar. Só precisamos manter limpo e recolher as roupas sujas…
— Como uma criança pode ter um quarto maior que a minha casa?
Elas interromperam, não deixando Benedithi falar.
Benedithi — O Oliver não é uma criança.
— Não?
Elas falaram juntas. Pera aí… por que elas acham que eu sou criança?
Benedithi — Apesar de ser um menino bem travesso, o Oliver já tem 22 anos…
— Nossa, quanta roupa!
Elas interromperam mais uma vez.
— Parece uma loja.
— Aquelas lojas chiques do shopping.
— Sim!
Benedithi — Naquela porta é o banheiro. Vamos.
— Uau!
— Meu Deus, eu nunca vi uma banheira dessas.
— Isso sim é coisa de filme.
— Se eu tivesse uma dessa, não sairia de dentro.
De onde saíram essas malucas?
— E o que falar dessa cama?
— Eu nem sabia que existia cama desse tamanho e altura.
Meu celular começou a vibrar no bolso, me fazendo despertar do transe. Só então percebi que estava espionando uma funcionária qualquer. Saí da varanda e entrei no quarto. Quando ela me viu, arregalou os olhos. A outra eu não consegui reparar.
Benedithi — Meu filho, você ainda não foi?
— Já estou indo.
Benedithi — Está muito atrasado.
— Eu sei.
Ao passar por elas, senti o perfume suave e doce que ela usava, o olhar dela me acompanhou até que eu saísse do quarto.